Fórum Melhor RH Innovation: Líderes Debatem o Futuro do RH

DP E RH

O 2º Fórum Melhor RH Innovation, intitulado “Aprender a pensar o novo”, teve início na última segunda-feira, 1º de junho, marcando o começo de uma série de discussões cruciais sobre o futuro da gestão de pessoas e as novas fronteiras da inovação. O evento online e gratuito reuniu especialistas de mercado para uma análise crítica dos movimentos inovadores, com foco em como as lideranças podem conduzir transformações conscientes, estratégicas e humanizadas, repensando práticas e questionando a simples automatização.

O encontro, que se estendeu até a terça-feira seguinte e terá uma versão presencial em 9 de junho, em São Paulo, representa uma iniciativa do ecossistema Melhor RH. Marcio Cardial, diretor do Cecom e publisher das Plataformas Melhor RH e Negócios da Comunicação, enfatizou na abertura que o Fórum Melhor RH Innovation surgiu da crença de que as melhores práticas devem ser compartilhadas. O objetivo é fornecer um ambiente para a geração de conteúdo e o compartilhamento de cases que impulsionem a evolução dos profissionais de empresas, promovendo um olhar crítico sobre a inovação no contexto da gestão de pessoas.

Fórum Melhor RH Innovation: Líderes Debatem o Futuro do RH

A proposta central do fórum é incitar uma reflexão aprofundada sobre o verdadeiro significado de inovar, desafiando a percepção de que a tecnologia por si só é a única via para a transformação. O evento convida à discussão de caminhos onde a mudança não é apenas inevitável, mas sim uma escolha deliberada e focada no elemento humano.

Clareza de Direção na Inovação do RH

O primeiro painel, intitulado “Aprender a pensar o novo – Clareza de direção e entendimento do presente como estratégia”, contou com a participação de Elizabeth Rodrigues, diretora de RH do Grupo Mendes; Kiko Campos, executivo de RH; e Tatiana Romero, diretora de RH e Sustentabilidade da Edenred. A discussão destacou a crescente aproximação do RH com a inovação, atuando como um direcionador estratégico para as empresas. Elizabeth Rodrigues ressaltou o papel do RH em guiar as organizações para onde a inovação é mais necessária.

Tatiana Romero salientou a interconexão entre inovação, inteligência artificial (IA) e gestão de pessoas. Para ela, o RH desempenha um papel essencial, pois a cultura organizacional é o cerne de toda essa transformação. Ela explicou que a inovação na Edenred não se restringe a uma única área, mas permeia toda a empresa, sendo uma responsabilidade coletiva. Complementando, Kiko Campos alertou que a tecnologia, por si só, não é suficiente se as pessoas não estiverem capacitadas para utilizá-la. A cultura da empresa deve estar preparada para diferentes tipos de inovação em RH. Elizabeth adicionou que a inovação pode ser simples e não se limita à IA, enfatizando a importância de entender as “dores” e oportunidades para promover uma melhoria contínua.

A Importância da Cultura na Transformação Digital e Inovação

O painel seguinte, “O futuro é de quem escolhe – Inovação está na qualidade e não velocidade”, teve a presença de Aline Carvalho, diretora de Gente, Gestão e Frota na Norsul, e Daniela Plesnik, Educadora e Chief Happiness Officer (CHO). Aline apresentou dados impactantes: 70% das transformações digitais falham, e o principal obstáculo não é a tecnologia, mas sim a cultura. Empresas que investem em cultura têm cinco vezes mais chances de sucesso. Ela também citou um estudo do MIT de 2025, que indica que pilotos de IA generativa não geraram impactos econômicos esperados devido a causas organizacionais, não tecnológicas.

Aline revelou que, embora apenas 40% das empresas utilizem IA, 70% dos funcionários já a empregam no dia a dia por conta própria. Um estudo do Google com 180 equipes reforçou que a segurança psicológica é o fator mais crítico para a performance, e que a forma como a equipe trabalha é mais relevante do que quem a compõe, desmistificando a figura do “líder herói”. As competências humanas mais valorizadas atualmente são pensamento crítico, resiliência, liderança e pensamento criativo. Daniela Plesnik corroborou, afirmando que a tecnologia sozinha não resolve, e que a dimensão humana muitas vezes é negligenciada em discussões sobre tecnologia, apesar de ser a “alma do negócio”. Ela pontuou que o Fórum Econômico Mundial já destaca habilidades que eram do futuro e agora são presentes, que são predominantemente humanas. É muito focado agora em autoconhecimento. Este é um pilar fundamental para a gestão de pessoas moderna.

Inclusão e Bem-Estar na Liderança

Com o tema “Progresso é cuidado coletivo – A mudança só é positiva quando inclui e impacta a todos”, o terceiro painel promoveu um diálogo estimulante com Gerson Ferreira, co-fundador e sócio da Vozco e Innoway; Leandro Figueira Neto, CEO da Axial; e Patrícia Rosado, VP de Pessoas e Cultura na Tupy. Leandro Figueira compartilhou um dado preocupante do Fuji Fórum, que indica esgotamento profissional da liderança média, com 40% dos líderes em estado de burnout devido ao excesso de demandas.

Patrícia Rosado interpretou isso como um descompasso entre a velocidade humana e a tecnológica, gerando uma grande pressão por novas habilidades, mas questionando o preparo das organizações para tal. Ela definiu uma cultura propícia à inovação em RH como uma cultura de inclusão. Embora a IA prometa maior produtividade, poucos discutem a “produtividade ansiosa”, o medo e a insegurança que a acompanham. Gerson Ferreira complementou, lembrando que a humanidade sempre lidou com incertezas, mas nas empresas, busca-se certezas. Ele enfatizou que as oportunidades residem nas incertezas, e a incapacidade de lidar com elas gera estresse, transformando a jornada da incerteza em uma oportunidade de evolução.

