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SUS Amplia Teleatendimento a Jogadores Compulsivos

Saúde e Bem-estar

O teleatendimento SUS para jogadores compulsivos será significativamente expandido. O Ministério da Saúde anunciou a intenção de reforçar e ampliar os serviços de assistência remota, oferecidos por telefone e videochamadas, para indivíduos que enfrentam problemas relacionados à dependência em jogos de apostas. A medida visa responder à crescente demanda e melhorar o acesso a cuidados de saúde mental para essa população específica em todo o país.

A estratégia de teleatendimento, uma iniciativa crucial para a saúde pública brasileira, será fortalecida por meio da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS). A AgSUS será responsável por contratar empresas especializadas, garantindo assim a expansão da assistência gratuita e qualificada a jogadores com compulsão. Este serviço, focado especificamente em jogo de apostas, foi lançado em março deste ano, em parceria com o renomado Hospital Sírio-Libanês, e em apenas três meses já registrou 6.912 usuários cadastrados, demonstrando a urgência e a necessidade de tal suporte no combate à dependência.

SUS Amplia Teleatendimento a Jogadores Compulsivos

Para viabilizar a **ampliação do teleatendimento para jogadores compulsivos**, o Ministério da Saúde prevê um investimento substancial de cerca de R$ 70 milhões até o final deste ano. Este montante integra um plano de ações mais amplo, focado na prevenção, na qualificação profissional e na expansão do acesso da população aos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps). O plano foi implementado este ano com o objetivo claro de intensificar a assistência a pessoas com dificuldades decorrentes da prática de jogos e apostas, buscando mitigar os impactos negativos na saúde mental e social.

Além dos investimentos na expansão do atendimento, a pasta destinará R$ 6 milhões para financiar uma pesquisa nacional, inédita em sua abrangência. Este estudo tem como meta principal investigar a fundo como os jogos e apostas impactam a saúde dos cidadãos brasileiros. Através da pesquisa, o governo busca identificar os grupos mais vulneráveis e os principais riscos associados a essa prática, fornecendo dados fundamentais para a criação de políticas públicas mais eficazes. Com as informações coletadas, o poder público terá melhores subsídios para formular e implementar ações de atendimento e prevenção no âmbito do SUS, direcionando recursos e esforços de forma estratégica para quem mais precisa.

Recursos e Financiamento do Combate à Dependência

Parte significativa dos recursos necessários para a execução do plano provém da destinação social das “bets”, as empresas de apostas. Em 2025, o Ministério da Saúde recebeu R$ 45,7 milhões (em valores não corrigidos) a título de compensação por essa atividade. Esse valor corresponde a 1% do Produto da Arrecadação total de tributos pagos pelas operadoras de apostas e pelos próprios apostadores, conforme a regulamentação vigente.

A Lei nº 14.790, de 2023, estabelece a distribuição desse Produto da Arrecadação, que, em 2025, totalizou R$ 4,5 bilhões. Os recursos foram repartidos entre diversas áreas, incluindo educação (10%), turismo (28%), esportes (36%), segurança pública (13,6%), seguridade social (10%) e outras destinações (1,4%), com a saúde recebendo 1% do total. É crucial que, conforme a legislação, todo o dinheiro repassado ao Ministério da Saúde seja empregado exclusivamente em medidas de prevenção, controle e mitigação dos danos sociais gerados pela prática de jogos e apostas, garantindo que o impacto negativo seja minimizado.

Embora questionado pela reportagem da Agência Brasil se os R$ 45,7 milhões seriam suficientes para cobrir os custos adicionais do SUS com o aumento da demanda por atendimento a pessoas com problemas de jogo, o ministério informou que não é possível mensurar o custo exato desses atendimentos específicos. Isso ocorre porque esses serviços são prestados em conjunto com outros de média e alta complexidade já existentes na Rede de Atenção Psicossocial (Raps), cujo custo total, somente em 2025, foi de aproximadamente R$ 2,5 bilhões. No entanto, a pasta reiterou que a destinação social representa uma fonte de financiamento relevante, complementada por recursos do orçamento próprio do Ministério da Saúde, demonstrando o compromisso em manter a assistência.

Como Acessar o Teleatendimento em Saúde Mental do SUS

Para ter acesso ao serviço de **teleatendimento em saúde mental do SUS** direcionado a jogadores compulsivos, o interessado deve inicialmente realizar um cadastro através do aplicativo Meu SUS Digital. Após o cadastro, o próximo passo é baixar o aplicativo, disponível gratuitamente nas lojas para sistemas Android e iOS, ou utilizar a versão web. Para o acesso, é necessário criar uma conta Gov.br ou usar uma já existente, garantindo a segurança e a identificação do usuário.

