Busca por Viagens em Julho Cresce 40% na Decolar

Economia

A busca por viagens em julho de 2026 demonstrou um crescimento expressivo, apesar de um cenário econômico desafiador com alto endividamento e renda sob pressão para muitos brasileiros. Dados exclusivos da Decolar, obtidos pelo InfoMoney, revelam uma mudança significativa nos padrões de consumo do turismo nacional. A plataforma registrou um aumento de 40% na procura por hospedagens para o período de férias de julho de 2026, comparado ao ano anterior.

Entre os destinos mais procurados, Gramado (RS) desponta como líder no segmento nacional, enquanto Santiago, no Chile, ocupa a primeira posição nas preferências internacionais. Roberto Rizo-Patrón, diretor comercial de produtos de destinos da Decolar, enfatiza a resiliência do consumidor brasileiro, que, mesmo com o orçamento mais apertado, mantém o desejo de viajar, optando agora por um planejamento mais detalhado e buscando experiências personalizadas.

Busca por Viagens em Julho Cresce 40% na Decolar

“Cada vez mais a gente vê que as pessoas viajam para ter experiências”, afirmou Rizo-Patrón em entrevista. Ele observa uma tendência crescente de roteiros especializados, como viagens gastronômicas, de vinhos ou café, e vivências culturais. Essa mudança de comportamento indica que o fator financeiro não eliminou a vontade de explorar novos lugares, mas transformou a dinâmica do consumo, impulsionando a busca por algo “diferente” e um planejamento mais cuidadoso.

As viagens dentro do Brasil continuam concentrando a maior parte das buscas e da demanda na Decolar. Contudo, o mercado internacional tem ganhado força, impulsionado pela desvalorização do dólar e pelo crescente interesse por destinos de inverno, como o Chile e a Argentina. Rizo-Patrón destaca um “crescimento consistente na procura por hospedagens” e um viajante mais engajado na experiência completa da viagem, combinando a estadia com atividades, passeios e vivências locais.

Uma análise do timing de compra revela outra transformação: enquanto as viagens para o exterior continuam sendo planejadas com antecedência, as viagens domésticas estão sendo decididas mais próximas à data de embarque. O executivo ressalta que as informações se referem a buscas na plataforma, e não a vendas concretizadas, mas manifesta confiança de que essa procura se converterá em compras, impactando positivamente a receita da empresa.

No ranking dos destinos nacionais mais procurados para as férias de julho de 2026 no site da Decolar, Gramado (RS) lidera, seguido por São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Foz do Iguaçu (PR). A lista inclui uma variedade de opções, abrangendo destinos de inverno, praias e centros urbanos. No Nordeste, cidades como Natal (RN), Fortaleza (CE), Maceió (AL), Salvador (BA), Porto de Galinhas (PE), João Pessoa (PB) e Recife (PE) reforçam a preferência por climas quentes durante o inverno brasileiro.

Para viagens internacionais, Santiago (Chile) assume a ponta, beneficiada pela temporada de neve. Na sequência, aparecem Orlando (EUA), Buenos Aires (Argentina), Bariloche (Argentina) e Paris (França). A pesquisa da Decolar também identificou forte interesse em destinos nos Estados Unidos, Caribe e Europa, com cidades como Nova York, Miami Beach, Cancún, Punta Cana, Roma, Lisboa, Barcelona, Londres e Amsterdã marcando presença nas buscas.

A companhia observa um movimento notável: a crescente procura por hospedagens sem a inclusão de passagens aéreas nos pacotes. “Cada vez mais a gente vê que as pessoas procuram somente a reserva do hotel”, pontuou Rizo-Patrón, atribuindo essa mudança ao encarecimento das passagens aéreas, diretamente ligado ao aumento nos preços dos combustíveis. Em abril, a Petrobras anunciou uma elevação de 55% no preço do querosene de aviação (QAV), uma consequência do aumento do petróleo após o início do conflito no Irã. Na ocasião, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) alertou para as “severas consequências” na oferta de serviços aéreos, e executivos do setor projetam um aumento de até 20% nos preços das passagens devido ao cenário global.

Além do custo das passagens, a preferência por reservar apenas a hospedagem sem o voo também se relaciona com o crescimento das viagens terrestres. Desde o início da pandemia, muitos brasileiros começaram a explorar o país de carro, redescobrindo destinos próximos. O executivo da Decolar confirma essa tendência, notando um incremento na procura por hotéis associados a viagens de ônibus ou automóvel, bem como por serviços complementares, como aluguel de carros e traslados. De acordo com o Índice Rodoviário ClickBus, calculado pela Fipe com base na maior plataforma de venda de passagens rodoviárias do país, enquanto as passagens de ônibus encareceram 7,5% nos últimos 12 meses encerrados em maio, o preço do diesel subiu 15,7% e as passagens aéreas, 23,2% no mesmo período.

Nesse contexto de transformação do mercado, a estratégia da Decolar está se adaptando para atender às novas demandas. A empresa tem investido massivamente no posicionamento de hotéis, buscando ser reconhecida não apenas como uma startup de viagens, mas como um “hub digital de viagens”, um ecossistema abrangente de serviços relacionados. Em um ambiente onde a renda está comprometida, a diversidade de meios de pagamento se torna um diferencial competitivo crucial. A possibilidade de parcelar a experiência completa — incluindo hospedagem, traslados e passeios — impulsiona as vendas. Rizo-Patrón afirmou que a Decolar tem ampliado investimentos em soluções financeiras, oferecendo modalidades de pré-pagamento e pagamento no destino, o que ele considera uma das grandes fortalezas do negócio.

Para mais informações sobre as tendências de consumo e o impacto da economia no setor de turismo, o Banco Central do Brasil oferece dados relevantes sobre o cenário financeiro nacional, que podem ser consultados em bcb.gov.br. Compreender o contexto macroeconômico é fundamental para analisar o comportamento do consumidor e as estratégias das empresas do setor.

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Este cenário de resiliência do desejo de viajar, apesar dos desafios econômicos, demonstra a adaptabilidade dos consumidores e das empresas do setor de turismo. A Decolar, ao se posicionar como um ecossistema de viagens e focar em soluções flexíveis, busca capitalizar sobre as novas dinâmicas do mercado. Para mais análises sobre o mercado de turismo e economia, continue acompanhando nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Divulgação

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