O uso da inteligência artificial em 2025 tem demonstrado uma evolução notável, segundo um estudo atualizado da Harvard Business Review. A pesquisa, que replica e aprofunda uma análise anterior sobre o emprego da IA generativa, revela uma transformação significativa nos padrões de interação das pessoas com essa tecnologia. O artigo original sobre o tema, publicado há um ano, tornou-se viral e gerou grande impacto, sublinhando a crescente curiosidade e a relevância prática da inteligência artificial no cotidiano.
Desde a publicação do levantamento inicial, o entusiasmo em torno da IA generativa e dos Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) intensificou-se dramaticamente. O interesse do público duplicou, os investimentos na área dispararam e governos ao redor do mundo têm adotado posturas cada vez mais definidas. Conforme observado por especialistas, os riscos e as expectativas em relação ao futuro da humanidade, moldado por essas tecnologias, atingiram níveis sem precedentes.
Uso da Inteligência Artificial em 2025: Estudo Revela Tendências
A necessidade de atualizar os dados tornou-se evidente para os editores da Harvard Business Review e os pesquisadores, dada a quantidade de avanços ocorridos nos últimos doze meses. Surgiram inovações como os GPTs personalizados, versões de IA adaptadas a requisitos específicos, e novos concorrentes no mercado, incluindo DeepSeek e Grok, que ampliam as opções disponíveis. O Google cativou milhões com seu gerador de podcasts, o NotebookLM, e a OpenAI introduziu múltiplos modelos recentes, prometendo uma interface unificada. A metodologia de “cadeia de pensamento” (chain-of-thought), em que a IA prioriza a profundidade em detrimento da velocidade para oferecer respostas mais precisas, revelando etapas intermediárias do raciocínio, também ganhou destaque.
A interação com a inteligência artificial foi aprimorada com a chegada dos comandos de voz, que permitem, por exemplo, a utilização da IA generativa enquanto se dirige. Concomitantemente, os custos associados a essas tecnologias foram reduzidos de maneira substancial, facilitando o acesso durante o último ano de intensas inovações. A motivação por trás desta nova edição do estudo permanece a mesma: inspirar o uso eficaz da tecnologia. Ao observar outros utilizando a IA de forma produtiva e vantajosa, as pessoas são incentivadas a seguir o exemplo, uma dinâmica que relações públicas e avanços tecnológicos por si só não conseguem replicar.
A compilação de casos de uso concretos tem como objetivo principal aumentar a conscientização e acelerar a adoção das diversas aplicações positivas e benéficas da IA generativa. Para este levantamento, a metodologia empregada seguiu os passos do ano anterior, mas com uma análise de dados ampliada e focada nos últimos doze meses. Foram examinados fóruns online, como Reddit e Quora, além de artigos que detalhavam aplicações explícitas e específicas da tecnologia. O Reddit, em particular, novamente se destacou por fornecer os insights mais ricos, possivelmente devido à natureza pseudônima de suas discussões. Os pesquisadores leram pessoalmente e categorizaram cada postagem relevante, culminando na identificação dos 100 principais casos de uso.
Novas Prioridades: Terapia e Organização Pessoal Lideram
O Relatório dos 100 Principais Casos de Uso de IA Generativa de 2025 apresenta os principais aplicativos em destaque no ano, classificados pela utilidade percebida e pela escala de impacto, avaliados qualitativamente por especialistas. Cada caso é acompanhado por uma ou várias citações que ilustram sua aplicação prática. Um dos destaques é a ascensão da Terapia, que agora ocupa a primeira posição como principal caso de uso. Outras duas novas entradas no top 5 são “Organizar minha vida” e “Encontrar propósito”. Essa mudança indica um foco crescente em esforços de autoatualização, assinalando uma transição de aplicações predominantemente técnicas para aquelas com uma dimensão mais emocional, em comparação com o ano anterior.
O tema “Suporte pessoal e profissional” emergiu como o maior, ocupando uma parcela significativa do espaço que antes era dominado por assistência técnica e resolução de problemas. Este ano, o relatório inclui exemplos do top 100 com citações que oferecem insights claros sobre como as pessoas estão incorporando a tecnologia em suas vidas. Veja alguns destaques:
- Terapia/Companhia (#1): A assistência em saúde mental é um desafio global. Um depoimento de um usuário sul-africano exemplifica essa urgência: “Na África do Sul, a carência de suporte em saúde mental é crítica, com apenas um psicólogo para 100 mil e um psiquiatra para 300 mil habitantes. Os LLMs, por sua vez, são amplamente acessíveis e representam uma ferramenta de apoio. Em cenários de saúde em declínio e luta pela sobrevivência diária, a segurança dos dados se torna uma preocupação secundária.”
- Organizando minha vida (#2): A IA auxilia na gestão do tempo e das tarefas. “Acabei de pedir para criar uma linha do tempo para eu limpar e organizar minha casa antes que tenhamos hóspedes.”
