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TÍTULO: Strategy compra US$ 1,6 bilhão em bitcoins com nova fonte
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META DESCRIÇÃO: A Strategy, de Michael Saylor, fez sua maior compra de bitcoins desde janeiro, US$ 1,6 bilhão, financiando com títulos preferenciais. Entenda o investimento da MicroStrategy em BTC.
A Strategy compra bitcoin em uma movimentação estratégica no mercado de criptoativos, com a empresa de Michael Saylor anunciando uma aquisição de aproximadamente US$ 1,6 bilhão da moeda digital. Esta transação representa o maior investimento da companhia desde o mês de janeiro, marcando um novo capítulo em sua política de tesouraria focada em ativos digitais. A operação foi significativamente impulsionada por um título financeiro que garante aos investidores um retorno anual de 11,5%, cuja garantia está atrelada à própria criptomoeda.
Conforme um documento regulatório tornado público nesta segunda-feira (16), a empresa, previamente denominada MicroStrategy, efetuou a compra de exatas 22.337 unidades de bitcoin no período compreendido entre 9 e 15 de março. A composição do financiamento para esta expressiva aquisição de bitcoins pela Strategy foi dividida: cerca de US$ 400 milhões foram originados da alienação de ações ordinárias.
Strategy compra US$ 1,6 bilhão em bitcoins com nova fonte
Os US$ 1,2 bilhão restantes do montante total investido na aquisição de bitcoins foram arrecadados por meio de vendas no mercado (at-the-market) de suas ações preferenciais perpétuas, batizadas de “Stretch”. Estes títulos, que oferecem pagamento de dividendos e se assemelham a dívidas sem data de vencimento, asseguram aos detentores um rendimento estável, que é, em última instância, financiado pelas expressivas reservas de bitcoin da própria Strategy.
A Estratégia de Financiamento da Strategy
A recente aquisição marca a maior venda dos títulos Stretch desde sua oferta pública inicial, realizada em julho. Pela primeira vez em várias semanas, a Strategy priorizou predominantemente os títulos Stretch como principal fonte de financiamento para suas compras. Durante esse período, a empresa tem promovido ativamente esses papéis como uma solução para investidores e companhias que buscam exposição ao bitcoin, porém com menor exposição à volatilidade intrínseca da criptomoeda.
A Strategy consolidou uma sofisticada estrutura de financiamento em camadas. Ela emite dívidas, ações preferenciais e ações ordinárias, todas com o propósito final de adquirir bitcoin. Cada uma dessas camadas oferece aos investidores uma combinação distinta de risco e retorno, mas todas compartilham uma dependência fundamental: a valorização contínua do preço do bitcoin é o fator determinante para o sucesso da estratégia de investimento da MicroStrategy.
Strive: O Comprador Inesperado e Seus Motivos
Na quarta-feira da semana passada, a Strategy surpreendeu o mercado ao anunciar um comprador inesperado para suas ações preferenciais perpétuas: a Strive. Esta é uma empresa de tesouraria focada em bitcoin, cofundada pelo ex-candidato republicano à presidência Vivek Ramaswamy, cujo próprio balanço patrimonial também está intrinsecamente ligado à performance do preço do bitcoin.
A Strive alocou US$ 50 milhões, o que representa mais de um terço de seu caixa corporativo, nestes títulos. Detentora de aproximadamente 13.300 bitcoins, a Strive já possui uma forte exposição às flutuações de preço do token. Ao investir nas ações Stretch, a Strive busca obter um rendimento de dois dígitos sobre o capital que mantém em reserva, visando cumprir suas próprias obrigações de dividendos preferenciais.
Matt Cole, diretor-executivo da Strive, explicou a rationale por trás da decisão: “Em vez de manter caixa ocioso rendendo pouco em fundos de mercado monetário, acreditamos que faz sentido alocar uma parte dessas reservas em instrumentos como o Stretch, que oferecem uma dinâmica de rendimento forte ao mesmo tempo em que mantêm comportamento de preço estável e profunda liquidez.”
A Strive emite suas próprias ações preferenciais com um dividendo de 12,75% e utiliza a maior parte dos recursos para comprar bitcoin. A empresa mantém reservas de caixa para cobrir os dividendos fixos dessas ações preferenciais. Ao investir parte desse caixa de reserva nos títulos Stretch, que rendem 11,5%, em vez de títulos do Tesouro que oferecem cerca de 3,7%, a Strive otimiza a receita gerada por seu capital em reserva. Apesar disso, a empresa ainda desembolsa mais em seus próprios dividendos preferenciais do que o que arrecada com essas reservas, gerando uma diferença de 1,25%.
