TÍTULO: Trump Tenta Reverter Impopularidade em Discurso-Show
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META DESCRIÇÃO: Donald Trump buscou reverter impopularidade em discurso-show de 1h48, misturando autoglorificação e medo. Analise as estratégias para as eleições.
O ex-presidente Donald Trump buscou reverter sua crescente impopularidade durante o recente discurso sobre o Estado da União, transformando o evento em um espetáculo grandioso. Diante de um eleitorado americano cada vez mais insatisfeito, o objetivo central era convencer a nação do sucesso de sua administração, um pilar fundamental para a campanha eleitoral em curso. O evento foi marcado por uma mistura de autoglorificação e retórica alarmista, culminando em momentos de catarse coletiva.
A performance de Trump estendeu-se por impressionantes 1 hora e 48 minutos, estabelecendo um novo recorde para discursos exibidos pela televisão desde a década de 1960. O recorde anterior, de 1 hora e 39 minutos, também era do próprio Trump, registrado em 2025. Essa longevidade reflete a familiaridade do ex-presidente, uma ex-personalidade televisiva, em conduzir grandes espetáculos e cativar a audiência. Sua estratégia consistiu em empilhar declarações grandiloquentes e, por vezes, distorcer fatos e números.
O principal objetivo do
Trump Tenta Reverter Impopularidade em Discurso-Show
foi reestruturar a narrativa pública. A abordagem de Trump focou em quatro pilares principais: primeiro, reafirmar que seu governo restabeleceu a segurança no país, considerada o ponto mais forte de sua argumentação; segundo, alertar que um retorno dos democratas agravaria a situação de segurança e criminalidade; terceiro, reivindicar crédito por todos os aspectos positivos da economia; e quarto, atribuir qualquer falha ou desafio remanescente à administração do presidente Joe Biden e à oposição democrata.
Estratégias para Conquistar o Eleitorado
Em seu discurso, Trump proclamou: “Nossa nação está de volta, maior, melhor e mais forte do que nunca. Esta é a era dourada dos EUA. Os EUA são respeitados novamente, talvez como nunca antes.” Essa tônica de autoexaltação, característica de sua comunicação, muitas vezes envolveu uma manipulação de dados. Por exemplo, ele alegou ter reduzido o déficit comercial em 78%, quando, na realidade, o déficit diminuiu apenas 0,2% no ano passado, mesmo com suas políticas protecionistas e imposição de tarifas.
A imigração e a segurança nacional foram os primeiros temas abordados, considerados cruciais pelos republicanos. Trump detalhou, em várias ocasiões, atos de violência supostamente cometidos por imigrantes ilegais que ingressaram no país durante o governo Biden. Ele apresentou dados indicando uma redução da criminalidade nos EUA em 2025, incluindo uma queda de 32% nos homicídios em Washington. Contudo, o ex-presidente omitiu mencionar os recentes assassinatos de dois cidadãos americanos por agentes de imigração.
Na sequência, o discurso de Trump passou a instigar o medo, alertando que, caso os democratas assumissem o poder novamente, as fronteiras seriam reabertas, levando a um aumento da criminalidade. Ele protagonizou um momento que pareceu planejado para viralizar nas redes sociais: desafiou a bancada democrata a se levantar em apoio à frase “o primeiro dever do governo americano é proteger cidadãos americanos, e não imigrantes ilegais”. A bancada democrata permaneceu sentada, o que rendeu a Trump o aplauso mais longo da noite, seguido da reprovação: “Vocês deveriam ter vergonha de si mesmos. Vocês estão bloqueando a remoção dessas pessoas do nosso país.” A cena, certamente, será amplamente explorada em posts de campanha.
Economia e Críticas da Oposição
Ao abordar a economia, Trump fez uma seleção cuidadosa dos dados que lhe eram favoráveis. Ele destacou a queda da inflação, que reduziu de 3% no início de seu mandato para 2,4% em dezembro de 2025, e a diminuição dos preços dos combustíveis. Enfatizou, ainda, os cortes de impostos e a desregulamentação como pontos positivos de sua gestão. Sobre o termo “affordability” (custo de vida), uma preocupação crescente nos EUA, Trump o ironizou, atribuindo a culpa à crise herdada do governo Biden, mas sempre sugerindo que a situação econômica estava em melhoria, apesar de o Produto Interno Bruto (PIB) americano ter crescido apenas 1,4% no último trimestre do ano passado, um resultado considerado decepcionante por muitos analistas do mercado financeiro.
Pesquisas recentes revelam que o eleitorado americano discorda da autoindulgência do presidente. Há uma insatisfação generalizada com os rumos da economia e uma preocupação crescente com o custo de vida. Um levantamento da CNN, divulgado na mesma semana do discurso, apontou que apenas 32% dos americanos acreditam que Trump tem as prioridades corretas, enquanto 68% afirmam que ele não dedicou atenção suficiente aos problemas mais importantes do país. Além disso, 61% consideram que as políticas de Trump conduzirão o país na direção errada, em contraste com 38% que as apoiam. O índice de aprovação do ex-presidente registrava apenas 36%, uma queda significativa em relação aos 48% de um ano atrás, indicando uma erosão de apoio em todos os principais grupos demográficos.

Imagem: valor.globo.com
Essa diminuição no apoio representa um risco considerável para os republicanos nas eleições para o Congresso, agendadas para novembro. A oposição democrata tem demonstrado ganhos em pleitos recentes nos EUA, e projeções indicam a possibilidade de o partido conquistar a maioria na Câmara e, talvez, até no Senado. Para tentar reverter esse cenário, Trump anunciou medidas já conhecidas, como a negociação com empresas de tecnologia para que elas produzam a própria energia para seus data centers, uma questão relevante dada a crescente demanda por energia, que tem elevado os preços para consumidores residenciais. Os detalhes de como esse acordo funcionará, no entanto, não foram esclarecidos. Ele também instou o Congresso a aprovar um subsídio para auxiliar famílias no pagamento de planos de saúde, sem mencionar que os preços desses planos dispararam este ano devido ao fim de outro subsídio, cuja expiração foi permitida pelos republicanos.
Momentos de Catarse e Reações
O discurso foi entremeado por momentos de fervor coletivo, como a distribuição de medalhas e condecorações. O clímax ocorreu com a entrada do time americano de hóquei no gelo masculino, medalha de ouro nos recentes Jogos Olímpicos de Inverno. Ao som dos gritos de “EUA, EUA”, o salão, repleto da elite política americana, transformou-se em uma arquibancada de torcida. É importante notar que o time feminino de hóquei, também medalha de ouro, recusou o convite após ser alvo de ironias de Trump.
Em política externa, Trump concentrou-se em destacar como suas ações teriam trazido mais segurança aos americanos e maior respeito pelos EUA. Chegou a afirmar ter evitado a morte de 35 milhões de pessoas em uma guerra nuclear entre Índia e Paquistão. Sobre a guerra na Ucrânia, que completou quatro anos na véspera do discurso, ele se limitou a dizer que estava trabalhando pela paz, mantendo-se evasivo quanto às suas ameaças de atacar o Irã. Como esperado, celebrou a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, que deve ser um dos trunfos de sua campanha eleitoral.
Uma pesquisa da CNN, realizada com pessoas que assistiram ao discurso, indicou uma recepção favorável: 64% disseram que as políticas apresentadas por Trump levariam os EUA na direção certa, uma percepção que diverge das pesquisas regulares de aprovação. Se Trump conseguir sustentar essa percepção positiva, suas chances e as de seu partido em novembro poderão melhorar. Caso prevaleça a percepção identificada nas pesquisas regulares, o poder de Trump poderá ser significativamente reduzido nas próximas eleições.
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O discurso de Donald Trump foi uma tentativa ambiciosa de moldar a opinião pública e fortalecer sua base eleitoral, combinando retórica impactante com a manipulação estratégica de dados. A performance, digna de um show televisivo, visa resgatar a aprovação popular e influenciar os resultados das eleições de novembro. Para mais análises aprofundadas sobre cenários políticos e econômicos, continue acompanhando nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Valor Econômico







