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Nordeste Lidera Expansão Econômica do Brasil até 2035

Economia

Projeções recentes indicam que o Nordeste Lidera Expansão Econômica do Brasil até 2035, superando outras regiões e consolidando-se como o principal motor do crescimento nacional. Este dinamismo é atribuído, em grande parte, ao avanço da atividade industrial e a robustos investimentos em infraestrutura, conforme análise da Tendências Consultoria.

De acordo com os levantamentos da consultoria, o Produto Interno Bruto (PIB) nordestino está programado para registrar um crescimento de 1,9% em 2026, seguido por 1,6% em 2027, e um expressivo aumento anual de 3,3% entre 2028 e 2035. Comparativamente, as estimativas para o PIB brasileiro no mesmo período são de 1,6%, 1,3% e 2,4%, respectivamente. A Tendências Consultoria ressalta que o desempenho do Nordeste no período de 2028 a 2035 deve ultrapassar o Norte e o Centro-Oeste, regiões que se destacaram economicamente na última década, com previsões de avanço de 2,9% e 3%.

Nordeste Lidera Expansão Econômica do Brasil até 2035

A economista Camila Saito, responsável pelo estudo, enfatiza que a região nordestina tem atraído um volume significativo de investimentos produtivos, gerando novas perspectivas de desenvolvimento. Um dos exemplos mais notáveis é o projeto da gigante chinesa TikTok, que está construindo um data center em Caucaia, Ceará. Orçado em R$ 200 bilhões, este empreendimento representa um montante considerável, especialmente quando comparado ao PIB cearense de 2025, calculado pelo Banco do Nordeste (BNB) em R$ 274 bilhões.

Além do setor de tecnologia, os investimentos em óleo, gás e combustíveis também desempenham um papel crucial. A Petrobras anunciou um projeto de R$ 60 bilhões destinado a novas plataformas de petróleo em Sergipe e destina R$ 12 bilhões para a expansão da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. No Ceará, a Noxis Energy planeja investir até R$ 10 bilhões em uma refinaria no Complexo do Pecém, enquanto na Bahia, a Acelen desenvolve iniciativas que somam R$ 16 bilhões em combustíveis e biocombustíveis. No polo automotivo, a Stellantis direciona R$ 13 bilhões para a ampliação de sua fábrica em Goiana, Pernambuco, e a BYD finaliza investimentos de R$ 5,5 bilhões em Camaçari, Bahia. O setor de mineração também se destaca, com a Brazil Iron desenvolvendo um projeto de US$ 5,7 bilhões para a produção de ferro briquetado a quente na Bahia. As projeções da Tendências Consultoria indicam que a produção industrial nordestina deverá crescer 3,9% ao ano a partir de 2028.

Infraestrutura e Logística: Pilar do Crescimento

A melhoria da infraestrutura é outro vetor fundamental para o crescimento regional. A ferrovia Transnordestina, conectando Eliseu Martins (PI) ao porto de Pecém (CE), está prevista para ser concluída em 2028, após 22 anos de obras e um investimento total de R$ 15 bilhões. Na Bahia, os trechos 1 e 2 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) já contam com mais de 60% das obras executadas. Estes dois trechos, que somam 1.022 km, ligarão a região agrícola de Barreiras e a produção mineral de Caetité ao futuro Porto Sul, em Ilhéus, um empreendimento que demandará investimentos de US$ 1,46 bilhão, segundo o BNB. No segmento rodoviário, o Ministério dos Transportes realizou em maio o primeiro leilão rodoviário na região, com um aporte de R$ 8,53 bilhões destinados a melhorias nas BRs-116 e 324, no trecho entre Feira de Santana (BA) e Salgueiro (PE).

No setor portuário, projetos nos portos de Itaqui (MA), Suape (PE) e Pecém (CE) totalizam R$ 4 bilhões em investimentos, com o BNB também registrando outros R$ 7 bilhões em infraestruturas em fase de planejamento. Rogério Sobreira, economista-chefe do BNB, destaca a posição geográfica privilegiada do Nordeste, que se encontra mais próxima da Europa e dos Estados Unidos. Ele prevê que, com uma infraestrutura adequada, a região se consolidará como um importante hub logístico do país. A produção agrícola do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que já é responsável por 19% da soja brasileira, deverá ser a principal beneficiada pelo avanço da infraestrutura logística, ganhando ainda mais competitividade no mercado internacional.

