rss featured 27107 1789543519

Mina de Tungstênio nos EUA Reativa Após 44 Anos Contra China

Economia

A reativação de uma mina de tungstênio no deserto americano, após 44 anos de inatividade, marca um movimento estratégico significativo dos Estados Unidos para reforçar suas cadeias de suprimentos domésticas. O plano, que conta com o apoio do governo norte-americano, visa mitigar os impactos das restrições de exportação impostas pela China sobre este metal crucial, amplamente empregado em setores industriais, de defesa e tecnologia avançada.

A mineradora australiana EQ Resources desempenha um papel central neste esforço. Ela se une a um consórcio para retomar a produção em uma usina de processamento de tungstênio, um passo fundamental na busca por autonomia no fornecimento de um mineral vital para componentes que vão desde chips de inteligência artificial até centros de dados. A iniciativa reflete a crescente preocupação de Washington com a segurança e resiliência de suas indústrias frente às dinâmicas geopolíticas.

Mina de Tungstênio nos EUA Reativa Após 44 Anos Contra China

Originalmente construído no final da década de 1970 pela General Electric e sua então subsidiária Utah Mining, o complexo da Mina Springer, localizado no estado de Nevada, teve uma vida útil operacional inferior a um ano. Em 1982, o influxo massivo de oferta proveniente da China inundou o mercado, resultando em uma drástica queda nos preços e, consequentemente, no fechamento da mina. Contudo, o cenário atual é oposto: com Pequim limitando a oferta, a reabertura do local é agora uma prioridade estratégica, parte de um programa financiado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

O objetivo primordial desta reativação é assegurar o abastecimento doméstico de tungstênio, um material indispensável em uma vasta gama de aplicações. Este metal é fundamental para a fabricação de ferramentas de corte de alta performance, filamentos de lâmpadas, contrapesos, projéteis perfurantes, e, cada vez mais, em componentes eletrônicos avançados e infraestruturas de TI. A dependência de fontes externas para um insumo tão crítico representa uma vulnerabilidade estratégica, que os EUA buscam agora resolver ativamente.

Investimento Estratégico e Parcerias Chave

Recentemente, o Departamento de Defesa dos EUA anunciou um investimento substancial, adquirindo US$ 450 milhões em ações da Elmet Group. Esta empresa, fabricante de componentes críticos, por sua vez, destinará suporte financeiro à Blue Moon Metals. A Blue Moon Metals, listada no Canadá, é a atual proprietária e operadora da Mina Springer. Esta complexa estrutura de financiamento e parceria evidencia a urgência e a importância atribuída à iniciativa pelo governo americano.

A meta é ambiciosa: reiniciar as operações de extração no final do próximo ano, o que representaria a primeira mineração doméstica do material nos Estados Unidos desde 2015. A EQ Resources, empresa australiana, integrará uma joint venture com a Elmet e a Blue Moon para gerenciar e operar a usina de processamento de paratungstato de amônio (APT) do complexo. As empresas formalizaram esta parceria na segunda-feira, nos EUA.

Conforme o acordo de joint venture, a EQ Resources deterá uma participação de 10%, enquanto a Elmet e a Blue Moon ficarão com 70% e 20% das ações, respectivamente. O APT é uma forma intermediária de tungstênio, e os Estados Unidos já possuem algumas instalações de processamento para este material, o que otimiza a integração da nova operação na cadeia de valor existente. A expertise da EQ Resources na mineração de tungstênio será crucial para o sucesso da empreitada.

Impacto das Restrições Chinesas e Desempenho do Mercado

Desde que a China implementou controles de exportação em fevereiro do ano passado, o mercado global de tungstênio tem experimentado uma volatilidade significativa. O preço do APT de Roterdã, um produto de referência internacional, disparou de menos de US$ 400 por unidade de tonelada métrica para valores que ultrapassam os US$ 3 mil. Esse aumento vertiginoso nos custos reflete a escassez global e a vulnerabilidade das nações que dependem da China para este recurso.