Liderando em Tempos Incertos: Estratégias e Competências

O tema das incertezas foi aprofundado no painel “Adaptação não é improvisação – As habilidades do futuro para liderar em tempos incertos”, com Fernanda Ramos, diretora de Recursos Humanos da Ford América do Sul; Sophia Ribeiro, diretora de RH na Nokia; e Tatiana Barrocal Porto, Executiva de RH. Fernanda Ramos apresentou o case da Ford, que, ao buscar uma transformação organizacional para se tornar uma empresa focada em tecnologia e transformação digital, criou uma jornada digital. Isso envolveu a contratação de profissionais com conhecimento específico e a capacitação dos colaboradores existentes. A empresa também implementou mentoria reversa, onde especialistas em tecnologia orientavam gestores, e trouxe CEOs de outras empresas de tecnologia para compartilhar experiências.

Tatiana Porto refletiu sobre como a IA transformará a forma de trabalhar, teoricamente liberando tempo, e o que se esperará das pessoas nesse futuro próximo. Sophia Ribeiro destacou a transformação da Nokia, que de celulose e celulares (até 2014) migrou para 5G, mas ainda lida com a percepção pública antiga. Ela ressaltou o descompasso entre a velocidade das mudanças e a capacidade de adaptação das organizações. A Nokia visa transformar tudo isso em uma grande IA para gerar aprendizado em uma sociedade de mudanças rápidas, exigindo que a liderança se adapte a novas competências e a uma nova cultura comercial para um crescimento sustentável. Este cenário sublinha a necessidade de uma transformação digital contínua.

Gerenciando a Interação Humana e a Inteligência Artificial

O painel “Como inovar sem assustar – Na disputa homem versus máquina, a polaridade afeta o otimismo” abordou a ambivalência da relação entre humanos e tecnologia. Os convidados foram Edna Rocha, VP de RH América do Sul na Sonepar; Marcelo Murilo da Silva, VP de Inovação na Benner; e Ricardo Burgos, VP de Pessoas e Segurança na Amil. Marcelo Murilo trouxe dados reveladores: muitos profissionais rejeitam a tecnologia e a inovação em RH, mas isso muitas vezes se deve à forma como as empresas gerenciam sua implementação. Pesquisas indicam que 75% dos profissionais já usam IA no trabalho, frequentemente sem o conhecimento da empresa, o que aponta para uma falta de alinhamento e narrativa clara sobre IA entre as lideranças.

Murilo argumentou que a IA é frequentemente usada para “cortar” funções, quando deveria ser utilizada para “podar”, otimizando o trabalho da equipe existente, em vez de reduzir o número de pessoas. Edna Rocha concordou, afirmando que a IA é uma ferramenta subutilizada, e o RH tem um papel crucial como agente de inovação para orientar seu uso com cuidado, e não com foco em cortes. A missão é fazer as pessoas entenderem que a IA não elimina empregos, mas contribui para automatizar tarefas operacionais, liberando os profissionais para atividades mais estratégicas e que exigem habilidades humanas.

Sustentabilidade das Iniciativas de Inovação

O último painel da segunda-feira, “Depois da decisão – Como manter a tração das iniciativas no dia a dia”, reuniu Douglas Almeida, executivo sênior de RH e Conselheiro Consultivo; Graziella Maso, diretora de Pessoas na Motiva; Mariana Ceripieri, diretora de Recursos Humanos na Siemens; e Paola Klee, CEO na YC-Your Career Future. Paola Klee ressaltou que as iniciativas de inovação nascem de uma ideia, mas sobrevivem na cultura, sendo, portanto, um desenvolvimento cultural. Ela identificou três aspectos que podem comprometer esses projetos: a prontidão das pessoas e culturas para a execução da inovação e o desenvolvimento de competências necessárias; a resistência da liderança, que exige acompanhamento não apenas das entregas, mas do comprometimento e engajamento; e a visão de curtíssimo prazo, que muitas vezes leva projetos de inovação ao fracasso.

Graziella Maso observou que as iniciativas perdem força após a decisão porque há uma expectativa irreal de que as mudanças ocorram apenas pelo direcionamento estratégico. O papel da liderança é fundamental nesse ponto de virada, pois decisões são tomadas em um ambiente protegido, mas a execução acontece em um ambiente competitivo. Mariana Ceripieri concluiu, enfatizando a necessidade de criar um ambiente de confiança para a inovação em RH florescer. Ela sugeriu que um comitê de inovação deve estar apto a remover obstáculos, mesmo que isso envolva conversas difíceis, e que os processos inovadores precisam ter cadência e rituais para se consolidarem.

O primeiro dia do Fórum Melhor RH Innovation demonstrou a complexidade e a urgência de repensar a gestão de pessoas em um mundo em constante transformação. As trocas de experiências e insights se estenderam até o dia seguinte, terça-feira, o último dia do evento online, prometendo ainda mais discussões relevantes.

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Em suma, o 2º Fórum Melhor RH Innovation “Aprender a pensar o novo” serviu como um palco essencial para líderes e especialistas discutirem os desafios e oportunidades da inovação em RH, reforçando que a verdadeira transformação passa pela cultura organizacional, pelo desenvolvimento humano e por uma abordagem consciente da tecnologia. As reflexões sobre IA, liderança e o bem-estar dos colaboradores apontam para um futuro do trabalho que exige mais resiliência, pensamento crítico e capacidade de adaptação. Mantenha-se atualizado sobre as principais tendências e análises de mercado acompanhando a editoria de Política do Hora de Começar, onde abordamos temas que impactam diretamente a sociedade e o universo corporativo.

Crédito da imagem: Divulgação

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