A Superintendência Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a compra da Linx pela Totvs, um movimento estratégico que fortalece a posição da gigante de tecnologia no mercado nacional. A Linx, conhecida por seus softwares voltados ao varejo, será agora incorporada pela Totvs, líder no segmento de software de gestão empresarial e uma das mais proeminentes companhias brasileiras de tecnologia. A decisão, embora já anunciada pela área técnica, aguarda um prazo de quinze dias para ser considerada definitiva, período em que concorrentes ou conselheiros ainda podem questionar a aprovação, garantindo a transparência e a conformidade regulatória do processo.
Esta aquisição representa um capítulo importante na história de rivalidade entre as duas empresas pelo controle da Linx. Em 2020, Totvs e Stone, uma credenciadora de cartões, disputaram a Linx, que foi finalmente vendida à Stone por um valor de R$ 6,7 bilhões. Posteriormente, em julho de 2025, a Totvs assinou um acordo para adquirir integralmente a Linx da Stone, por um montante de R$ 3,05 bilhões, concretizando sua ambição de incorporar a empresa de softwares de varejo.
Cade aprova compra da Linx pela Totvs: Entenda a decisão
A análise da área técnica do Cade foi minuciosa, focando nas potenciais implicações concorrenciais da fusão. Um dos pontos centrais da avaliação foi o fato de a Totvs, através de sua unidade Totvs Techfin, também atuar no segmento de serviços financeiros. A Techfin oferece uma gama de soluções financeiras, incluindo produtos e serviços de crédito e pagamentos. No entanto, o parecer da Superintendência concluiu que não existem sobreposições diretas ou significativas entre as atividades desempenhadas pela Techfin e as operações da Linx.
A investigação aprofundou-se na relação entre os diferentes braços das companhias. Segundo a área técnica, não foram identificadas integrações verticais, aquelas que ocorrem em diferentes estágios da cadeia produtiva, entre a Techfin e os softwares de gestão empresarial. Em vez disso, foi apontada uma relação de complementaridade entre a oferta de crédito da Techfin e os softwares de gestão empresarial desenvolvidos pela Linx. Essa complementaridade significa que as soluções financeiras da Totvs poderiam enriquecer a experiência dos clientes que utilizam os sistemas da Linx, sem gerar concorrência predatória ou fechamento de mercado.
A preocupação com um possível fechamento de mercado, que poderia surgir de uma integração entre os produtos de crédito e Pix da Techfin e os softwares da Linx, foi cuidadosamente examinada. Os técnicos do Cade consideraram que essa possibilidade é remota, dada a participação mínima da Techfin no mercado de oferta de crédito de livre utilização para pessoas jurídicas, de crédito consignado para pessoas físicas, e de pagamentos via Pix. Essa baixa representatividade minimiza o risco de que a Totvs pudesse usar a Linx para direcionar indevidamente clientes para seus serviços financeiros em detrimento de outros concorrentes.
Além disso, o parecer destacou que os softwares de gestão da Totvs não são os únicos canais disponíveis para clientes que buscam adquirir crédito ou realizar pagamentos via Pix. Isso significa que, mesmo com a aquisição da Linx, o mercado continuaria oferecendo diversas alternativas para os usuários, prevenindo a formação de monopólios ou a restrição da escolha do consumidor. É importante ressaltar que a operação analisada pelo Cade abrange exclusivamente os produtos de software da Linx, não incluindo atividades de pagamentos diretas no escopo da aquisição.
Para complementar a análise, a área técnica realizou um teste de mercado abrangente. Este teste revelou que, nos últimos cinco anos, várias novas empresas ingressaram no mercado de software de gestão empresarial, indicando uma dinâmica de concorrência saudável e a ausência de barreiras intransponíveis para novos entrantes. Especialistas do setor, consultados no parecer, apontaram que a adoção de tecnologias emergentes como Inteligência Artificial (IA), soluções de código aberto (open source) e computação em nuvem tem facilitado essa entrada de novos players.

Imagem: valor.globo.com
As barreiras de entrada, conforme relatado pelos concorrentes, são consideradas as dificuldades inerentes a qualquer negócio já estabelecido no território nacional, e não obstáculos criados pela operação entre Totvs e Linx. A maioria dos concorrentes e clientes consultados durante o processo de análise expressou a percepção de que há um elevado grau de concorrência no mercado de software de gestão empresarial. Eles também apontaram a existência de diversas alternativas aos serviços atualmente oferecidos tanto pela Linx quanto pela Totvs, reforçando a ideia de um mercado vibrante e disputado. Ademais, a maioria dos clientes ouvidos não acredita que a aquisição trará impactos negativos significativos ao funcionamento da concorrência no mercado.
O parecer do Cade reforça o compromisso do órgão com a manutenção de um ambiente de livre concorrência, avaliando cuidadosamente cada fusão e aquisição para garantir que não haja prejuízos ao consumidor ou à inovação. A aprovação da compra da Linx pela Totvs reflete a conclusão de que esta operação, sob as condições apresentadas, não representa ameaça à competitividade do setor, podendo, inclusive, impulsionar o desenvolvimento de novas soluções e serviços para o mercado de varejo e gestão empresarial brasileiro. Para entender mais sobre a atuação do Cade em fusões e aquisições, você pode consultar informações detalhadas sobre a atuação do órgão em operações de mercado no Valor Econômico.
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A aprovação da compra da Linx pela Totvs pela área técnica do Cade marca um ponto de virada significativo no cenário de tecnologia para o varejo no Brasil. Com a formalização desta decisão em breve, o mercado deverá observar as sinergias e inovações que surgirão da união dessas duas gigantes. Continue acompanhando as últimas notícias e análises sobre economia e o mercado de tecnologia em nossa editoria de Economia.
Foto: Divulgação/TOTVS