Nordeste Lidera Expansão Econômica do Brasil até 2035 - Imagem do artigo original

Imagem: valor.globo.com

Potencial Energético e Desafios da Transição

Outra vantagem estratégica do Nordeste reside na sua capacidade de produção de energia renovável. Com alta insolação e ventos constantes e lineares ao longo do ano, a região se tornou a principal produtora de energia eólica e fotovoltaica do Brasil. Em 2025, a produção atingiu 139 terawatt-hora (TWh), dos quais 55% foram exportados para outras regiões do país, conforme dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Desde 2020, o Nordeste é superavitário em energia renovável. Contudo, desafios como a falta de infraestrutura de transmissão e a concentração da produção no período diurno resultaram em “curtailments” – cortes forçados na geração de energias renováveis – desde 2024. Esses cortes, que geraram prejuízos superiores a R$ 7 bilhões para os produtores, paralisaram investimentos na expansão energética, com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) calculando que R$ 14,5 bilhões em investimentos saíram do pipeline em 2025. Rogério Sobreira considera esses cortes como uma situação circunstancial, passível de solução com planejamento e expansão da capacidade de armazenamento e transmissão, sem interromper a trajetória de expansão do setor no médio prazo. “O mundo caminha em direção à transição energética, e o Nordeste é um dos principais polos produtores de energia renovável do mundo”, afirma. A economista Camila Saito reitera que o Nordeste está atraindo investimentos que vão gerar novas perspectivas.

A capacidade de geração renovável oferece um potencial significativo para atrair empresas que buscam descarbonizar seus processos produtivos, fenômeno conhecido como powershoring. Paulo Guimarães, sócio-diretor da Ceplan, explica que, embora hoje o Nordeste seja um exportador de energia, pode alavancar sua sustentabilidade energética para atrair empreendimentos eletrointensivos. Data centers, biorrefinarias, indústrias químicas e metalmecânicas, siderúrgicas e produtores de hidrogênio verde são algumas das atividades que podem se beneficiar dessa abundância de energia renovável. Para Guimarães, é fundamental que o governo federal e os governos locais articulem esforços para apresentar o potencial de powershoring do Nordeste a investidores internacionais.

Desafios Sociais e a Necessidade de Desenvolvimento Inclusivo

Apesar do cenário promissor de crescimento econômico, é crucial que a região não apenas supere a média nacional, mas também trabalhe para diminuir as disparidades econômicas e sociais internas. Essa é a visão de Flávio Ataliba, coordenador do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste do Instituto Brasileiro de Economia (FGV-Ibre). Ele argumenta que o Nordeste precisa aprimorar seus indicadores educacionais para alcançar maior produtividade, garantindo um desenvolvimento consistente, sustentável e inclusivo. Conforme o IBGE, apenas 45,6% da população local concluiu a educação básica e 13% dos adultos possuem diploma universitário. A região também registra o menor nível de produtividade do trabalho do país, com um Valor Adicionado Bruto (VAB) por pessoa ocupada de R$ 24 mil, em contraste com a média nacional de R$ 46 mil. O Nordeste, que concentra 26,82% da população brasileira, contribui com apenas 13,83% do PIB nacional. O PIB per capita, nos cálculos do BNB, é de R$ 30,7 mil, metade do valor nacional, e 32,7% da renda domiciliar provém de aposentadorias e programas sociais, comparado à média de 25,1% no país, segundo o FGV-Ibre. Estes dados oficiais do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro reforçam a necessidade de um desenvolvimento mais equitativo.

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Em suma, o Nordeste brasileiro se encontra em uma trajetória de crescimento notável, impulsionado por uma série de investimentos em indústria, infraestrutura e energia renovável, que o posicionam como um líder na expansão econômica do país para a próxima década. Contudo, para que esse progresso se traduza em desenvolvimento sustentável e inclusivo, é imperativo abordar os desafios sociais e educacionais persistentes na região. Continue acompanhando as últimas notícias e análises sobre o cenário econômico brasileiro em nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: [Região]

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