O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acendeu um novo pavio de polêmica ao atacar publicamente parlamentares democratas que orientaram membros das Forças Armadas a rejeitar quaisquer ordens que considerassem ilegais. Em uma série de publicações explosivas, Trump classificou a conduta dos democratas como “sediciosa” e sugeriu que tal comportamento seria punível com a morte, reacendendo debates sobre a retórica política e suas potenciais consequências.
A controvérsia teve início após Trump repostar um artigo em sua plataforma Truth Social. O conteúdo destacava um vídeo divulgado por seis parlamentares democratas, todos com experiência militar ou em inteligência, que se dirigiram diretamente aos membros das Forças Armadas e da comunidade de inteligência do país. Em suas mensagens, os democratas expressaram preocupação com a pressão exercida sobre essas instituições e enfatizaram a importância de defender os princípios constitucionais.
Trump Ameaça Democratas com Pena de Morte por Sedicionismo
As declarações de Trump, que ecoaram em suas redes sociais, qualificaram o ato como “comportamento sedicioso, punível com a morte!”. Em uma postagem anterior, o ex-presidente já havia afirmado: “Isso é realmente ruim e perigoso para o nosso país. Suas palavras não podem ser toleradas. Comportamento sedicioso de traidores!!! Prendam eles???”. Este episódio marca mais um capítulo na história de Trump de buscar punições severas para aqueles que ele considera adversários políticos.
Desde sua saída da presidência e com a possibilidade de um retorno ao cargo em janeiro próximo, Trump tem defendido repetidamente a prisão de oponentes e direcionado o Departamento de Justiça para investigar críticos. Casos como os de ex-funcionários federais John Bolton e James Comey foram mencionados como alvos de seu governo. Em outro momento, em novembro de 2021, ele chegou a defender os cânticos de seus apoiadores, que pediam o enforcamento do então vice-presidente Mike Pence, durante a invasão ao Congresso dos Estados Unidos em 6 de janeiro daquele ano, um evento que resultou em vítimas fatais e abalou as estruturas democráticas do país.
A Mensagem dos Parlamentares Democratas às Forças Armadas
O vídeo que provocou a ira de Trump foi encabeçado por senadores e representantes democratas com histórico notável. Entre eles, a senadora Elissa Slotkin, ex-analista da CIA e veterana da Guerra do Iraque, e o senador Mark Kelly, ex-astronauta e veterano da Marinha. Completavam o grupo os representantes Jason Crow, Maggie Goodlander, Chris DeLuzio e Chrissy Houlahan. A mensagem central do vídeo era um apelo direto aos militares e membros da comunidade de inteligência, alertando que o governo Trump estaria potencialmente colocando essas instituições contra o povo americano e ameaçando os pilares da Constituição dos Estados Unidos.
No vídeo, os parlamentares transmitiram uma mensagem de apoio e instrução: “Sabemos que vocês estão sob enorme estresse e pressão neste momento”. O senador Kelly, do Arizona, reforçou a legalidade da recusa a ordens ilegais, afirmando categoricamente: “Nossas leis são claras: vocês podem se recusar a cumprir ordens ilegais”. Os outros representantes seguiram um tom similar, culminando na fala da senadora Slotkin: “Precisamos que vocês defendam nossas leis, nossa Constituição. Não abandonem o barco.” É importante notar que, no vídeo, os parlamentares não se referiram a nenhum incidente ou cenário específico nem forneceram exemplos concretos de ordens que pudessem ser consideradas ilegais, mantendo a mensagem em um plano de princípios.
Após a repercussão das declarações de Trump, a senadora Slotkin utilizou a plataforma X (antigo Twitter) para reafirmar seu compromisso. Ela declarou que ela e seus colegas continuarão a defender a Constituição, acrescentando que “Nenhuma ameaça, intimidação ou incitação à violência nos impedirá de cumprir essa obrigação sagrada”. A senadora de Michigan deixou claro que a posição dos democratas permanece inabalável diante das pressões.
Implicações Legais e o Conceito de Sedição
A menção de Trump à sedição e à pena de morte trouxe à tona importantes distinções legais no contexto americano. Para civis, a lei dos EUA não prevê a acusação direta de sedição, embora a “conspiração sediciosa” seja um crime federal que pode acarretar uma pena máxima de 20 anos de prisão. Este é um delito grave que envolve a tentativa de derrubar, por força, o governo ou de impedir, por força, a execução de alguma lei federal.