O aplicativo Meu SUS Digital não se limita apenas ao teleatendimento; ele também oferece uma vasta gama de conteúdos informativos. Esses materiais abordam sinais de alerta, estratégias de prevenção e o impacto dos jogos de apostas na saúde mental dos indivíduos, promovendo a conscientização. Uma ferramenta adicional e valiosa é um autoteste, validado por especialistas na área. Caso o usuário, ao responder o questionário, obtenha um resultado que indique risco moderado ou elevado para a dependência em jogos, ele será automaticamente direcionado para o serviço de teleatendimento, agilizando o processo de busca por ajuda.

SUS Amplia Teleatendimento a Jogadores Compulsivos - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Para aqueles que apresentarem um risco menor, a orientação é procurar apoio qualificado em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), locais onde podem receber suporte e acompanhamento adequado por profissionais capacitados. A Ouvidoria do SUS também desempenha um papel fundamental nesse processo, contando com profissionais treinados e preparados para fornecer orientações sobre a temática. O atendimento pode ser realizado pelo telefone 136, via teleatendimento, por formulário eletrônico, WhatsApp ou através do chatbot disponível no site oficial do Ministério da Saúde. Todas as interações e informações são processadas em conformidade com as rigorosas normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo a privacidade e segurança dos usuários em todo o processo.

A Preocupação Global e o Aumento de Casos no Brasil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) há tempos reconhece os problemas associados aos jogos de apostas como um comportamento potencialmente nocivo à saúde mental. Essa condição é frequentemente correlacionada a quadros de ansiedade, depressão, outros comportamentos compulsivos e, tragicamente, a um risco elevado de suicídio e autolesão. O reconhecimento da OMS sublinha a gravidade da questão e a necessidade de intervenções eficazes. Para aprofundar a compreensão sobre o tema e o impacto global, informações detalhadas podem ser consultadas no site oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No cenário brasileiro, o aumento dos casos de jogo patológico e de mania de jogo e aposta atendidos pelo SUS é alarmante. Entre janeiro de 2018 e maio de 2025, houve um crescimento de 104% nesses atendimentos, um dado que reforça a urgência das ações do Ministério da Saúde. No total, foram 10.553 ocorrências registradas no período, sendo 4.316 ambulatoriais e 6.237 na Atenção Primária à Saúde. Os dados revelam uma alta prevalência entre homens e indivíduos na faixa etária de 20 a 49 anos, embora o expressivo crescimento no número de casos envolvendo jovens tenha chamado a atenção de especialistas e autoridades de saúde, indicando uma mudança no perfil dos afetados.

Iniciativas Governamentais de Prevenção e Combate

O problema da dependência em jogos tem impulsionado uma série de iniciativas governamentais para proteger a população e oferecer caminhos para a recuperação. Em dezembro de 2025, o governo federal lançou a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, uma ferramenta inovadora que permite aos interessados bloquear voluntariamente o próprio acesso a todos os sites de apostas que operam legalmente no país. Esta medida proativa demonstrou ser altamente necessária, com mais de meio milhão de pessoas já tendo recorrido à plataforma até o fim de maio, em busca de controle sobre seus hábitos de jogo.

Complementando essas ações, em janeiro deste ano, o Ministério da Saúde disponibilizou o “Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas”. Este material foi desenvolvido com o propósito de fornecer orientações claras para o acolhimento, o acompanhamento e o tratamento de indivíduos afetados por jogos e apostas, sendo um recurso vital para profissionais de saúde e para a população em geral, facilitando o acesso a informações qualificadas. O guia completo pode ser acessado diretamente no site do ministério, reforçando o compromisso com a saúde pública e a disseminação de conhecimento essencial.

Mais recentemente, nesta sexta-feira, 19 de junho, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou o Decreto nº 13.033. Este decreto visa fortalecer o combate ao mercado ilegal de apostas, uma frente essencial para proteger a população e regularizar o setor, coibindo práticas nocivas. Entre as medidas estabelecidas, o decreto prevê que o dinheiro confiscado de plataformas de apostas ilegais poderá ser direcionado para o combate ao crime organizado, criando um mecanismo de recuperação de recursos para causas de segurança pública e social, transformando um problema em uma solução para outras áreas.

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Em suma, o Ministério da Saúde, por meio do SUS, está intensificando seus esforços para combater a dependência em jogos de apostas, um problema de saúde pública crescente no Brasil. Com a ampliação do teleatendimento, investimentos significativos, uma pesquisa nacional inédita e a implementação de ferramentas como a Plataforma de Autoexclusão, o governo busca oferecer suporte abrangente e eficaz. As medidas recentes, como o decreto presidencial, reforçam o compromisso em proteger a população dos impactos negativos dos jogos e apostas. Para mais notícias sobre políticas públicas e iniciativas governamentais que impactam o bem-estar social, continue acompanhando a editoria de Política em nosso portal.

Tânia Rêgo/Agência Brasil

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