A ocorrência de tornados simultâneos no Sul do Brasil tem chamado a atenção de especialistas e da sociedade. Em um cenário global de intensificação de fenômenos meteorológicos extremos, a formação de múltiplos tornados no Paraná e em Santa Catarina, na última sexta-feira (8), foi classificada como um evento inédito no país. Esta particularidade ocorre em um período de debates climáticos intensos, coincidindo com a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém, que reúne líderes, ambientalistas e pesquisadores para discutir estratégias de mitigação das alterações climáticas.
Relatos de órgãos estaduais confirmam que seis distintos tornados se manifestaram a partir das mesmas condições atmosféricas, impactando quase que ao mesmo tempo pelo menos seis municípios. No Paraná, as cidades de Rio Bonito do Iguaçu, Turvo e Guarapuava foram atingidas, enquanto em Santa Catarina, Dionísio Cerqueira, Xanxerê e Faxinal dos Guedes registraram a passagem dos ventos destrutivos.
Tornados Simultâneos Atingem Sul do Brasil e Surpreendem
Conforme o meteorologista Lizandro Jacóbsen, integrante do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), tornados não são raros na região Sul do Brasil. Contudo, o impacto destes eventos específicos foi de uma magnitude sem precedentes para o estado, especialmente nos 32 anos de história do Simepar. Jacóbsen enfatizou que não há registros anteriores de múltiplos eventos dessa intensidade e abrangência ocorrendo em um único dia, dentro de um curto intervalo de tempo. A Agência Brasil destacou o posicionamento do especialista em sua cobertura.
O aprimoramento tecnológico e o processo de urbanização são fatores que, para Jacóbsen, contribuem para a maior identificação e registro desses fenômenos. Antigamente, tornados frequentemente afetavam áreas rurais, e os danos, por vezes, passavam despercebidos ou não eram documentados. Com o crescimento urbano e a tecnologia atual, a detecção de eventos meteorológicos severos é mais eficaz, especialmente quando resultam em prejuízos significativos, que são registrados pela Defesa Civil.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), consultado sobre o ocorrido, apontou que a intensa instabilidade atmosférica que gerou os prováveis tornados no Paraná e Santa Catarina foi precedida por uma frente fria. Esta frente, por sua vez, foi amplificada por um ciclone extratropical que se desenvolveu no Rio Grande do Sul e se deslocou em direção ao oceano. A complexidade do cenário meteorológico contribuiu para a excepcionalidade dos eventos.
O Inmet ressaltou que, se confirmada a ocorrência de múltiplos tornados independentes, o evento pode ser considerado ímpar. Entretanto, devido à natureza de micro a mesoescala desses fenômenos – cujo raio de ação pode variar de dezenas de metros a quilômetros de extensão – não existem registros significativamente representativos que comprovem de forma inequívoca a ocorrência simultânea. O instituto enfatizou que apenas estudos posteriores, que podem incluir visitas de especialistas aos locais afetados, conseguirão diferenciar e esclarecer os danos causados por tornados de outros eventos com impactos similares.
A Compreensão e Classificação dos Tornados
Em Rio Bonito do Iguaçu, uma cidade de aproximadamente 14 mil habitantes, localizada a 400 quilômetros da capital Curitiba, o tornado alcançou a categoria F3 na Escala Fujita. Estima-se que os ventos tenham atingido velocidades entre 300 km/h e 330 km/h, resultando em estragos em cerca de 90% da área urbana. A tragédia causou a morte de pelo menos cinco pessoas na cidade e deixou 432 feridos. Um sexto óbito foi lamentado em Guarapuava, confirmando a gravidade da situação.
A Escala Fujita Aprimorada, ou Escala EF, é uma ferramenta utilizada globalmente para mensurar a intensidade dos tornados. Essa avaliação é baseada na extensão da destruição observada e em outras variáveis, como a velocidade das rajadas de vento que persistem por, no mínimo, três segundos. Essas velocidades podem variar significativamente, de pouco mais de 100 km/h até 330 km/h para os tornados mais severos, indicando o potencial devastador desses redemoinhos de vento.
Os tornados são caracterizados por redemoinhos de vento que giram violentamente a altas velocidades. Eles se originam de nuvens que podem atingir até 20 quilômetros acima da superfície terrestre, formando uma coluna de ar ascendente que é capaz de absorver grande parte do que encontra em sua trajetória. Embora geralmente efêmeros – moradores de Rio Bonito do Iguaçu relataram que a passagem do tornado durou apenas alguns segundos –, seu poder destrutivo é imenso.
Condições meteorológicas instáveis também podem dar origem a outros fenômenos semelhantes. Um exemplo é o downburst, que difere do tornado pela direção de sua corrente de ar, que é descendente. As fortes descargas de vento de um downburst se direcionam para o solo e, ao atingi-lo, se espalham horizontalmente, devastando a área ao redor da base da nuvem. Embora destrutivo, o downburst é geralmente menos potente que um tornado.
Os vendavais, por sua vez, são fenômenos menos intensos que tornados e downbursts. São provocados pelo forte deslocamento de ventos, frequentemente acompanhados por tempestades. Podem causar quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia elétrica e telecomunicações, danos a residências e plantações, destelhamentos e outras consequências. Quando os ventos superam os 119 km/h, essas tempestades recebem diferentes nomenclaturas dependendo da região do planeta: furacões no Oceano Atlântico e nordeste do Pacífico; tufões no noroeste do Pacífico; e ciclones tropicais no Pacífico Sul e Oceano Índico.
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Em síntese, os tornados simultâneos que atingiram o Sul do Brasil na última sexta-feira (8) representam um evento meteorológico de rara intensidade e abrangência, marcando um precedente na história de registros do país. A análise aprofundada por órgãos como Simepar e Inmet será crucial para compreender totalmente a dinâmica desses fenômenos e seus impactos. Para se manter informado sobre as últimas notícias em Meio Ambiente e outros temas relevantes, continue acompanhando a editoria em horadecomecar.com.br/meio-ambiente/ e entenda mais sobre os desafios ambientais de nosso tempo.
Crédito da imagem: Priscila Ribeiro/Proibida reprodução






