A base aliada do governo no Congresso Nacional apresentou, nesta sexta-feira (27 de março de 2026), um relatório alternativo à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Este documento, que se contrapõe ao parecer do relator Alfredo Gaspar (PL-AL), propõe o indiciamento de Jair Bolsonaro na CPMI do INSS, sob a acusação de ser o líder de uma alegada organização criminosa envolvida em fraudes relacionadas a descontos associativos da Previdência Social.
Além do ex-presidente, o relatório governista também solicita o indiciamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontando-o por participação em organização criminosa. O parecer detalha um total de 201 pessoas, cujos nomes são propostos para indiciamento direto ou encaminhados à Polícia Federal para aprofundamento das investigações, demonstrando a amplitude das apurações conduzidas pela comissão.
Base governista pede indiciamento de Bolsonaro na CPMI do INSS
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), membro ativo da CPMI, destacou que as modificações implementadas durante a gestão de Bolsonaro teriam criado um ambiente propício para que entidades associativas praticassem fraudes nos descontos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Pimenta detalhou que, a partir de 2019, o governo Bolsonaro editou portarias e decretos que progressivamente “abriram a possibilidade para que outras instituições e entidades pudessem fazer descontos de aposentados e pensionistas”, facilitando os esquemas investigados.
Do universo de 201 nomes mencionados no relatório, 130 são pedidos formais de indiciamento, envolvendo tanto agentes públicos quanto privados que estariam diretamente ligados às fraudes. Os 71 nomes restantes foram encaminhados à Polícia Federal para que as investigações sejam aprofundadas, abrangendo 62 pessoas físicas e nove pessoas jurídicas. Entre os indicados, figuram ex-ministros, políticos, servidores do próprio INSS, dirigentes de associações e assessores, evidenciando a diversidade de setores envolvidos nos alegados ilícitos.
O deputado Pimenta enfatizou que as conclusões do relatório são integralmente fundamentadas em documentos e provas robustas. “As pessoas que nós estamos propondo um indiciamento são pessoas em que nós individualizamos as condutas e conseguimos demonstrar de forma categórica os crimes que elas cometeram”, afirmou o parlamentar. Ele ressaltou ainda que não se trata de uma estratégia de indiciamentos em massa ou de uma tentativa de responsabilização com finalidade político-eleitoral, garantindo que cada caso foi analisado individualmente e com base em evidências concretas. Para mais informações sobre as operações do sistema previdenciário, consulte o site oficial do INSS.
Recomendações para Fortalecer a Previdência Social
Além das propostas de indiciamento, o relatório governista da CPMI do INSS apresenta uma série de recomendações legislativas visando combater futuras fraudes e proteger os beneficiários da Previdência Social. Nove proposições foram sugeridas, com o objetivo de enfrentar o assédio comercial direcionado a aposentados e pensionistas, blindar esses grupos contra práticas abusivas em operações de crédito consignado, frequentemente caracterizadas como venda casada de produtos ou serviços acessórios.
O documento propõe também projetos de lei para aprimorar a segurança e a proteção dos dados de aposentados e pensionistas, uma medida crucial em tempos de crescente digitalização e riscos cibernéticos. Outro ponto relevante é o combate à lavagem de dinheiro, com foco especial na atuação de escritórios de advocacia e contabilidade que possam ser utilizados para tais fins, entre outras iniciativas destinadas a modernizar e tornar mais seguros os processos relacionados à previdência.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Adicionalmente, o texto faz uma recomendação ao presidente do Congresso Nacional para que seja instituída uma comissão de juristas de alto nível. O propósito dessa comissão seria elaborar um pré-projeto de modernização da legislação que rege as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), buscando aprimorar seus mecanismos de funcionamento e aumentar sua eficácia na apuração de irregularidades.
Relatório Alternativo e Impasse na Votação
Os parlamentares da base governista sustentam que o relatório original, apresentado por Alfredo Gaspar, não dispõe de maioria de votos na Comissão. A expectativa é que, após a votação do parecer oficial, o presidente da CPMI coloque em pauta o relatório alternativo proposto pelos governistas para deliberação. “Tem vinte e poucos parlamentares que apoiam esse relatório e nós achamos que será uma irresponsabilidade do presidente da CPMI se ele não permitir que esta CPI tenha um relatório como resultado do trabalho que aqui foi realizado”, declarou Paulo Pimenta, ressaltando a importância de que o trabalho da comissão resulte em um documento que reflita as investigações.
Procurada pela Agência Brasil, a defesa de Flávio Bolsonaro se manifestou, afirmando que o relatório governista não passa de uma tentativa de desviar o foco e proteger o presidente Lula e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que foi citado no relatório de Alfredo Gaspar. A Agência Brasil também buscou um posicionamento da defesa de Jair Bolsonaro, mantendo o espaço aberto para quaisquer esclarecimentos. A edição desta matéria foi realizada por Aline Leal.
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Em suma, a apresentação do relatório alternativo pela base governista na CPMI do INSS marca um ponto crucial nas investigações sobre fraudes em descontos previdenciários, com propostas de indiciamento que alcançam figuras proeminentes da política nacional. A expectativa agora reside na tramitação e votação desses pareceres, que podem gerar desdobramentos significativos. Continue acompanhando as últimas notícias sobre política em nosso portal: Hora de Começar Política.
Crédito da imagem: Lula Marques/ Agência Brasil.







