A questão dos fertilizantes ascendeu ao topo da agenda do chanceler brasileiro, Mauro Vieira, durante sua recente visita a Pequim. A viagem, realizada no início desta semana, foi motivada pela urgência imposta pelo fechamento do Estreito de Hormuz, consequência direta do conflito em curso entre Irã, Estados Unidos e Israel. A crise geopolítica resultou em um aumento significativo nos preços dos insumos agrícolas, gerando profunda preocupação entre os agricultores brasileiros, especialmente diante da iminência do plantio da safra de verão.
A escalada dos preços e a instabilidade nas rotas comerciais globais sublinham a vulnerabilidade do setor agrícola brasileiro. A dependência de fornecedores externos para fertilizantes tornou-se um ponto crítico para a segurança alimentar e a economia do país, exigindo uma resposta diplomática e estratégica imediata para assegurar o abastecimento e mitigar os impactos negativos sobre a produção nacional.
Este movimento de aproximação com a China para garantir o fornecimento de insumos reflete uma estratégia mais ampla adotada pelo governo brasileiro. A busca por novos parceiros visa intensificar a diversificação da base de fornecedores e reduzir a alta dependência de poucos países, um tema que Mauro Vieira já havia abordado em viagens anteriores ao Uzbequistão e Cazaquistão, realizadas em maio. Em Pequim, o objetivo central foi assegurar o abastecimento de fertilizantes antes da principal safra chinesa, prevenindo futuras elevações de preços que poderiam impactar o mercado global e, consequentemente, o Brasil.
Mauro Vieira em Pequim: Fertilizantes no Foco da Agenda
As discussões sobre os preços de fertilizantes e a garantia de suprimentos estiveram entre os tópicos mais relevantes nos encontros do chanceler com Han Zheng, vice-líder da China, e Wang Yi, seu homólogo chinês. A visita de Mauro Vieira à capital chinesa teve como destino oficial a 5ª edição do Diálogo Estratégico Global Brasil-China, um importante mecanismo de consulta política entre os ministros das Relações Exteriores dos dois países, estabelecido em 2014.
Impacto Econômico e Dependência Brasileira
Dados divulgados pelo Banco Mundial evidenciam a gravidade da situação: o preço dos fertilizantes registrou um aumento de 12% no primeiro trimestre de 2026, alcançando em abril o patamar mais elevado desde 2022. As projeções da instituição apontam para uma elevação de 30% até o final deste ano, um cenário que agrava a já delicada situação dos produtores agrícolas brasileiros. O Brasil demonstra uma elevada dependência da importação de fertilizantes, com 93% do total utilizado em 2025 proveniente de outros países, conforme dados governamentais compilados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Ureia e o Risco Geopolítico
Entre os produtos mais afetados pelos conflitos recentes, a ureia se destaca. Este fertilizante nitrogenado, essencial para culturas como milho, cana-de-açúcar e pastagens, é altamente dependente do gás natural, cujos preços também dispararam, gerando preocupação adicional no setor pecuário. Em 2025, a China foi o principal fornecedor do mercado brasileiro, respondendo por 26% do total importado, seguida pela Rússia, com 25% dos insumos.

Imagem: www1.folha.uol.com.br
A parceria com a China, embora vital para o abastecimento, apresenta seus próprios desafios. O governo brasileiro precisa gerenciar o risco de medidas de salvaguarda, uma vez que o país asiático possui um histórico de aplicar restrições às exportações. Tais medidas são frequentemente utilizadas como instrumento de segurança alimentar interna, visando à estabilização da oferta e demanda, e como resposta a instabilidades geopolíticas. Por exemplo, em 2021, quando a China enfrentava uma alta de preços, Pequim orientou as principais fabricantes de fertilizantes a priorizar o abastecimento interno, o que levou as empresas a anunciarem a suspensão de exportações. No mesmo ano, o regime implementou a exigência de certificados de inspeção para o envio de fertilizantes e insumos relacionados, uma medida interpretada como uma forma de restringir as vendas para outros mercados.
Relatos de fontes anônimas do setor, divulgados pelas agências Reuters e Bloomberg, indicam que, após a escalada do conflito no Irã, a China teria novamente imposto restrições às exportações de alguns tipos de fertilizantes e intensificado as inspeções alfandegárias. Diante desse cenário complexo, a CNA reitera que os custos gerados pelos conflitos estão impactando diretamente os produtores e ressalta a importância de o Brasil antecipar riscos, diversificar urgentemente seus fornecedores e fortalecer alternativas produtivas e tecnológicas internas.
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Em suma, a visita do chanceler Mauro Vieira a Pequim sublinha a criticidade da questão dos fertilizantes para o agronegócio brasileiro, impulsionada por instabilidades geopolíticas e a necessidade premente de diversificação. O Brasil, dependente da importação, busca estratégias para assegurar a estabilidade de preços e o abastecimento para suas safras. Para mais análises sobre como a economia global impacta o Brasil, continue acompanhando nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Yang Wenbin/Xinhua







