A prática de venda de medicamentos em máquinas automáticas, operando de maneira irregular em condomínios residenciais e outros locais de grande fluxo populacional, motivou o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) a acionar o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). A entidade busca a apuração dessas atividades que desrespeitam a legislação sanitária vigente e expõem a população a riscos significativos de saúde pública.
As máquinas, flagradas em áreas comuns de condomínios, comercializavam fármacos sem qualquer tipo de controle, como verificação de idade do comprador, limitação de quantidade ou, crucialmente, a imprescindível orientação de um profissional farmacêutico. Essa modalidade de dispensação irregular foi identificada durante fiscalizações do CRF-SP em cidades estratégicas como São Paulo, Guarulhos, São Bernardo do Campo e Santo André.
A partir dessas constatações, o CRF-SP formalizou uma representação junto ao MPSP, buscando a intervenção das autoridades para frear uma prática que considera lesiva à coletividade.
Venda de Medicamentos em Máquinas: CRF-SP Aciona MPSP
As fiscalizações realizadas pelo Conselho Regional de Farmácia abrangeram importantes cidades do estado paulista, revelando um cenário preocupante de automedicação facilitada e desregulada. Segundo o CRF-SP, a legislação sanitária brasileira é clara ao estipular que a dispensação de quaisquer medicamentos deve ocorrer exclusivamente em estabelecimentos devidamente autorizados, como farmácias e drogarias, e sempre acompanhada da assistência farmacêutica obrigatória, um pilar fundamental para a segurança do paciente.
A própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já se posicionou oficialmente contra a comercialização de medicamentos por meio de máquinas automáticas. A entidade reguladora reforça que este tipo de equipamento não possui permissão legal para dispensar fármacos, corroborando a ilegalidade da prática denunciada pelo CRF-SP. Esta posição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sublinha a gravidade da situação, uma vez que a agência é a principal responsável pela proteção da saúde da população através do controle sanitário.
O Conselho enfatiza que o acesso irrestrito e descontrolado à automedicação representa um risco iminente para a saúde pública, com consequências potencialmente mais graves para crianças e adolescentes. A ausência de orientação profissional na aquisição desses produtos pode levar a desfechos perigosos, mesmo no caso de medicamentos isentos de prescrição.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Luciana Canetto, presidente do CRF-SP, alerta para os perigos subestimados: “Mesmo medicamentos isentos de prescrição podem causar intoxicações, reações adversas graves, interações medicamentosas e até levar à morte quando usados de forma incorreta. Nenhum medicamento é isento de orientação”, afirmou. Esta declaração ressalta a importância vital da figura do farmacêutico no processo de dispensação, garantindo que o paciente receba as informações necessárias para o uso seguro e eficaz de qualquer fármaco.
Adicionalmente, ao solicitar a apuração do Ministério Público, o CRF-SP argumentou que a comercialização desregulada de medicamentos em máquinas viola preceitos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e do ECA Digital. A exposição de menores ao consumo indiscriminado de substâncias que podem acarretar danos à sua saúde física e mental configura uma infração grave às garantias e direitos previstos nestas legislações, que visam proteger a integridade e o bem-estar de crianças e adolescentes.
Diante da representação do Conselho Regional de Farmácia, o MPSP já instaurou um procedimento investigatório. Este processo inclui a convocação das partes envolvidas para serem ouvidas, como a empresa responsável pela operação das máquinas automáticas e os órgãos de Vigilância Sanitária locais. O objetivo é apurar detalhadamente os fatos apresentados e, consequentemente, adotar as medidas cabíveis para assegurar a defesa da saúde coletiva e a observância da legislação vigente.
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A investigação em curso pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, a pedido do Conselho Regional de Farmácia, visa coibir a venda irregular de medicamentos em máquinas automáticas, uma prática que, além de ilegal, representa um sério risco à saúde pública, especialmente para a população mais vulnerável. Continue acompanhando nossa editoria de Cidades para mais atualizações sobre temas que impactam diretamente a vida dos cidadãos.
Crédito da imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil







