No dia 27 de setembro de 2026, uma nova realidade começa a se desenhar nos maiores escritórios de advocacia dos Estados Unidos. A IA na Advocacia EUA, antes vista por muitos como uma ameaça externa, está sendo ativamente integrada, transformando as operações jurídicas e, por consequência, a dinâmica de cobrança de honorários. O setor, tradicionalmente conhecido por sua natureza conservadora, demonstra um entusiasmo crescente pela adoção de ferramentas de inteligência artificial, impulsionando a eficiência e a velocidade na execução de tarefas complexas.
Recentemente, após o lançamento de uma versão de um modelo de IA da OpenAI especificamente desenvolvida para profissionais do direito, diversas bancas de grande porte nos EUA exibiram com orgulho suas inovações tecnológicas. Este movimento destaca uma corrida pela vanguarda da tecnologia, onde a agilidade e a capacidade analítica da IA prometem revolucionar a prestação de serviços jurídicos.
IA na Advocacia EUA: Clientes Exigem Descontos por Uso
Entre as inovações, o Sullivan & Cromwell introduziu o Agreement Analyzer, ferramenta destinada a otimizar a análise de transações. O Cooley, por sua vez, apresentou o Go Public, um recurso para facilitar o complexo processo de elaboração do formulário S-1, essencial para ofertas públicas iniciais de ações. Já o Ropes & Gray revelou estar em fase de desenvolvimento de uma ferramenta de inteligência artificial capaz de gerar relatórios detalhados de due diligence, questão por questão, em apenas algumas horas, substituindo semanas de trabalho manual.
Essa onda de avanços tecnológicos no universo jurídico não é um fenômeno isolado. No último ano, gigantes da tecnologia como Google e Anthropic também lançaram ferramentas de IA direcionadas a advogados. Em resposta, escritórios de advocacia passaram a contratar diretores de IA, e líderes do setor, como o Kirkland & Ellis, anunciaram investimentos substanciais na criação de sistemas proprietários de inteligência artificial. Para mais informações sobre as inovações em IA, você pode consultar o blog oficial da OpenAI, uma das empresas que lideram essa transformação.
A Pressão por Descontos e a Percepção de Valor da IA
Enquanto para a maioria dos setores o domínio crescente da inteligência artificial seria um benefício inquestionável, no mercado jurídico, que opera sob o modelo de cobrança por hora, essa eficiência levanta questionamentos. Clientes começam a indagar: quando essa produtividade otimizada pela IA se traduzirá em honorários jurídicos mais acessíveis?
Neill Jakobe, vice-presidente do Ropes & Gray, compartilhou com o DealBook que os clientes já expressam satisfação com o uso da IA para agilizar o trabalho, mas questionam o impacto financeiro para eles. Essa pressão não se limita a pedidos verbais; alguns clientes estão utilizando a própria inteligência artificial para fundamentar suas solicitações de desconto.
Jennifer Leonard, fundadora da Creative Lawyers, uma consultoria especializada em adaptação de escritórios e departamentos jurídicos à IA, relata que agentes de IA são empregados para identificar nas faturas itens onde a tecnologia poderia ter economizado horas de trabalho. Clientes literalmente riscam esses itens, exigindo descontos, ou mencionam comunicados de imprensa sobre novas ferramentas de IA internas, cobrando uma redução nos valores.
Kyle Poe, vice-presidente de inovação jurídica na Legora, empresa de software jurídico, observa que equipes jurídicas internas de empresas frequentemente solicitam reduções gerais de 20% a 30% nas faturas dos escritórios de advocacia. A resistência a esses descontos por parte das bancas é comum, com a alegação de que a IA não está poupando tanto tempo – pelo menos não ainda – e que a tecnologia está alterando a natureza do trabalho, focando mais em análise de conteúdo e menos em tarefas repetitivas.
