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Pobreza na Argentina Sobe Para 32,3% no 1º Semestre de 2026

Internacional

A pobreza na Argentina registrou um novo aumento, alcançando 32,3% da população em 31 aglomerados urbanos do país durante o primeiro semestre de 2026. Este percentual representa um contingente de 9,7 milhões de pessoas que se encontram abaixo da linha da pobreza. O dado contrasta com os 28,2% observados no semestre imediatamente anterior, evidenciando uma deterioração nas condições sociais de uma parcela significativa dos argentinos.

As regiões metropolitanas e urbanas analisadas pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) concentram a maioria dos cidadãos argentinos, totalizando 30,1 milhões de habitantes. A elevação dos índices de pobreza, conforme divulgado pelo Indec na quinta-feira (24), reflete uma preocupante tendência de agravamento da situação econômica e social no país vizinho, mesmo após períodos de aparente melhora.

Pobreza na Argentina Sobe Para 32,3% no 1º Semestre de 2026

A trajetória da pobreza sob a administração de Javier Milei tem sido marcada por flutuações. No segundo semestre de 2023, ao início de seu mandato, a taxa de pobreza era de 41,7%, saltando para 52,9% no segundo semestre de 2024. Subsequentemente, o indicador demonstrou uma queda contínua, atingindo 28% no ano anterior, um resultado que chegou a ser destacado pelo governo como um dos seus êxitos. Contudo, os números mais recentes revertem essa percepção positiva, indicando um recuo nas conquistas sociais.

O crescimento da pobreza no país não se manifesta isoladamente. Ele é acompanhado por um cenário econômico adverso, caracterizado pela diminuição do número de empresas, perda de postos de trabalho e uma retração na atividade econômica geral. Os dados do Indec apontam que a atividade econômica em julho apresentou uma queda de 2,9% em comparação com o mês de junho, sinalizando um arrefecimento no dinamismo produtivo e comercial da nação.

Além da elevação na taxa de pobreza, o número de indivíduos classificados abaixo da linha da indigência também experimentou um aumento significativo. No primeiro semestre de 2026, essa parcela da população alcançou 7,5%, o que equivale a 2,2 milhões de pessoas. No semestre anterior, a taxa de indigência estava em 6,3%, indicando que mais argentinos estão enfrentando dificuldades extremas para suprir suas necessidades alimentares básicas.

O Indec, órgão responsável pela coleta e análise desses dados, fundamenta suas medições da pobreza e indigência na capacidade das famílias argentinas de adquirir a cesta básica de alimentos e a cesta básica total. Esta última inclui, além dos alimentos, despesas essenciais como moradia, transporte e vestuário, oferecendo uma visão mais abrangente do custo de vida e do poder de compra da população.

Análises mais aprofundadas dos dados revelam um descompasso entre o aumento da renda e a elevação dos custos de vida. Embora a renda familiar per capita tenha registrado um aumento médio de 11,5% no período, o custo das cestas básicas cresceu em proporções maiores. A Cesta Básica Alimentar teve uma elevação média de 21,4%, enquanto a Cesta Básica Total subiu 19,6%. Essa disparidade no crescimento entre renda e despesas contribui diretamente para a diminuição do poder de compra e o consequente aumento da pobreza.

Um aspecto alarmante destacado pelo Instituto Nacional de Estatísticas da Argentina é a composição demográfica da população pobre. A maior parte das pessoas em situação de pobreza, correspondendo a 44,5% do total, é formada por crianças e adolescentes com idade de até 14 anos. Este dado sublinha a vulnerabilidade das futuras gerações e os desafios persistentes na proteção social infantil no país. Para mais informações detalhadas sobre a metodologia e os relatórios, pode-se consultar o site oficial do Indec.

Pobreza na Argentina Sobe Para 32,3% no 1º Semestre de 2026 - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Diante dos novos números, o governo argentino, por meio do ministro da Economia, Luis Caputo, manifestou-se nas redes sociais para minimizar o impacto do aumento da pobreza. Caputo reconheceu que as taxas de pobreza e indigência subiram 4,1 pontos percentuais e 1,2 ponto percentual, respectivamente, em comparação com o semestre anterior. Contudo, ele enfatizou que, em relação ao primeiro semestre de 2024, ambas as taxas ainda apresentavam uma forte queda, buscando contextualizar os dados dentro de uma perspectiva de médio prazo.

Em relação à retração de 2,9% na atividade econômica em julho, o ministro destacou que o desempenho acumulado nos sete primeiros meses do ano ainda era positivo, com um crescimento de 1,7%. Caputo atribuiu a queda pontual de julho a “choques transitórios” que afetaram diversos setores da economia. Entre os fatores citados, ele mencionou a menor disponibilidade de gás, impactando a indústria manufatureira; chuvas e nevascas acima das médias históricas, prejudicando a construção civil, a mineração e alguns serviços; e a redução das horas trabalhadas em certos setores, parcialmente devido aos efeitos da Copa do Mundo de Futebol.

A situação da pobreza e da atividade econômica na Argentina, conforme os dados divulgados, representa um complexo desafio para o governo e para a população. A necessidade de políticas eficazes para reverter essa tendência e garantir o bem-estar social é premente. As análises do Indec fornecem subsídios cruciais para compreender a dimensão do problema e direcionar as ações necessárias.

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Crédito da imagem: Keyframe/Reuters/ Proibido reprodução

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