Mobilização Nacional Pressiona Câmara por Votação do PL da Misoginia
O Levante Mulheres Vivas organizou neste domingo, 2 de junho, uma série de atos e manifestações em diversas cidades de todas as regiões do Brasil. O principal objetivo da mobilização é exercer pressão sobre a Câmara dos Deputados para que o Projeto de Lei (PL) 896/2023, amplamente conhecido como PL da Misoginia, seja finalmente votado e aprovado. Este projeto de lei, que visa combater a violência e a discriminação de gênero, já obteve aprovação no Senado Federal e agora aguarda decisão crucial na Casa Legislativa, com o apoio de uma ampla parcela da sociedade civil.
A urgência na pauta do PL 896/2023 é um ponto central para os movimentos sociais e para as mulheres em todo o país. Após ser aprovado pelo Senado, o texto aguarda, em regime de urgência, o despacho do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para ser levado ao plenário da Casa. A expectativa é que, com a intensa mobilização popular e o reconhecimento da gravidade da misoginia no Brasil, os parlamentares deem a devida prioridade à matéria. O
Mobilização Nacional Pressiona Câmara por Votação do PL da Misoginia
representa um marco importante na luta contra o preconceito de gênero, buscando incluir crimes motivados por misoginia no rol das infrações punidas por discriminação e preconceito, conforme previsto na legislação brasileira vigente.
A proposta legislativa, que altera a Lei 7.716/1989, estabelece penas mais severas para atos de misoginia, endurecendo o combate a discursos e ações discriminatórias. Ela prevê a adição de dois a cinco anos de reclusão aos crimes que se enquadrem na definição de misoginia. Esta, por sua vez, é caracterizada como a prática, a indução ou a incitação de violência, a restrição ao pleno exercício de direitos ou a ofensa à dignidade da mulher, tudo isso em razão exclusiva da condição de mulher. A inclusão desses termos específicos visa fortalecer a proteção legal e oferecer um arcabouço mais robusto e eficaz contra condutas discriminatórias e violentas direcionadas ao sexo feminino, que muitas vezes resultam em feminicídio e outras formas de violência.
Definição e Abrangência da Misoginia na Legislação
A substância do Projeto de Lei 896/2023 é clara e abrangente: combater a misoginia em suas diversas formas e manifestações. Além das penas de reclusão supracitadas, o texto também contempla a inclusão explícita da “condição de mulher” no artigo que aborda a injúria, especificamente a ofensa de dignidade ou decoro. Anteriormente, este artigo da Lei 7.716/1989 já previa punição para injúrias baseadas em raça, cor, etnia e procedência nacional. Com a alteração proposta, a injúria motivada pela condição de mulher passará a ter o mesmo tratamento legal, reforçando a seriedade com que a legislação deve tratar esse tipo de discriminação específica.
A abrangência geográfica das manifestações deste domingo demonstra o anseio da sociedade pela célere aprovação do projeto. Cidades como Belo Horizonte, Boa Vista, Brasília, Campo Grande, Capão do Canoa (RS), Cataguases (MG), Curitiba, João Pessoa, Juazeiro (BA), Parnaíba (PI), Pelotas (RS), Ponta Grossa (PR), Rio de Janeiro, Salvador, São José (SC), São Paulo e Sorocaba (SP) registraram a participação de diversos grupos de ativistas e cidadãos ao longo de todo o dia. Essa capilaridade nacional sublinha a relevância do tema em nível nacional e a percepção generalizada de que medidas legislativas são essenciais e urgentes para proteger as mulheres contra a violência e a discriminação.
A Voz da Sociedade Civil e os Desafios no Congresso
Rachel Ripani, cofundadora do Levante Mulheres Vivas, enfatizou a origem popular e o propósito essencial dessa vasta mobilização social. Segundo ela, as manifestações que ocorreram nas cidades brasileiras surgiram de indivíduos e grupos que não admitem o preocupante avanço dos feminicídios e a propagação desenfreada do ódio contra mulheres, frequentemente disseminado e amplificado nas plataformas digitais e redes sociais. Ripani salientou que esta é uma mobilização orgânica, que brota genuinamente da sociedade civil, e que, embora liderada por mulheres e movimentos feministas, conta também com a importante participação e apoio de homens conscientes.
“Estamos em um momento em que há um consenso na sociedade de que o discurso de ódio digital contra mulheres tem se tornado uma coisa perigosa para todos”, afirmou Rachel Ripani. Essa declaração reflete a percepção de que a violência online não é um problema isolado ou de nicho, mas uma ameaça crescente que afeta a todos os segmentos da sociedade, exigindo uma resposta coordenada e eficaz do poder público. A tramitação do PL da Misoginia no Congresso Nacional tem sido cuidadosamente elaborada para buscar um consenso entre os parlamentares, visando a construção de um texto que seja claro, objetivo e capaz de coibir a violência digital contra as mulheres, além de frear o avanço alarmante do feminicídio.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Durante o processo legislativo, conforme relatado por Ripani, surgiram dúvidas e debates importantes que precisaram ser endereçados. Um exemplo notável foi a questão levantada pela bancada evangélica, que expressou preocupação se o PL poderia ferir a liberdade de expressão em púlpitos, especialmente no que diz respeito à interpretação de trechos bíblicos que, à luz da atualidade, poderiam ser considerados misóginos. A cofundadora do Levante Mulheres Vivas esclareceu que a intenção primordial do projeto não é cercear opiniões legítimas, mas sim barrar a prática de crimes e garantir a proteção incondicional das mulheres contra a violência e a discriminação, independentemente de onde estas se manifestem.
Proteção Contra Crimes e a Necessidade de Conscientização
A urgência do debate sobre a criminalização da misoginia é patente e incontestável, especialmente para as mulheres e, notavelmente, para os adolescentes, conforme destaca Rachel Ripani. Ela alerta para a continuidade de “mentorias” em redes sociais que promovem e ensinam atos criminosos, como o estupro coletivo, mostram como dopar meninas para filmá-las, ou organizam concursos de “fake nude” em escolas. Para Ripani, é crucial abordar esses temas de forma contundente e didática para desmantelar essa cultura de violência e proteger os mais jovens de influências nocivas e perigosas que circulam no ambiente digital.
Com as mensagens “Brasil sem misoginia”, “Mulheres vivas” e o poderoso lema “Se a Câmara não ouve as mulheres, as ruas vão falar!”, exibidas em faixas e cartazes, os manifestantes ocuparam pontos estratégicos nas cidades brasileiras. A expectativa é clara e unânime: que o presidente da Câmara paute o PL da Misoginia imediatamente após o retorno das sessões plenárias deliberativas, que foram adiadas para a semana de 10 de agosto. Este período é visto como a “última chance antes das eleições” para sensibilizar os líderes parlamentares que, porventura, têm bloqueado a pauta, garantindo que o tema não seja protelado por questões políticas.
Ainda de acordo com Rachel Ripani, a sociedade busca ativamente entender o posicionamento desses deputados, muitos deles em busca de reeleição neste ano. “Que seja ouvida a opinião deles publicamente, para que o Brasil saiba de que lado estão os nossos deputados que estão buscando reeleição este ano”, concluiu Ripani, ressaltando a importância fundamental da transparência e da responsabilização política para com a pauta feminina. A reportagem da Agência Brasil tentou contato com a assessoria do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, mas não obteve resposta até o momento da publicação da matéria. O canal para manifestação do parlamentar permanece aberto e a sociedade aguarda um posicionamento.
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Em suma, a mobilização nacional pela aprovação do PL da Misoginia reflete uma demanda urgente da sociedade brasileira por maior proteção às mulheres e combate eficaz à violência e discriminação de gênero. A pauta do projeto, que já passou pelo Senado, espera agora uma decisão da Câmara dos Deputados, em meio a um cenário de crescente conscientização e pressão popular para que a legislação avance em prol dos direitos das mulheres. Mantenha-se informado sobre os desdobramentos deste importante tema acompanhando a editoria de Política em nosso site, onde você encontrará as últimas notícias e análises sobre os debates legislativos.
Crédito da imagem: Tomaz Silva e Marcelo Camargo/Agência Brasil







