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Ministro: Brasil avalia nova compra de caças Gripen

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O Brasil está avaliando a possibilidade de uma nova aquisição de caças Gripen junto à Suécia, conforme comunicado pelo ministro da Defesa, José Múcio. A informação surge em meio a um cenário de fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países no setor de defesa aérea, visando aprimorar a capacidade de defesa e a soberania tecnológica brasileira.

A declaração do ministro ocorreu durante sua participação na cerimônia de entrega do primeiro caça Gripen F à Força Aérea Brasileira (FAB), realizada em Linköping, na Suécia. Este evento marca mais um passo significativo no programa de modernização da aviação militar brasileira, reforçando o compromisso com a aquisição de aeronaves de última geração.

A potencial expansão da frota representa um movimento estratégico para a defesa nacional e para o desenvolvimento industrial. O governo brasileiro demonstra interesse contínuo na tecnologia de ponta oferecida pela empresa sueca.

Ministro: Brasil avalia nova compra de caças Gripen

A FAB já possui um acordo vigente com a Saab, empresa sueca responsável pelo desenvolvimento e fabricação dos caças Gripen. Esse contrato, assinado em 2014, prevê a entrega de um total de 36 aeronaves até o ano de 2032, consolidando a presença da tecnologia sueca no espaço aéreo brasileiro. Deste montante, 28 unidades serão da série E, configuradas para um único assento, enquanto oito serão da série F, projetadas para dois assentos, oferecendo versatilidade operacional.

Negociações para Nova Frota e Centro de Tecnologia

Além das conversas sobre a aquisição de uma nova frota de caças, o Ministério da Defesa está articulando a implementação de um polo de tecnologia e desenvolvimento industrial focado em inteligência artificial (IA) da Saab em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Esta iniciativa sublinha a visão de longo prazo do Brasil em absorver e desenvolver capacidades tecnológicas avançadas internamente.

José Múcio enfatizou a importância dessa negociação, declarando: “Estamos aqui para isso [negociar nova frota]. Estamos tentando levar um centro de tecnologia da Saab para o Brasil, em São José dos Campos. Isso é muito importante. Vamos lançar sementes para o desenvolvimento de tecnologia da Saab no Brasil.” Tal afirmação reforça o caráter estratégico da parceria, que vai além da simples compra de equipamentos, visando a criação de um ecossistema de inovação.

A Saab já mantém um acordo de cooperação com o Brasil que viabiliza a partilha de informações e tecnologia de defesa sueca com a Embraer, gigante brasileira do setor aeronáutico. Em março, essa colaboração resultou na apresentação do primeiro caça Gripen E inteiramente produzido em território nacional, um marco para a indústria de defesa brasileira.

Com o lançamento oficial do Gripen F nesta terça-feira (2), o ministro José Múcio expressou a expectativa de que o Brasil possa, em um futuro próximo, desenvolver a capacidade de fabricar este novo modelo de aeronave sueca em seu próprio território. Esta projeção aponta para um aumento da autossuficiência e da expertise tecnológica do país no segmento de aviação de combate.

“Serão mais divisas para o Brasil. Não tenho dúvidas de que surgirão novas oportunidades de negócio para todo o continente americano”, declarou o ministro, destacando o potencial econômico e estratégico da produção nacional para o país e para a região.

Investimento Estratégico e Cronograma de Entregas

O orçamento do Ministério da Defesa prevê um investimento de R$ 2,1 bilhões destinados ao projeto de aquisição dos caças F-X2, conhecidos como F-39 Gripen. Desse montante, R$ 1,357 bilhão já estavam alocados na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, enquanto os R$ 739,5 milhões restantes foram previstos na portaria nº 184 de maio de 2026, emitida pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. Para mais informações sobre as prioridades do setor, pode-se consultar o portal de notícias do Ministério da Defesa.

