As recentes ameaças de Donald Trump a Cuba repercutiram internacionalmente neste domingo, 11 de janeiro de 2026, gerando uma resposta imediata e contundente do presidente cubano, Miguel Diaz-Canel. Em suas publicações na rede social Truth Social, o ex-mandatário norte-americano direcionou severas advertências à ilha caribenha, focando na interrupção do fornecimento de petróleo que historicamente recebia da Venezuela e em supostas perdas de segurança relacionadas ao governo venezuelano.
As declarações de Trump assinalam uma escalada retórica nas tensões entre os Estados Unidos e Cuba, revivendo um cenário de pressões que marcou grande parte das relações bilaterais entre os dois países. A postura do ex-presidente americano enfatiza um endurecimento em relação à política externa, especialmente no que tange aos governos que considera adversários ou aliados de seus críticos.
Ameaças de Trump a Cuba: Diaz-Canel Reage Firmemente
Em sua primeira investida, Donald Trump afirmou categoricamente que Cuba não terá mais o petróleo que, por muitos anos, vinha sendo suprido pela Venezuela. Ele recordou um período em que a ilha se beneficiou de um vasto volume de petróleo e recursos financeiros oriundos do país sul-americano. Em contrapartida, Cuba, segundo Trump, fornecia “serviços de segurança para os dos últimos ditadores venezuelanos”. O ex-presidente sentenciou: “Agora isso acabou!”. A Venezuela, que era o maior fornecedor de petróleo para Cuba, teria interrompido abruptamente este serviço após o “sequestro de Maduro”, evento que teria ocorrido em 3 de janeiro.
As declarações de Trump não se limitaram à questão energética. Ele prosseguiu, afirmando que a maioria dos cubanos que integravam a segurança pessoal de Nicolás Maduro, o atual presidente da Venezuela, teriam sido mortos durante a operação que resultou no sequestro do líder venezuelano em 3 de janeiro. O ex-chefe de Estado americano ainda complementou, asseverando que a Venezuela agora conta com a proteção dos Estados Unidos, “a força militar mais poderosa do mundo (de longe!)”.
O teor das publicações de Trump no Truth Social culminou em um aviso direto e peremptório ao governo cubano. “Sugiro fortemente que eles façam um acordo antes que seja tarde demais”, declarou o ex-presidente, insinuando possíveis consequências caso Cuba não se alinhe às suas expectativas ou demandas. Essa mensagem pode ser interpretada como uma tentativa de forçar uma reorientação da política externa cubana ou de suas alianças regionais.
Reação Incisiva do Presidente Miguel Diaz-Canel
Em resposta às provocações de Donald Trump, o presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel, utilizou suas próprias redes sociais para reagir aos posts do mandatário norte-americano. Em uma série de mensagens firmes, Diaz-Canel reafirmou a soberania e a independência de seu país. “Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dirá o que fazer”, escreveu o líder cubano, rejeitando qualquer tipo de intervenção ou ditame externo.
Diaz-Canel também abordou a questão histórica das relações com os Estados Unidos, salientando a natureza defensiva da postura cubana. “Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos e ela não ameaça, ela se prepara para defender a Pátria até a última gota de sangue”, enfatizou o presidente, destacando o longo histórico de tensões e sanções impostas pelos Estados Unidos à ilha, que datam de mais de seis décadas. Esta postura reflete a resiliência e a determinação do povo cubano em face de pressões externas.
O presidente cubano foi além em sua argumentação, criticando aqueles que atribuem as dificuldades econômicas da revolução cubana a causas internas, ignorando o impacto das políticas americanas. Segundo Diaz-Canel, “quem culpa a revolução cubana pelas carências econômicas deveriam se calar por vergonha, porque sabem e reconhecem que elas são fruto das medidas de asfixia extrema que os EUA nos aplicam há seis décadas e que agora ameaçam superar”. Essa declaração aponta para o embargo econômico e as sanções como as principais causas dos desafios enfrentados pela população cubana, uma perspectiva amplamente defendida pelo governo de Havana e reconhecida por muitos observadores internacionais, como a Organização das Nações Unidas.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Histórico e Implicações das Sanções Americanas
As “medidas de asfixia extrema” mencionadas por Diaz-Canel referem-se principalmente ao embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba desde os anos 1960. Este embargo, um dos mais longos da história moderna, visa isolar economicamente a ilha e pressionar por mudanças em seu regime político. Ao longo das décadas, diversas administrações americanas, republicanas e democratas, mantiveram ou intensificaram essas sanções, com variações em períodos específicos, como a abertura promovida pela administração Obama e o subsequente recuo e endurecimento durante a gestão de Donald Trump.
A menção de Trump sobre o fim do fornecimento de petróleo venezuelano para Cuba é um ponto sensível, dada a dependência energética da ilha e a importância histórica da parceria com a Venezuela, consolidada durante os governos de Hugo Chávez e Fidel Castro. Essa aliança permitiu a Cuba mitigar os efeitos do embargo americano, trocando serviços médicos e de segurança por petróleo a preços subsidiados. O suposto corte abrupto, conforme mencionado por Trump, representaria um golpe significativo para a economia cubana, que já enfrenta desafios estruturais e a escassez de diversos produtos.
Posicionamento de Cuba Frente às Pressões Externas
Em sua arremetida final contra as declarações americanas, o presidente Miguel Diaz-Canel afirmou que os Estados Unidos “não têm moral nenhuma para apontar o dedo para Cuba, pois transformam tudo em negócio, até mesmo vidas humanas”. Essa crítica severa reflete a percepção cubana de que a política externa americana é movida por interesses econômicos e geopolíticos, em detrimento dos direitos humanos ou da soberania dos povos. O líder cubano concluiu que “aqueles que agora se revoltam histericamente contra nossa nação estão consumidos pela raiva da decisão soberana deste povo de escolher seu modelo político”.
Essa reação robusta de Cuba, através de seu presidente, sublinha a profunda divergência ideológica e política entre os dois países. A postura cubana é de defesa intransigente de sua soberania e de seu modelo político, rejeitando categoricamente qualquer tentativa de imposição externa. O incidente deste domingo, com as ameaças de Donald Trump e a resposta imediata de Miguel Diaz-Canel, reitera a persistência de um cenário de alta tensão nas relações entre Washington e Havana, um tema que frequentemente é objeto de análise por veículos de imprensa internacional. Para saber mais sobre as dinâmicas políticas na região, consulte relatórios de agências de notícias globais.
Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos
Em resumo, as ameaças proferidas por Donald Trump em sua plataforma social contra Cuba, focando no corte de petróleo venezuelano e na segurança de Maduro, provocaram uma forte e imediata reação do presidente cubano, Miguel Diaz-Canel. Ele reiterou a soberania de Cuba, criticou a histórica agressão e as sanções econômicas dos EUA, e defendeu o direito de seu povo de escolher seu próprio modelo político. Para se manter atualizado sobre os desdobramentos da política internacional e as relações entre nações, continue acompanhando as análises e notícias em nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR e REUTERS/Kevin Lamarque







