Na quarta-feira, 18 de fevereiro, o Congresso do Peru escolheu José Balcázar (Peru Livre) como o novo presidente interino do Peru. A decisão, que ocorreu um dia após a destituição do então presidente José Jerí, estabelece que Balcázar governará o país até 28 de julho. Esta nomeação é mais um capítulo na prolongada crise política que tem caracterizado a nação andina nos últimos anos, marcando a nona troca de comando na Casa de Pizarro desde 2016.
A eleição de Balcázar se deu com 60 votos a seu favor, superando María del Carmen Avila, que obteve 46 votos. Com essa vitória, Balcázar assume não apenas a liderança do Congresso, mas também a Presidência da República, cargo que havia permanecido vago por 24 horas após a remoção de Jerí. A votação foi para o segundo turno, após Ávila ter ficado com apenas três votos a menos que Balcázar na primeira consulta. O esquerdista Edgar Reymundo (Juntos pelo Peru) e o conservador Héctor Acuña (Aliança pelo Progresso) também se candidataram, mas Reymundo se retirou no segundo turno, alegando que os principais candidatos estavam dividindo ministérios em troca de apoio.
José Balcázar: Congresso do Peru elege novo presidente interino
Nascido em Nanoch, José Balcázar é um respeitado advogado e professor. Sua trajetória profissional inclui passagens como membro do Tribunal Superior de Lambayeque e juiz do Supremo Tribunal. Em 2021, foi eleito para o Congresso pelo partido Peru Livre, a mesma legenda que levou Pedro Castillo à Presidência naquele mesmo ano. Castillo, que atualmente cumpre pena por uma tentativa de autogolpe, pode ver suas chances de indulto aumentarem com a ascensão de Balcázar ao poder. No entanto, o novo líder interino já enfrentou controvérsias devido a declarações passadas sobre o casamento infantil, as quais ele posteriormente afirmou terem sido mal interpretadas.
A recente turbulência reflete um padrão de instabilidade no Peru. O ex-presidente José Jerí, com 39 anos, havia assumido o cargo em outubro, substituindo Dina Boluarte, que também foi destituída por “incapacidade de governar”. Jerí, inicialmente visto como um bom candidato pelo Congresso, foi rapidamente afastado por “má conduta e falta de idoneidade”. Ele estava sob investigação por tráfico de influência, com destaque para um encontro com um empresário chinês e sua suposta intervenção em contratações de nove mulheres. Jerí se despediu do cargo através de um vídeo no TikTok, onde agradeceu aos cidadãos e assegurou que continuaria trabalhando pelo país como legislador.
A “incapacidade moral” é um dispositivo constitucional peruano frequentemente utilizado pelo Congresso para remover presidentes que perdem o apoio parlamentar. Este mecanismo permite que o Parlamento debata ações ou acusações contra altas autoridades. Para sua aprovação, é necessário o voto da metade mais um dos membros do Congresso. José Jerí enfrentava sete pedidos de censura, impulsionados tanto pela oposição de esquerda quanto por um bloco de partidos de direita, evidenciando a fragilidade de sua posição política.
A crise institucional no Peru tem sido uma constante, com um Congresso que detém consideráveis poderes e um Executivo frequentemente enfraquecido. Desde 2016, dos sete presidentes que ocuparam o cargo, quatro foram destituídos e dois renunciaram antes de serem afastados, culminando em nove políticos que passaram pela Casa de Pizarro neste período. Como afirmou o jornalista Sebastián Ortíz em uma transmissão do jornal El Comercio, “Viramos um meme internacional, mesmo em uma região conturbada, como a América Latina, o Peru se destaca pela troca de presidentes”.
Um olhar sobre os chefes de Estado peruanos desde 2016 ilustra essa cronologia de instabilidade. Ollanta Humala (jul.11-jul.16) foi o último a concluir seu mandato. Em seguida, Pedro Pablo Kuczynski (jul.16-mar.18), eleito em 2016, renunciou em meio a denúncias de corrupção. Seu vice, Martín Vizcarra (mar.18-nov.20), foi destituído pelo Congresso, também por acusações de corrupção. A sequência viu Manuel Arturo Merino (10.nov.20-15.nov.20), então presidente do Congresso, renunciar por falta de apoio, e Francisco Sagasti (nov.20-jul.21) assumir para completar o mandato. O ciclo continuou com Pedro Castillo (jul.21-dez.22), eleito em 2021 e destituído após uma tentativa de autogolpe. Sua vice, Dina Boluarte (dez.22-out.25), foi deposta por “incapacidade moral”, abrindo caminho para José Jerí (out.25-fev.26), que presidia o Congresso e foi deposto por “má conduta”. Agora, José María Balcázar (desde 18.fev.26) assume com a missão de completar o mandato até julho.
Apesar de toda a efervescência política, a economia social de mercado do Peru demonstra notável resiliência. A moeda local mantém-se como uma das mais fortes da América Latina, e a inflação tem sido controlada. Contudo, o país enfrenta desafios estruturais significativos, como a informalidade no mercado de trabalho, que afeta cerca de 70% dos peruanos, deixando-os sem as devidas proteções legais. A comunidade internacional acompanha de perto a situação, e a complexa dinâmica política peruana continua a ser um tema de profunda análise. Para aprofundar a compreensão sobre os desafios políticos na região, você pode ler mais sobre a crise política no Peru e a luta pelo poder em outras análises. Um bom recurso externo sobre a instabilidade política na região pode ser encontrado na BBC News Brasil.
O governo interino de Jerí havia iniciado com a promessa de estabilidade e transparência para as próximas eleições, mas a atual crise pode impactar negativamente os partidos que o apoiaram. Mais de 30 candidatos estão na corrida para o comando do país em 12 de abril, porém, nem José Jerí nem José Balcázar poderão se candidatar, marcando uma renovação forçada no cenário político.
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A eleição de José Balcázar como presidente interino do Peru ressalta a contínua instabilidade política do país. Acompanhe as atualizações e análises detalhadas sobre a política latino-americana e outros temas relevantes em nossa editoria de Política para se manter informado sobre os desdobramentos futuros.
Crédito da imagem: Ruben Grandez/Congresso do Peru






