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Murilo Pascoal: Aviação é Infraestrutura Vital para Turismo

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O setor de Aviação para Turismo é um pilar essencial para o desenvolvimento econômico do Brasil, uma visão que Murilo Pascoal, CEO do Beach Park, defende com veemência. Em entrevista concedida em Fortaleza, o executivo do renomado complexo de parques e hotéis situado em Aquiraz, Ceará, compartilhou suas perspectivas sobre o panorama atual do turismo nacional, os investimentos do grupo e os desafios impostos por fatores como a estrutura tributária e os custos operacionais da aviação.

O Beach Park se prepara para um marco significativo em 2026, quando completará quatro décadas de existência. Para celebrar a ocasião, o grupo tem planos de inaugurar, no final de setembro, o Ohana Beach Park, um novo resort projetado para atender ao público de alta renda. Este lançamento encerra um ciclo de investimentos da companhia que, nos últimos três anos, incluiu a introdução do parque Arvorar, com foco em ecoturismo, além de diversas outras atrações que expandiram a oferta de lazer e entretenimento.

Murilo Pascoal: Aviação é Infraestrutura Vital para Turismo

Abordando a evolução do mercado de parques temáticos no Brasil, Pascoal avalia que o país atravessa uma fase de crescimento, espelhando trajetórias observadas em outros mercados globais, como o dos Estados Unidos. Ele observa que, especialmente no período pós-pandemia, o setor de parques tem apresentado uma expansão generalizada no território nacional. No entanto, o avanço pleno é confrontado por obstáculos consideráveis, com o custo das passagens aéreas domésticas figurando como um dos principais entraves para a movimentação de turistas, inclusive para destinos como o Beach Park e a própria cidade de Fortaleza.

O CEO do Beach Park categoriza a aviação não como um artigo de luxo, mas como uma infraestrutura indispensável para a distribuição do turismo, setor que se destaca como um grande gerador de empregos. A ausência de um sistema aéreo eficiente obriga a uma dependência quase exclusiva do transporte rodoviário, que, segundo ele, não opera de forma otimizada na região Nordeste. Para Pascoal, o Brasil necessita urgentemente de uma estrutura mais favorável para as companhias aéreas, especialmente no que tange à tributação. Embora a infraestrutura aeroportuária tenha apresentado melhorias notáveis, a legislação consumerista atual representa um problema grave que exige uma revisão profunda.

A tributação, contudo, não é o único desafio para as empresas aéreas. Os elevados custos com processos judiciais também contribuem significativamente para o encarecimento das passagens. Murilo Pascoal aponta que o Brasil concentra a maior parte dos litígios de consumidores contra companhias aéreas globalmente. Essa realidade impõe às empresas a necessidade de arcar com extensas estruturas de defesa e com os pagamentos decorrentes de ações judiciais, elevando os custos operacionais. Ele enfatiza que uma série de medidas poderia ser implementada para fortalecer as companhias aéreas, o que é crucial para o turismo, em particular para destinos que dependem vitalmente do transporte aéreo para receber visitantes. A complexidade da regulamentação e a carga tributária no Brasil, conforme dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), são frequentemente citadas como barreiras ao crescimento sustentável do setor.

Quando questionado sobre a falta de incentivos para o turismo e a hotelaria no Brasil, Pascoal destaca as desvantagens relativas a impostos e custos de mão de obra. O setor turístico é um empregador massivo e possui a característica singular de que os investimentos se convertem diretamente em um número substancial de vagas de trabalho. Em contraste com indústrias altamente automatizadas e robotizadas, o turismo mantém a necessidade de força de trabalho humana para funções como garçons, salva-vidas e animadores, gerando um volume expressivo de empregos – a operação total do Beach Park, por exemplo, emprega entre 2.300 e 2.500 colaboradores.

Murilo Pascoal: Aviação é Infraestrutura Vital para Turismo - Imagem do artigo original

Imagem: www1.folha.uol.com.br

A estratégia de apostar no público de alta renda com o Ohana Beach Park não visa, segundo o CEO, a afastar-se da classe média, que atualmente enfrenta maiores pressões financeiras. Em vez disso, o novo resort vem para preencher uma lacuna no portfólio de hotéis do grupo, complementando a oferta existente. O cenário de juros elevados e o endividamento da população, por sua vez, são reconhecidos como obstáculos para os negócios. O custo de capital é um fator crucial, visto que o setor de parques e hotéis opera com investimentos de longo prazo. Um empreendimento como o Ohana Beach Park não oferece retorno em um período curto de dois anos, exigindo um horizonte de recuperação prolongado, o que torna o custo de capital um elemento fundamental que afeta todo o segmento.

Sobre a possibilidade de abertura de capital ou a busca por novas injeções de investimento no grupo, Murilo Pascoal esclarece que não há um plano imediato para tal. No entanto, ele adota a postura de que “nunca digo nunca”, deixando a porta aberta para futuras considerações. Murilo Pascoal, 55 anos, nascido em São Paulo em 1970, é o CEO do grupo Beach Park Entretenimento há 22 anos. Sua formação em administração pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e sua especialização em operação de parques temáticos, aquáticos e atrações pela IAAPA/Cornell Institute, somadas à presidência do Sindepat (Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas), conferem-lhe uma autoridade incontestável no segmento.

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Em suma, a visão de Murilo Pascoal destaca a aviação não apenas como um meio de transporte, mas como uma infraestrutura estratégica para o turismo, fundamental para o crescimento econômico e a geração de empregos no Brasil. Os investimentos contínuos do Beach Park, aliados a uma análise perspicaz dos desafios macroeconômicos e regulatórios, reforçam a relevância do setor para o desenvolvimento nacional. Para mais análises sobre economia e o setor de turismo, continue acompanhando nossa editoria em Hora de Começar.

Crédito da imagem: Igor de Melo/Divulgação Beach Park

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