Contudo, para as Forças Armadas, o cenário é diferente. O Código Uniforme de Justiça Militar (UCMJ) inclui uma seção específica sobre sedição. Este código detalha as infrações militares e suas respectivas penalidades, que podem, em casos extremos de sedição em tempos de guerra ou durante certas circunstâncias, incluir a pena de morte. É crucial destacar que a aplicação desta pena é extremamente rara e limitada a situações muito específicas e graves. Para mais informações sobre o conceito de sedição na lei americana, consulte a Wikipédia sobre Sedição nos Estados Unidos.
Historicamente, os democratas no Congresso já haviam criticado as ações militares de Trump, como os ataques contra supostos traficantes de drogas no sul do Caribe e no Pacífico, levantando questões sobre a legalidade e a transparência dessas operações. Também houve apreensões de que Trump poderia lançar um ataque contra a Venezuela. Outra área de preocupação democrata foi a tentativa de Trump de mobilizar membros da Guarda Nacional para implementar medidas rigorosas de repressão à imigração em cidades americanas, o que gerou debates sobre o uso de forças militares em contextos civis.
Reações Políticas e a Divisão no Congresso
As postagens de Trump provocaram uma onda de reações no Capitólio, expondo a profunda divisão política. Os principais líderes democratas no Congresso rapidamente se manifestaram, expressando preocupação de que as palavras do ex-presidente pudessem incitar a violência. Em resposta, contataram a Polícia do Capitólio para garantir a segurança dos parlamentares democratas, demonstrando a seriedade com que as ameaças foram recebidas.
O senador Chris Coons, de Delaware, uma figura proeminente entre os democratas na Subcomissão de Apropriações para a Defesa, condenou veementemente as declarações de Trump. “Pedir a execução de senadores e membros do Congresso por lembrarem nossas tropas disso é um comportamento assustador que devemos esperar de ditadores, não do presidente dos Estados Unidos”, afirmou Coons em um comunicado, fazendo um apelo direto aos seus colegas republicanos: “Todos os meus colegas republicanos precisam se manifestar e condenar isso imediatamente.”
Por outro lado, a reação entre os republicanos foi mais contida. Vários senadores republicanos se recusaram a comentar as declarações de Trump na quinta-feira, optando pelo silêncio. Alguns, no entanto, ofereceram comentários ambíguos ou mitigados. O senador Tim Sheehy, republicano de Montana e ex-membro da Marinha dos Estados Unidos, limitou-se a dizer: “Bem, essa é a opinião dele”, sem tecer maiores julgamentos sobre a gravidade da fala.
O senador Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul, reconheceu a polaridade da situação. Embora tenha expressado seu desdém pelo vídeo dos democratas, classificando-o como “a coisa mais irresponsável que já vi vinda de membros do Congresso, ponto final”, ele também criticou a intensidade da resposta de Trump. Graham afirmou: “mas não concordo com o que o presidente disse”, buscando uma posição de equilíbrio que, no entanto, não condenava Trump de forma irrestrita.
A Resposta da Casa Branca e o Alerta de Schumer
Em uma coletiva de imprensa posterior, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi questionada diretamente se o presidente Donald Trump desejava a execução de membros do Congresso. Sua resposta foi um categórico “não”. Contudo, Leavitt aproveitou a oportunidade para criticar os democratas, acusando-os de encorajar membros das Forças Armadas a desafiar a cadeia de comando, uma infração grave no ambiente militar. Esta resposta buscou defender o presidente, enquanto, ao mesmo tempo, direcionava o foco da controvérsia para a conduta dos parlamentares democratas.
O senador Chuck Schumer, líder dos democratas no Senado, não hesitou em classificar as postagens de Trump como uma “ameaça direta”. Em um discurso no Senado, Schumer alertou sobre os perigos da retórica do ex-presidente: “Quando Donald Trump usa a linguagem da execução e da traição, alguns de seus apoiadores podem muito bem dar ouvidos”. Ele concluiu com uma poderosa metáfora: “Ele está acendendo um fósforo embebido em gasolina”, sublinhando o potencial incendiário das palavras de Trump e o risco de incitação à violência.
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Em suma, as recentes declarações de Donald Trump, acusando parlamentares democratas de sedição e sugerindo a pena de morte, geraram uma nova onda de tensões políticas nos Estados Unidos. O debate sobre ordens ilegais para militares, a interpretação da lei e os limites da retórica política continuam a moldar o cenário nacional. Fique por dentro de todas as análises e desdobramentos sobre este e outros temas em nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Valor Econômico






