O mercado financeiro global iniciou a semana com a continuidade de movimentos marcantes, mas também apresentando indícios de possível exaustão em ativos-chave. No Brasil, o Ibovespa demonstrou vigor ao renovar recordes históricos, impulsionado por um robusto fluxo comprador e uma sequência de valorização. Paralelamente, o dólar futuro manteve sua trajetória de queda, uma tendência observada desde o final de 2024.
No cenário internacional, os índices Nasdaq e S&P 500 exibiram uma recuperação parcial após recentes correções, consolidando-se acima de patamares de suporte significativos e voltando a mirar seus picos históricos. Em contrapartida, o Bitcoin emergiu como o foco de maior atenção, quebrando o suporte de lateralização e perdendo a marca de US$ 100.000, aprofundando uma tendência de baixa que o levou a um desempenho negativo no acumulado do ano.
Análise de Mercados: Ibovespa, Nasdaq e Bitcoin em Destaque
Este panorama inicial sugere uma dinâmica complexa, onde a força de alguns ativos contrasta com a fragilidade de outros, exigindo uma compreensão aprofundada das variáveis que influenciam o comportamento dos investidores e a direção dos preços.
O Desempenho do Ibovespa e Seus Recordes
A análise do gráfico diário do Ibovespa (IBOV) revela uma tendência de alta claramente estabelecida, caracterizada pela sucessão de topos e fundos ascendentes e pela consistência dos preços acima das médias móveis, as quais permanecem com inclinação positiva. Recentemente, o índice brasileiro atingiu um novo recorde histórico, registrando 159.689 pontos, e encerrou a última sessão cotado a 159.072 pontos, com uma valorização de 0,45%. Essa performance sublinha a predominância dos compradores e a firme consolidação acima da barreira dos 150 mil pontos, evidenciando o forte interesse no mercado acionário nacional.
Apesar do ímpeto de alta, o Índice de Força Relativa (IFR), com período de 14 dias, alcançou 74,92 pontos, adentrando a zona de sobrecompra. Este patamar é frequentemente interpretado como um indicativo clássico de que uma correção técnica de curto prazo pode estar se aproximando, embora não haja sinais definitivos de uma reversão na tendência principal. Para que o IBOV continue sua escalada, será crucial superar novamente o nível de 159.689 pontos, o que abriria caminho para os próximos patamares de resistência em 160.251, 161.761, 163.696 e 166.775 pontos. Em contrapartida, para cenários de correções mais acentuadas, o gatilho seria a perda da mínima da sessão anterior e o rompimento das médias móveis, potencializando recuos em direção a 158.077, 155.910, 153.570, 152.367, 147.578 e 143.391 pontos. Para uma visão mais aprofundada sobre o histórico e a performance do principal índice da bolsa brasileira, é possível consultar os dados oficiais da B3.
O Dólar Futuro e a Persistência da Baixa
O contrato futuro do dólar continua em sua trajetória de baixa predominante, iniciada no final de 2024 e que já acumula uma desvalorização de 13,42% no ano de 2025. Na sessão mais recente, o ativo registrou novo recuo, permanecendo em negociação próximo às suas médias móveis, mas sem quebrar ainda os suportes críticos. A mínima do ano, estabelecida em 5.284,5 pontos, configura-se como um patamar crucial; a sua superação poderia intensificar a pressão vendedora sobre a moeda norte-americana no mercado brasileiro.
Com o Índice de Força Relativa (IFR) em 50,49 pontos para o período de 14 dias, o dólar futuro se encontra em uma zona neutra, indicando um equilíbrio entre forças compradoras e vendedoras no curto prazo. Para que o movimento de baixa ganhe força, o ativo precisará romper os níveis de 5.362 e 5.308,5 pontos, o que abriria caminho para os objetivos seguintes em 5.284,5, 5.251,5, 5.208, 5.127 e 5.087 pontos. Por outro lado, para uma eventual recuperação e retomada da valorização, o dólar necessitaria superar as resistências em 5.396 e 5.443,5 pontos, visando patamares como 5.560, 5.669,5 e 5.783,5 pontos.
Recuperação Sólida da Nasdaq no Cenário Internacional
Após um período de correção que levou o índice à marca de 23.850 pontos, a Nasdaq demonstrou uma recuperação vigorosa. O índice voltou a negociar acima de suas médias móveis, um sinal claro da entrada de forte pressão compradora, e agora foca novamente em seus picos anteriores. A última sessão foi concluída com um avanço de 0,78%, posicionando o índice em uma faixa decisiva para seus próximos movimentos. Embora o mês de novembro tenha registrado uma leve baixa de 1,64%, o desempenho acumulado em 2025 permanece positivo, com uma valorização de 21,05%, e o índice atualmente cotado a 25.434 pontos.