Nesse cenário, a EQ Resources, que já se posiciona como a maior fornecedora de tungstênio fora da China, se prepara para ser uma peça fundamental na estratégia americana. A empresa fornecerá parte do concentrado de tungstênio proveniente de suas operações na Austrália e na Espanha assim que a usina de Nevada estiver operacional. Adicionalmente, a EQ Resources compartilhará sua tecnologia de classificação de minério com a Blue Moon, além de oferecer outras modalidades de assistência técnica e operacional, consolidando a parceria.

O impacto da escassez de tungstênio e dos controles de exportação chineses também se refletiu no desempenho das ações da EQ Resources, que registraram um aumento expressivo. A Blue Moon, por sua vez, projeta que a planta de APT deverá estar em pleno funcionamento no segundo semestre de 2028. Os custos estimados para a reforma e modernização da usina rondam os US$ 75 milhões, embora as partes ainda necessitem finalizar uma análise de engenharia e financeira detalhada para consolidar esses valores.

Mina de Tungstênio nos EUA Reativa Após 44 Anos Contra China - Imagem do artigo original

Imagem: Reprodução internet via valor.globo.com

Perspectivas e Resiliência da Cadeia de Suprimentos

Jono Kort, diretor financeiro da EQ Resources, compartilhou com o Nikkei Asia suas impressões otimistas após uma visita ao local em maio. Ele destacou que as instalações e os equipamentos da mina, inativos desde os anos 1980, mostraram sinais promissores de que poderiam ser reativados. “A região possui um clima desértico e seco, o que minimizou a corrosão”, afirmou Kort, ressaltando a notável conservação dos componentes. “Eu peguei porcas e parafusos que estavam no chão há quase 50 anos e ainda conseguia girá-los com as mãos”, exemplificou, ilustrando a durabilidade da infraestrutura.

Kort, que se juntou à EQ Resources no ano passado, enfatizou o foco da empresa em consolidar sua posição como uma companhia de médio porte, após um período de rápido e expressivo crescimento. A capitalização de mercado da empresa saltou de 80 milhões de dólares australianos (equivalente a US$ 56 milhões) no ano passado para os atuais 2,3 bilhões de dólares australianos. Somente na terça-feira anterior, as ações da EQ Resources registraram um incremento de 16%.

Embora Kort reconheça a possibilidade de a China aumentar suas exportações e impactar os preços no futuro, ele observa que a “bifurcação” do mercado de tungstênio parece cada vez mais consolidada. Essa divisão é impulsionada, em grande parte, pela política do governo dos Estados Unidos de eliminar gradualmente o uso de materiais chineses e russos em suas cadeias de suprimentos de defesa. Essa tendência de desglobalização se tornou um fator predominante no cenário de minerais críticos. Para entender melhor como a dinâmica dos minerais críticos está moldando a geopolítica global, confira este artigo sobre o tema em Valor Econômico.

Complementando a estratégia, o Departamento de Defesa também concedeu à Elmet, que é acionista da EQ Resources, um contrato de US$ 2 bilhões na segunda-feira. O acordo visa o fornecimento de tungstênio à Agência de Logística de Defesa dos Estados Unidos, reforçando a segurança do suprimento para as necessidades militares do país.

“O que sobe sempre tem que descer, mas da minha perspectiva, acredito que um retorno aos níveis históricos talvez nunca aconteça, ou possa levar muito tempo”, ponderou Kort, ao discutir as projeções para os preços do tungstênio. Essa visão sublinha a crença de que as mudanças estruturais no mercado de commodities estratégicas são duradouras, impulsionadas por questões de segurança nacional e resiliência das cadeias de valor.

Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos

Em suma, a reativação da Mina Springer representa um marco na estratégia dos EUA para assegurar o fornecimento de tungstênio, um mineral vital para sua economia e defesa. Esta medida, impulsionada por investimentos governamentais e parcerias internacionais, visa fortalecer a independência da nação frente às instabilidades globais de suprimentos. Continue explorando as últimas notícias sobre economia, política e cadeias de suprimentos em nosso portal para se manter atualizado. Para mais informações sobre o cenário econômico e suas implicações, acesse nossa seção de Economia.

Crédito da imagem: Adobe Stock

Deixe um comentário