O FMI insta Japão a elevar juros e a resistir a qualquer flexibilização adicional da política fiscal, conforme um recente alerta da organização multilateral. A recomendação do Fundo Monetário Internacional (FMI) enfatiza que a diminuição do imposto sobre o consumo poderia comprometer a capacidade do país de reagir a futuras adversidades econômicas, gerando fragilidade fiscal em momentos críticos.
Este posicionamento do FMI ganha destaque em um cenário onde a recente e expressiva vitória da primeira-ministra Sanae Takaichi nas eleições acende o debate no mercado sobre a resiliência do Banco do Japão (BoJ) frente a novas elevações nas taxas de juros. A própria Takaichi havia sinalizado a intenção de suspender o imposto de 8% sobre o consumo de alimentos por um período de dois anos, uma promessa que agora é diretamente confrontada pelas advertências do Fundo, que vê na medida um risco à estabilidade econômica.
FMI Insta Japão a Elevar Juros e Manter Imposto Sobre Vendas
Em sua recomendação preliminar de política monetária para o Japão, divulgada na última quarta-feira, o FMI sublinhou a relevância da “independência e credibilidade contínuas” do Banco do Japão. Segundo a entidade, essas características são cruciais para assegurar que as expectativas de inflação permaneçam firmemente ancoradas, ao mesmo tempo em que desaconselha o governo japonês de intervir excessivamente na condução da política monetária do país. A organização destaca que a autonomia do BoJ é um pilar para a previsibilidade e confiança do mercado.
A Trajetória da Política Monetária Japonesa
A organização multilateral afirmou categoricamente que o Banco do Japão está agindo de forma apropriada ao retirar o estímulo monetário implementado anteriormente. O Fundo argumenta que “os aumentos graduais devem continuar a levar a taxa básica de juros em direção à neutralidade”, indicando um caminho claro para a normalização monetária. Para mais informações sobre as avaliações econômicas do FMI sobre o país, consulte a página oficial do Fundo Monetário Internacional sobre o Japão. O próprio Banco do Japão corrobora essa visão, projetando que “a retirada das medidas de acomodação da política monetária deve prosseguir para que a taxa básica de juros atinja um patamar neutro em 2027”, desde que as projeções de referência atuais se materializem e os indicadores econômicos evoluam conforme o esperado.
A história recente do BoJ demonstra essa transição. Em 2024, o Banco do Japão encerrou um programa de estímulo monetário de proporções massivas, marcando um ponto de virada significativo em sua política. Desde então, as taxas de juros foram elevadas em diversas ocasiões, culminando em dezembro do ano passado com a elevação da taxa básica para 0,75%, o patamar mais alto registrado em 30 anos. Com a inflação persistentemente acima da meta de 2% por quase quatro anos consecutivos, o Banco do Japão tem reiterado sua disposição em seguir com o ciclo de aperto monetário, buscando restaurar a estabilidade de preços no longo prazo.
Impactos das Elevações de Juros e Propostas Fiscais
Os custos de empréstimos mais elevados, resultantes das decisões do Banco do Japão, representam um desafio complexo para os planos da primeira-ministra Takaichi de cortes de impostos e aumento de gastos. As propostas da premiê já haviam gerado turbulência nos mercados no final do ano passado, provocando uma onda de vendas de títulos e do iene, motivada por preocupações crescentes com a deterioração das finanças públicas japonesas e o impacto potencial na sustentabilidade da dívida.
O FMI é enfático ao recomendar que o Japão se abstenha de reduzir o imposto sobre o consumo. A justificativa é que tal medida “corroeria o espaço fiscal e aumentaria os riscos fiscais” para o país, dificultando a capacidade do governo de investir ou responder a crises futuras. Embora a restrição do corte de impostos a bens essenciais e a garantia de sua natureza temporária possam atenuar alguns custos fiscais, o Fundo ressalta que o Japão necessita imperativamente de contenção fiscal para preservar a estabilidade em seus mercados de títulos e manter a confiança dos investidores.
Dívida Pública e Estabilidade Fiscal
“A política fiscal de curto prazo deve evitar um afrouxamento ainda maior”, alertou o FMI, defendendo a implementação de um quadro fiscal de médio prazo que seja crível e que possua uma “âncora fiscal claramente definida”. A organização externa seus temores sobre os “níveis elevados e persistentes de endividamento, juntamente com a deterioração do equilíbrio fiscal”, que tornam a economia japonesa vulnerável a uma série de choques econômicos inesperados, exigindo cautela na gestão das finanças públicas.

Imagem: Samuel Corum via valor.globo.com
Projeções do Fundo indicam que as taxas de juros no Japão deverão dobrar entre 2025 e 2031, um cenário que se materializará à medida que a dívida pública for refinanciada com rendimentos mais elevados, aumentando o custo do serviço da dívida. Atualmente, aproximadamente um quarto das despesas totais do Japão é financiado por dívida, e cerca de metade dessa dívida é detida pelo próprio Banco do Japão, um legado de anos de intensa impressão de dinheiro destinada a reaquecer a economia nipônica e combater a deflação persistente.
À medida que o Banco do Japão progressivamente diminui suas aquisições de títulos e reduz o tamanho de seu balanço patrimonial, o FMI aconselha que o governo japonês e o BoJ monitorem de perto a liquidez do mercado financeiro e as alterações na demanda dos investidores. Caso uma volatilidade acentuada venha a prejudicar a liquidez, o Banco do Japão deverá estar pronto para efetuar “intervenções excepcionais e direcionadas”, exemplificadas por operações emergenciais de compra de títulos, conforme a conclusão do relatório do FMI, para mitigar quaisquer impactos negativos no sistema financeiro.
Regime Cambial e Resiliência Econômica
Em relação às oscilações do iene no mercado internacional, o FMI saudou o “compromisso contínuo das autoridades com um regime cambial flexível”. O Fundo reitera que a flexibilidade cambial é um pilar importante que deve “ajudar a absorver choques externos e apoiar o foco da política monetária na estabilidade de preços”, garantindo uma maior resiliência econômica ao país diante das dinâmicas globais e das pressões externas que podem surgir.
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Em resumo, o Fundo Monetário Internacional apresenta uma clara diretriz para a política econômica japonesa, enfatizando a necessidade de continuar o aperto monetário através da elevação de juros e a prudência fiscal, evitando a redução do imposto sobre vendas. Essas medidas são vistas como essenciais para garantir a estabilidade macroeconômica e a capacidade de resposta do Japão a futuros desafios econômicos, mantendo a credibilidade das instituições financeiras. Para aprofundar-se nas análises sobre a economia global e as políticas fiscais de países desenvolvidos, continue acompanhando nossa editoria de Economia.
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