Esses recursos são cruciais para assegurar a entrega de duas aeronaves em 2026, além de impulsionar as etapas de montagem das unidades com entregas programadas para os anos subsequentes, conforme detalhado em nota oficial do Ministério da Defesa à CNN Brasil. Até 2032, o Brasil planeja investir anualmente uma média de 2,26 bilhões de coroas suecas, equivalentes a R$ 1,2 bilhão, na aquisição de caças Gripen da Saab. Até o momento, já foram desembolsados 28,27 bilhões de coroas suecas, o que corresponde a R$ 15,3 bilhões.

Diferenças entre Gripen E e Gripen F: Capacidades e Treinamento

O Gripen F destaca-se por ser o modelo biposto da Saab, projetado para acomodar um piloto e um copiloto. Essa configuração o torna ideal para missões de treinamento, e o Brasil é o cliente pioneiro da companhia a incorporar esta série em sua frota. Já o Gripen E, monoposto, é concebido para um único piloto e geralmente destinado a missões de combate.

Outra distinção notável entre as versões reside nas dimensões: a série E é ligeiramente menor em comprimento que a F. O modelo biposto possui 15,9 metros de comprimento e 8,6 metros de largura. Segundo a Saab, embora o Gripen F integre sensores tão avançados quanto os do Gripen E, a inclusão de uma segunda cabine possibilita a execução de missões orientadas por instrutores em um caça plenamente operacional. Isso é vital, pois a simulação não consegue replicar integralmente a realidade fisiológica e psicológica inerente a um combate de alta intensidade.

O ministro Múcio reiterou a importância desse avanço, afirmando: “É mais um avião. É um grande avião. Nós estamos agregando tecnologia. Os nossos pilotos serão treinados, não mais de forma simulada. Eles terão operação no próprio avião.”

Transferência de Tecnologia e Parceria com Embraer

A troca de informações e conhecimentos entre o Brasil e a Suécia foi ampliada por um abrangente programa de treinamento, que capacitou centenas de especialistas brasileiros. Engenheiros, técnicos, operadores de montagem e manutenção foram submetidos a módulos teóricos e práticos, abrangendo desde ensaios em voo até processos de produção e manutenção do Gripen, garantindo a absorção de expertise.

Engenheiros brasileiros da Embraer, AEL Sistemas e Akaer desempenharam um papel fundamental no desenvolvimento do Gripen F, participando ativamente de todas as fases do projeto, desde a concepção estrutural até a integração aviônica. Essa colaboração é um testemunho da capacidade técnica e inovadora da indústria nacional.

Ao todo, 15 das 36 aeronaves da Saab adquiridas pela FAB terão sua montagem final realizada em território brasileiro, na planta da Embraer localizada em Gavião Peixoto (SP). As entregas dessas unidades estão previstas para serem concluídas até 2032, consolidando a Embraer como um polo de produção de alta tecnologia.

O programa de transferência de tecnologia para o Brasil é estruturado em quatro áreas principais:

  • Treinamento teórico, para aprofundamento em conhecimentos específicos;
  • Programas de Pesquisa e Tecnologia, fomentando a inovação;
  • Treinamento on-the-job na Suécia, para experiência prática em ambiente real;
  • Desenvolvimento e produção, capacitando o país na fabricação dos componentes.

Com a fabricação em série do F-39 Gripen pela Embraer, o Brasil solidificou sua posição como o único país a produzir a aeronave fora da Suécia, um feito que reforça sua soberania tecnológica e sua relevância no cenário global de defesa. Empresas nacionais como AEL Sistemas e Atech também contribuem significativamente, participando da produção de sistemas aviônicos, estruturas e componentes estratégicos para a companhia sueca, o que demonstra a robustez da cadeia produtiva brasileira no setor.

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A potencial nova aquisição de caças Gripen e o avanço da parceria tecnológica com a Suécia são movimentos estratégicos que consolidam o Brasil como um player importante no cenário global de defesa e desenvolvimento tecnológico. A capacidade de produzir e manter aeronaves de alta complexidade em solo nacional representa um salto qualitativo para a Força Aérea Brasileira e para a indústria de defesa. Continue acompanhando as novidades e análises aprofundadas sobre política, economia e defesa em nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Saab

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