A participação do Brasil nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, na Colômbia, foi coroada com uma performance espetacular, culminando com a conquista de mais uma medalha de ouro no futebol de cegos. O evento, que se encerrou na última quarta-feira, dia 15 de julho, confirmou a soberania brasileira no quadro de medalhas, onde o país se destacou desde o início até o fim.
Com um total impressionante de 248 pódios, a delegação brasileira acumulou 110 medalhas de ouro, 86 de prata e 52 de bronze, solidificando sua posição de liderança. O último dia da competição foi particularmente produtivo para os atletas verde e amarelos, que garantiram mais 30 medalhas, sendo 13 delas douradas, reforçando a superioridade em diversas modalidades.
Brasil Conquista Ouro no Futebol de Cegos e Lidera Parasul
Entre as vitórias mais emblemáticas do último dia, o ouro no futebol de cegos teve um sabor especialíssimo. Em um confronto eletrizante contra a Argentina, a equipe brasileira não apenas garantiu o título, mas também reeditou uma rivalidade histórica que sempre eleva o nível da disputa. Os argentinos, atuais campeões mundiais da modalidade, representavam um desafio de peso, e a vitória brasileira foi vista como uma revanche esperada.
A tensão pré-jogo era palpável, dada a história recente de confrontos decisivos entre as duas seleções. A Argentina havia levado a melhor nos dois últimos grandes palcos: a final da Copa América de 2022, disputada em Córdoba, e a semifinal da Paralimpíada de Paris, em 2024. Esses resultados anteriores alimentaram a expectativa por um duelo de alto nível nos Jogos Parasul-Americanos, e a seleção brasileira entrou em campo determinada a reverter o cenário.
O palco para a final do futebol de cegos foi a cidade de Agustín Codazzi, a aproximadamente 62 quilômetros de Valledupar, onde a intensidade da partida manteve os torcedores em suspense. O gol que selou a vitória brasileira e o título dourado foi marcado por Nonato, um atleta já conhecido por sua capacidade de decisão em momentos cruciais. Foi Nonato quem balançou as redes no início da etapa final, garantindo o triunfo e repetindo o feito de Tóquio 2021, onde também foi o “carrasco” argentino, assegurando o quinto título paralímpico para o Brasil.
Este torneio em Valledupar marca o início do ciclo preparatório para a Paralimpíada de Los Angeles, nos Estados Unidos, em 2028, conferindo um significado ainda maior às conquistas. O Brasil já se prepara para sediar a próxima Copa América de futebol de cegos em setembro deste ano, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, um evento que promete continuar a tradição de excelência na modalidade.
Destaques do Encerramento Dourado: Além do Futebol de Cegos
Além da emocionante vitória no futebol de cegos, a delegação brasileira demonstrou sua força em diversas outras modalidades no último dia de competições, acumulando ouros em natação, atletismo, badminton e tiro com arco.
Na natação, o mineiro Arthur Xavier emergiu como um dos grandes nomes, conquistando duas medalhas de ouro: nos 200 metros medley e no revezamento 4×100 metros medley, ambos na classe S14, destinada a atletas com deficiência intelectual. Sua performance destacou o talento e a dedicação da equipe de natação.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
O atletismo também contribuiu significativamente para o quadro de medalhas. Nas provas de campo, a potiguar Jardênia Félix garantiu o ouro no salto em distância da classe T20 (deficiência intelectual), uma modalidade em que já havia conquistado bronze no Campeonato Mundial de Paris, em 2023. O carioca Wallace dos Santos também subiu ao lugar mais alto do pódio no arremesso de peso, em uma categoria que uniu as classes F54 e F55, dedicada a atletas cadeirantes, evidenciando a diversidade de talentos na equipe.
No badminton, David Lima foi o grande destaque. O paulista conquistou não apenas o ouro na chave masculina da classe SU5 (deficiência de membros superiores), mas também brilhou na dupla mista. Ao lado da paranaense Kauana Beckenkamp, que compete na classe SL3 (atletas com comprometimento de membro inferior, mas com capacidade de andar), ele assegurou mais uma medalha dourada para o Brasil, reforçando a versatilidade e a força das parcerias brasileiras.
O tiro com arco rendeu três medalhas de ouro para o Brasil, com performances notáveis. Na classe Open, para atletas com deficiência em um ou dois membros (inferiores ou superior e inferior do mesmo lado), houve uma dobradinha brasileira na final: a goiana Jane Karla Gögel, ex-número um do mundo, superou a cearense Helena Nunes em uma decisão acirrada. Na classe W1, para atletas com deficiências graves em três ou quatro membros, o cearense Eugênio Franco, de 66 anos e o integrante mais velho da delegação, conquistou o ouro ao superar o chileno Victor Bocaz. Entre as mulheres, em mais uma final entre Brasil e Chile, a paranaense Juliana da Silva venceu Mariela Carrasco, consolidando a força do país na modalidade.
A Delegação Brasileira e a História dos Jogos
A delegação brasileira contou com 237 representantes distribuídos em 13 modalidades, demonstrando a amplitude e o investimento do país no esporte paralímpico. O grupo incluiu, ainda, a participação de quatro guias no atletismo, quatro pilotos no ciclismo e dois goleiros no futebol de cegos, profissionais essenciais para as disputas que envolvem atletas com deficiência visual. Além disso, dois calheiros foram responsáveis por auxiliar os competidores com maior comprometimento motor na bocha, evidenciando o suporte integral oferecido aos atletas.
Os Jogos Parasul-Americanos de Valledupar marcaram a segunda edição do evento. A primeira ocorreu em 2014, em Santiago, capital chilena. Naquela ocasião, o Brasil garantiu a segunda colocação no quadro geral de medalhas, com um total de 104 pódios, ficando atrás da Argentina. A Argentina, que inicialmente seria a anfitriã da edição de 2018 em Buenos Aires, acabou recuando da organização por motivos financeiros, o que ressalta a complexidade da realização de eventos multiesportivos dessa magnitude. Para mais detalhes sobre o desempenho paralímpico brasileiro, você pode consultar o site oficial do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), que frequentemente publica notícias e resultados.
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O encerramento dos Jogos Parasul-Americanos com o Brasil na liderança e com uma vitória tão significativa no futebol de cegos não apenas celebra o esforço e a dedicação dos atletas, mas também reforça a posição do país como uma potência no cenário paralímpico sul-americano. A trajetória da delegação em Valledupar serve de inspiração e motivação para os próximos desafios, com o olhar já voltado para as futuras competições e para o ciclo de Los Angeles 2028. Para acompanhar outras notícias e análises sobre o esporte brasileiro e mundial, clique aqui e continue explorando nossa editoria de Esporte.
Crédito da imagem: Carol Coelho/CPB/Direitos Reservados