Caso o preço do bitcoin se valorize o suficiente para compensar essa diferença, os acionistas ordinários da Strive poderiam ser beneficiados. No cenário oposto, os dividendos preferenciais continuarão a ser pagos, resultando na redução do capital disponível para os acionistas comuns. Cole reiterou, em e-mail, que “acreditamos que é prudente para um emissor de crédito digital ser ao mesmo tempo emissor e detentor de crédito digital”, destacando que o investimento no Stretch aprimora a eficiência do balanço da Strive, ao mesmo tempo em que mantém liquidez e segurança.

Imagem: Liam Kennedy via valor.globo.com
Análise de Mercado e Riscos Envolvidos
O analista Fedor Shabalin, da B. Riley Securities, que mantém uma recomendação de compra para as ações da Strive, descreveu este investimento como o primeiro caso conhecido de uma empresa de tesouraria de ativos digitais (DAT) utilizando ações preferenciais de outra empresa do mesmo tipo para assegurar suas próprias obrigações de dividendos. “Todo o modelo de crescimento das DATs depende criticamente de manter um prêmio das ações em relação ao valor patrimonial líquido”, escreveu Shabalin em sua nota de análise. “Se esse prêmio colapsar ou se transformar em desconto, o ciclo virtuoso se rompe.”
O investimento da Strive representa uma aposta significativa tanto no bitcoin quanto na Strategy. Michael Lebowitz, gestor de portfólio da RIA Advisors, expressou preocupação, afirmando que “eles estão colocando muito risco sobre a mesa caso a Strategy não consiga entregar resultados.” Ele adicionou que “qualquer acionista da Strive deveria ficar indignado” com a decisão.
O rendimento dos títulos Stretch é ajustado mensalmente, com o objetivo de manter os papéis sendo negociados próximos ao seu valor de face de US$ 100. Contudo, este nível não possui garantia. Se a empresa decidir reduzir o rendimento ou se a demanda pelos títulos diminuir, o preço de mercado pode cair abaixo do valor de face, expondo os investidores a potenciais perdas caso decidam vender. No mês anterior, os títulos chegaram a ser negociados a US$ 93,67. As ações da Strategy, por sua vez, registraram um aumento de 14% nesta segunda-feira.
Impacto no Mercado e Perspectivas Futuras
Para a Strategy, a emissão de ações preferenciais oferece a Michael Saylor uma via para continuar sua agressiva política de aquisição de bitcoins sem comprometer ainda mais os investidores que já detêm ações ordinárias, que acumularam uma desvalorização de cerca de 50% nos últimos 12 meses. A aparente estabilidade dos títulos Stretch pode se mostrar particularmente atraente para os investidores, especialmente após um período de alta volatilidade para o bitcoin nos meses finais de 2025, que incluiu uma intensa liquidação que impactou balanços fortemente expostos a criptomoedas. Para entender mais sobre o comportamento do mercado cripto e suas influências, acesse as últimas análises do mercado de criptomoedas.
O bitcoin experimentou uma queda por cinco meses consecutivos até fevereiro. As ações da Strategy registraram um aumento de 5,6% em uma segunda-feira subsequente. O que torna o “experimento de capital” da Strategy notável não é um único instrumento financeiro, mas sim a emergência de todo um ecossistema de empresas que passaram a emitir, adquirir e deter mutuamente títulos, todos dependentes da premissa de que o preço do bitcoin não cairá excessivamente por um longo período. Esses instrumentos são cuidadosamente projetados para atrair diferentes perfis de risco, mas todos convergem para a mesma dependência do fluxo de valorização do bitcoin.
A criptomoeda tem demonstrado alta volatilidade ao longo deste ano. Nesta segunda-feira, o bitcoin era negociado em torno de US$ 74.000, refletindo uma valorização de mais de 10% desde o início do mês. Essas oscilações ocorrem em um cenário de mercados globais sob constante pressão devido ao conflito em andamento no Irã. As ações ordinárias da Strategy, frequentemente consideradas um proxy para o bitcoin e que geralmente se movem em sincronia com a criptomoeda, acumulam uma alta de aproximadamente 14% neste mês. Atualmente, a empresa detém mais de 761.000 bitcoins, cujo valor de mercado é estimado em cerca de US$ 58 bilhões.
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A aquisição bilionária de bitcoins pela Strategy, financiada por uma combinação de ações ordinárias e as inovadoras ações preferenciais Stretch, demonstra a contínua e audaciosa estratégia da empresa no universo das criptomoedas. A complexidade do modelo de financiamento e o envolvimento de outras companhias, como a Strive, sublinham a crescente interconexão e os riscos inerentes a este mercado. Para mais análises sobre estratégias econômicas e investimentos, continue acompanhando nossa editoria de Economia.
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