- Aprendizado aprimorado (#4): A tecnologia serve como um guia de estudos. “Estou fazendo um curso online para aprender análise de dados sozinho e uso o ChatGPT como guia de estudos para explicar algumas coisas que o curso meio que passa por cima, e então adiciono isso às minhas anotações. Isso me ajuda a reforçar o que estou aprendendo, e tem sido muito útil até agora.”
- Vida mais saudável (#10): Simplificando rotinas de bem-estar. “Comecei uma nova dieta, e calcular os macros com planilhas de planejadores de refeição online estava me deixando louco. Agora só peço receitas com meus macros por refeição e levo essa lista para as compras. Depois uso a air fryer e a panela de arroz — simples assim.”
- Montando um roteiro de viagem (#24): Planejamento personalizado e eficiente. “Pedi ao ChatGPT um roteiro completo de férias com muitos detalhes, como lugares rústicos para comer e ficar, coisas importantes para ver e joias escondidas, minimizando tempo de direção. O resultado foi perfeito.”
- Contestando uma multa (#83): Auxílio em questões burocráticas. “Recebi um aviso de multa por entrar em uma faixa de ônibus. O município queria 80 libras (R$ 565) por algo que durou uns 20 segundos, se tanto. Pedi ao ChatGPT que escrevesse uma apelação e hoje recebi a carta dizendo que a multa foi cancelada. Obrigado, IA, porque provavelmente eu teria só pago a multa se tivesse que escrever uma carta longa e chata de apelação.”
A IA como Suporte Emocional e Ferramenta Profissional
Cada vez mais, os LLMs são empregados para auxiliar na busca por propósito e no aprimoramento pessoal. A categoria de Terapia e Companhia, agora em primeiro lugar, abrange dois usos interligados: a terapia como apoio estruturado para desafios psicológicos e a companhia como conexão social e emocional contínua, por vezes com uma dimensão romântica. Ambos atendem a uma necessidade humana fundamental por conexão e suporte. Muitos usuários relataram que a terapia com modelos de IA os ajudou a processar luto ou trauma. As vantagens são claras: disponibilidade 24 horas por dia, 7 dias por semana; custo acessível (frequentemente gratuito); e ausência de julgamento humano. Esse fenômeno da IA como ferramenta terapêutica também foi observado na China, e pesquisas recentes sugerem que intervenções terapêuticas baseadas em IA já alcançaram um nível de sofisticação que as torna indistinguíveis das respostas humanas.
Serviços profissionais estão sendo transformados pela IA generativa, abrangendo desde terapia e aconselhamento médico até consultoria jurídica, orientação fiscal e desenvolvimento de software. Na EY, essa mudança já está em curso. Simon Brown, Líder Global de Aprendizagem e Desenvolvimento da EY, explicou que a organização está capacitando quase 400 mil colaboradores em habilidades de IA generativa para trabalharem com sistemas baseados em agentes específicos para cada setor, utilizando, por exemplo, 150 agentes de IA dedicados a tarefas fiscais. Esta transformação reflete o potencial da inteligência artificial para otimizar processos e liberar o capital humano para atividades mais estratégicas.
A categoria “Organizando minha vida” foi a segunda maior nova entrada na lista. Este uso envolve a aplicação de modelos de IA para que as pessoas se tornem mais conscientes de suas intenções, como a criação de hábitos diários, resoluções de Ano Novo e reflexões pessoais, além de encontrar maneiras simples de iniciar novos projetos. Essa prática é comum tanto em ambientes domésticos, com assinaturas pessoais de IA como ChatGPT, Claude e Perplexity, quanto no ambiente de trabalho, principalmente com o Microsoft Copilot. Jared Spataro, vice-presidente Corporativo de Trabalho Moderno e Aplicações de Negócios da Microsoft, ressaltou: “Um dos cenários mais atraentes de IA é como assistente pessoal no trabalho. Quando conectada a seus dados de trabalho — e-mails, mensagens, arquivos e reuniões —, a IA pode libertá-lo da burocracia e atuar como um parceiro de pensamento inestimável. Ela está permitindo que funcionários recuperem tempo e sejam mais produtivos e criativos.”
Outra entrada significativa é “Encontrar propósito”, que alcançou a terceira posição. Definir valores, superar bloqueios e dar passos rumo ao autodesenvolvimento — como aconselhar próximos passos, reformular problemas e auxiliar na manutenção do foco — são agora usos comuns dentro desta categoria. Em outras posições da lista, a IA também está auxiliando o lado mais sensível da experiência humana. As pessoas estão utilizando a tecnologia para estimular a confiança (#18), ter conversas profundas e significativas (#29), e até mesmo tentar interagir com pessoas falecidas (#33). Embora muitos especialistas esperassem que a IA se destacasse primeiro em tarefas técnicas, esta pesquisa sugere que ela pode ser igualmente, ou até mais, útil em dilemas e desejos humanos.