Novos Modelos de Negócios e o Futuro da Cobrança de Honorários
A pressão dos clientes surge em um momento em que os escritórios de advocacia enfrentam uma nova, embora ainda incipiente, concorrência: os chamados “escritórios nativos de IA”. Essas firmas dependem intensamente de agentes de inteligência artificial e adotam preços definidos antecipadamente, desafiando o modelo tradicional de cobrança por hora. A Norm AI, uma empresa de tecnologia com um escritório de advocacia afiliado focado no setor financeiro, captou um impressionante valor de US$ 260 milhões (equivalente a R$ 1,3 bilhão) em julho, atingindo uma avaliação de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,2 bilhões) em uma rodada de investimentos com nomes como Khosla Ventures, Blackstone e Bain Capital, que agora estão entre seus clientes.

Imagem: descontos devido ao uso de inteligência via c-level.folha.uol.com.br
Os escritórios de advocacia encontram-se em um dilema: usar IA para acelerar o trabalho pode reduzir as horas faturáveis, mas os preços por hora podem não aumentar na mesma proporção para compensar. Por outro lado, a recusa em adotar a IA abre espaço para a concorrência oferecer serviços mais baratos. Muitos especialistas do setor jurídico acreditam que o modelo de negócios atual precisará, eventualmente, ser revisto. Uma pesquisa do Citi no ano passado com 55 grandes escritórios revelou que 35% esperam mudanças em seus modelos de cobrança por hora em até um ano devido à IA, enquanto 65% preveem alterações até 2035.
Jeff Bleich, enviado especial internacional da Anthropic, ressaltou em um evento para profissionais do direito que a cobrança por hora pode não ser a solução ideal, algo que já se discute há bastante tempo. Apesar disso, não há uma necessidade imediata de uma revolução. A receita dos grandes escritórios cresceu, em média, mais de 12% nos primeiros seis meses do ano, com os valores padrão por hora registrando aumento de dois dígitos, conforme o Wells Fargo.
A cobrança por hora está profundamente enraizada em todas as operações dos escritórios, desde seguros até gestão de desempenho, e poucos esperam seu desaparecimento completo. Ela ajuda a gerenciar o risco em casos com tempo imprevisível, evitando desequilíbrios financeiros significativos. Contudo, parte do trabalho é previsível, e é neste segmento que os escritórios nativos de IA estão se concentrando, e onde analistas veem o maior potencial de disrupção.
Jennifer Leonard sugere que mais escritórios deverão adotar formas de cobrança alternativas para as partes repetitivas e intensivas em IA de um caso, mantendo o modelo por hora para trabalhos que demandam maior discernimento, como estratégia, negociação e representação. Ela lembra que honorários fixos já são prática comum para serviços específicos, como registros de marcas e constituição de empresas. Dirigentes de escritórios de advocacia indicam uma crescente abertura a modelos alternativos. Jon Ballis, presidente do Kirkland & Ellis, afirmou em julho que os grandes escritórios adotarão mais preços fixos, cobranças por projeto e modelos de honorários fechados, um processo que já está em andamento.
Jakobe, do Ropes & Gray, explica que o escritório dialoga com os clientes sobre o uso da IA no início e no fim de cada projeto, detalhando como a tecnologia foi empregada, sua contribuição e possíveis melhorias. Ele também demonstra maior abertura para discussões sobre honorários fixos. No entanto, a mudança é, na melhor das hipóteses, gradual. Kyle Poe, da Legora, destaca que nenhum escritório deseja ser o primeiro a liderar essa transformação radical, preferindo se preparar para o momento em que a mudança se tornar inevitável.
A incorporação da inteligência artificial nos escritórios de advocacia dos EUA representa uma evolução irreversível, que desafia os paradigmas de cobrança e eficiência. A crescente demanda por descontos por parte dos clientes e a emergência de novos modelos de negócio sugerem que o setor jurídico está à beira de uma significativa reestruturação. Fique por dentro de outras análises sobre o mercado e a tecnologia em nosso portal.
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Acompanhe as próximas notícias para entender como os escritórios se adaptarão a este cenário e como a IA continuará moldando o futuro da advocacia. Para mais conteúdo sobre inovações e tendências do mercado, continue navegando em nossa editoria.
Crédito da imagem: Gabriel Cabral/Folhapress