Para sustentar a tendência de alta, a Nasdaq terá que superar o nível de 25.434 pontos e, posteriormente, 25.750 pontos. Essa movimentação direcionaria o índice rumo ao seu topo histórico de 26.182 pontos, com projeções adicionais para 26.475 e 26.735 pontos. Contudo, se houver uma retomada da correção, o suporte crucial a ser observado está na faixa entre 25.131 e 24.432 pontos. A perda desse patamar abriria caminho para novas quedas, buscando suportes em 24.021/23.698 e, em uma extensão, para 23.279/22.959 pontos.
O S&P 500 em Rota de Recuperação Pós-Correção
O S&P 500, similarmente à Nasdaq, também exibe um movimento de recuperação após uma correção que encontrou um ponto de suporte em 6.521 pontos. O índice de referência do mercado americano voltou a ser negociado acima de suas médias móveis, agora com o objetivo de testar novamente seu topo histórico, que se situa em 6.920 pontos. O mês de novembro registrou uma modesta alta de 0,13%, e o desempenho acumulado em 2025 já representa uma valorização de 16,45%, com o índice atualmente em 6.849 pontos.
Para confirmar a continuidade da trajetória ascendente, o S&P 500 precisará romper o patamar de 6.870 pontos, visando o topo histórico de 6.920 e, em seguida, projetando-se para os níveis de 6.945 e 7.050 pontos. No entanto, caso a recuperação não se sustente, a região entre 6.770 e 6.740 pontos será o primeiro divisor de águas. Se este suporte for rompido, o fluxo vendedor poderá impulsionar o índice em direção a 6.521/6.416, com potencial de estender a queda para 6.343/6.296 pontos.
Bitcoin Sob Pressão e a Perda dos US$ 100.000
O Bitcoin (BTC) se destacou como o ativo sob maior pressão durante a semana analisada. Após romper o suporte de sua faixa de lateralização, a criptomoeda mais valiosa do mercado quebrou também a barreira psicológica de US$ 100.000, intensificando sua tendência de baixa. Recentemente, o Bitcoin havia atingido uma nova máxima histórica em US$ 126.199. Contudo, agora registra uma queda superior a 17% em novembro e já acumula uma desvalorização de mais de 5% no ano, revertendo o desempenho positivo anterior.
Apesar das tentativas de estabilização, o BTC continua a ser negociado abaixo de suas médias móveis, necessitando de um aumento significativo no volume de compras para sinalizar uma possível recuperação. Para que a alta seja retomada, será preciso superar o patamar de US$ 93.160, com alvos subsequentes projetados em US$ 96.846, US$ 99.692, US$ 106.011 e US$ 111.592. Em um cenário de continuidade da queda, os suportes críticos a serem observados são US$ 89.228, US$ 84.740, US$ 80.734 e, em cenários mais extremos, US$ 74.508, US$ 68.775, US$ 65.260 e US$ 58.946.
Entendendo o Índice de Força Relativa (IFR)
O Índice de Força Relativa (IFR) é uma ferramenta essencial na análise técnica, utilizada para avaliar a velocidade e a mudança dos movimentos de preço. Esse indicador oscila em uma escala de 0 a 100, sendo comum a utilização de um período de 14 dias para seu cálculo. Valores abaixo ou próximos de 30 geralmente sinalizam uma condição de sobrevenda, indicando que um ativo pode estar excessivamente desvalorizado e, potencialmente, apresentar uma oportunidade de compra. Por outro lado, leituras acima ou próximas de 70 sugerem uma condição de sobrecompra, o que pode preceder uma correção técnica no preço do ativo. O IFR também possibilita a identificação de suportes, resistências, divergências e formações gráficas, fornecendo insights adicionais para a tomada de decisões no mercado financeiro.
As análises técnicas presentes neste artigo foram elaboradas por Rodrigo Paz, analista técnico, com base em dados fornecidos pelas plataformas Nelogica e TradingView, conforme indicado nas fontes originais.
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Em suma, a semana nos mercados globais foi marcada por contrastes: enquanto o Ibovespa reafirmou sua força com novos recordes e os índices Nasdaq e S&P 500 mostraram sinais de recuperação, o Bitcoin enfrentou intensa pressão vendedora. Essa dinâmica complexa, influenciada por fatores técnicos e de fluxo, exige monitoramento contínuo por parte dos investidores. Para aprofundar seus conhecimentos sobre o mercado e economia, continue explorando nossas análises e artigos em nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Fonte: Nelogica. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo Paz.