Debates e o Futuro da Interação Humano-Máquina
Apesar dos benefícios, há discussões sobre o impacto dos LLMs na capacidade de pensamento humano. Alguns usuários admitem ter se tornado excessivamente dependentes: “Definitivamente estou ficando mais dependente. Em vez de usar meu cérebro para uma tarefa complexa, estou recorrendo ao GPT.” Por outro lado, a capacidade da tecnologia de ampliar o pensamento e o aprendizado é amplamente reconhecida e celebrada: “Se você não usar como ferramenta de aprendizado, destruirá sua progressão de carreira e ficará estagnado e limitado no conhecimento.”
Essa preocupação se manifestou de forma ainda mais explícita em relação aos jovens. Muitos expressaram temores sobre o impacto da IA no ensino superior (#23), em um mundo onde redações impecáveis podem ser geradas sob demanda e em segundos. Pais também se preocupam com o efeito da IA generativa no desenvolvimento educacional de crianças menores (#41), visto que os modelos podem resolver instantaneamente muitas tarefas escolares. No entanto, a IA generativa também pode ser um aliado, permitindo um pensamento mais profundo, claro e com menos receios. Allie Miller, consultora de IA para empresas Fortune 500, comentou sobre os casos de uso: “Nosso melhor trabalho surge quando temos segurança psicológica — por que seria diferente trabalhando com IA? A ausência de julgamento e a liberdade de explorar fazem dela o playground ideal para grandes sonhos, perguntas potencialmente embaraçosas ou objetivos nebulosos e mal formados. O mais interessante é o que esses casos de uso representam: um futuro onde o custo de transformar uma ideia em ação — seja um novo site ou uma transformação pessoal — se aproxima de zero.”
Em 2025, os usuários de IA generativa demonstram uma compreensão mais aprofundada, e um certo ceticismo, sobre a tecnologia, seus criadores e seu ecossistema. Uma crítica comum e cínica tem sido a suposta “correção política” dos LLMs, algo que se tornou mais evidente durante o ano eleitoral nos EUA. Um usuário chegou a cancelar sua assinatura por essa razão: “Cancelei minha assinatura por esse motivo. Não quero apoiar uma ferramenta que tenta tornar o mundo mais tímido e puritano.” A privacidade de dados também surgiu repetidamente como uma preocupação, com o entusiasmo pela IA confrontado por alertas sobre o uso que as Big Tech fariam dos dados coletados. A isso, respondia-se com a clássica citação do Reddit: “Tarde demais: meu banco tem meus dados, minhas operadoras têm, Google tem, Bing tem, T-Mobile tem, meu dentista e meu médico têm inspire: mensagens, e-mails, fotos, vídeos, histórico de localização, senhas salvas, redes sociais, lembretes, listas de compras, métodos de pagamento até meus pedidos de comida têm minhas informações pessoais.” Ironicamente, outra reclamação comum era que os LLMs não possuem memória suficiente sobre seus usuários: “Acho insano impor tais limitações rigorosas de armazenamento de memória.”
Como esperado, os usuários parecem entender melhor o funcionamento dos modelos. Mais pessoas reconhecem que, para a IA ser verdadeiramente útil, é preciso ter clareza sobre as intenções: “Claro que só é útil quando eu já sei o que quero fazer.” Os prompts utilizados também apresentaram melhorias significativas, muitas vezes com o auxílio explícito da própria IA para sua estruturação. No entanto, fóruns públicos online continuam a ser um terreno fértil para opiniões polarizadas. Enquanto alguns declaram a IA como “A invenção mais INCRÍVEL — não acredito que existam pessoas que não usam”, outros afirmam: “Não consigo pensar em nada de bom que essa tecnologia possa trazer”, ou ainda “Não consigo pensar em um único caso de uso que não seja malicioso.”
Fóruns online sempre foram espaços para especulações diversas. A maioria das previsões aponta para cenários extremos: desastre total ou benefício incomparável. Uma previsão recorrente, mais equilibrada, é o desejo de ver os LLMs evoluírem de conselheiros para agentes, ou seja, de informar para agir. Por exemplo: “Quero um modelo que simplesmente cancele esta assinatura antes que comecem a me cobrar.” Marc Zao-Sanders, cofundador da filtered.com e autor, que lidera a iniciativa de pesquisa “AI in the Wild”, fez a previsão, considerada segura, de que a IA continuará evoluindo, assim como seu uso. Essa mesma previsão é reiterada para 2026, indicando um caminho contínuo de adaptação e inovação.
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Em suma, o estudo sobre o uso da inteligência artificial em 2025 revela um cenário dinâmico onde a IA generativa transcende as aplicações técnicas, adentrando o domínio emocional e de autodesenvolvimento humano. Com terapia e organização pessoal no topo da lista, a tecnologia se solidifica como um parceiro no bem-estar e na produtividade, ao mesmo tempo em que gera debates importantes sobre dependência, privacidade e o impacto na educação. Para se aprofundar em análises sobre tecnologia e sociedade, continue explorando nossa editoria de Análises.
Crédito da imagem: 2025 Harvard Business Review. Distribuído pela New York Times Licensing







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