O Debate Lula Flávio Bolsonaro na TV Globo, realizado em 24 de outubro de 2026, foi palco de uma série de embates acalorados entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A confrontação mais notável ocorreu após uma declaração do candidato do PL, que provocou uma reação indignada do presidente da República.
Durante o debate, Flávio Bolsonaro fez um comentário sobre Lula, afirmando que o presidente “dá com uma mão e tira com nove dedos”. A fala remete diretamente à perda do dedo mínimo da mão esquerda de Lula, ocorrida em 1964, quando ele tinha 17 anos e trabalhava como torneiro mecânico. A menção gerou uma forte resposta do petista.
Debate Lula Flávio Bolsonaro: Troca de Acusações na Globo
“Ele disse uma grande asneira e eu não vou levar para casa. Ele me chamou de nove dedos. Se tem alguém que sabe o que é o mundo do trabalho sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos, não vou permitir! Você vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador está vendo. Milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal que obriga a gente a trabalhar em jornada que a gente tem que ir trabalhar”, declarou Lula visivelmente irritado, exigindo um pedido de desculpas público.
Flávio Bolsonaro prontamente pediu desculpas pela ofensa. “Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender. Peço desculpa de verdade”. No entanto, o debate prosseguiu com novos ataques. O senador cobrou de Lula um pedido de desculpas à população. “Agora eu quero saber se você vai pedir desculpas os moradores de rua que dobraram diante do seu governo. E combate a pobreza esse que você faz?”, questionou Flávio, que também repudiou a referência de Lula a ele como “miliciano”.
Dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua indicam que, em dezembro de 2025, o Brasil registrava 365,8 mil pessoas em situação de rua. Este número representa um crescimento de 55% em relação a 2022, não os 100% mencionados por Bolsonaro. Pesquisadores apontam que o aumento pode estar relacionado a mudanças na metodologia de contagem, maior busca ativa e a inclusão de pessoas vulneráveis em políticas sociais, não necessariamente indicando um acréscimo de novas pessoas nessa condição.
Políticas Sociais em Destaque
O tema das políticas sociais também dominou parte do debate. Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. O candidato do PL reconheceu o voto e explicou sua mudança de posicionamento.
“Eu votei acreditando que isso poderia dificultar que as mulheres conseguissem arrumar emprego, eu estava errado. Hoje, depois que eu casei, depois que eu tenho duas filhas, mais do que nunca, eu sei da importância da mãe estar perto do filho, por até mais de 180 dias se possível”, justificou Flávio Bolsonaro.
O presidente Lula criticou a justificativa, afirmando que o adversário não respondeu à pergunta de forma objetiva. Ele também resgatou postagens antigas de Flávio nas redes sociais, nas quais o candidato do PL se referia ao programa Bolsa Família como “bolsa-farelo”. “É a falta de respeito com o povo pobre desse país”, rebateu Lula. Em sua resposta, Flávio Bolsonaro garantiu que, se eleito, manterá e ampliará os benefícios sociais, incluindo o Bolsa Família.
Discussão sobre Endividamento Nacional
Outro ponto de tensão foi o endividamento das famílias brasileiras e a dívida pública. Flávio Bolsonaro atribuiu ao governo atual o aumento das dificuldades financeiras da população e os juros elevados. “Lula, por que que você está deixando as famílias brasileiras tão endividadas? Já que uma vez que a dívida governo cresce, a dívida das famílias cresce junto”, questionou o senador, citando uma dívida de R$ 11 trilhões, em referência à Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), conforme medida pelo Banco Central do Brasil.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Flávio Bolsonaro apresentou sua proposta de utilizar a Caixa Econômica Federal para comprar dívidas dos bancos e refinanciá-las caso seja eleito. Em resposta, Lula afirmou que a iniciativa de renegociar dívidas já havia sido encaminhada por seu governo ao Senado. “Ele tá copiando uma coisa que eu já mandei pro Senado”, disse o presidente, mencionando ainda que sua gestão já havia implementado medidas de renegociação e perdão de dívidas, totalizando uma operação de R$ 15 bilhões e beneficiando 4,5 milhões de pessoas.
O Sistema Único de Saúde (SUS) em Pauta
A saúde pública também foi tema de questionamentos. Lula inquiriu Flávio Bolsonaro sobre declarações atribuídas a um membro de sua equipe econômica, que teria afirmado a falta de investimento no Sistema Único de Saúde (SUS). O presidente também criticou a gestão da pandemia de COVID-19 durante o governo anterior de Jair Bolsonaro.
“Como é que você quer melhorar a saúde desse país negando o plano de saúde mais importante que tem em qualquer país com mais de 100 milhões de habitantes?”, perguntou Lula. Ele ainda reforçou que “O SUS é o responsável por evitar que morresse mais gente da covid depois da responsabilidade do governo do pai dele”, e lembrou declarações controversas sobre vacinação e a ausência de uma resposta baseada em especialistas.
Em sua réplica, Flávio Bolsonaro garantiu a manutenção e ampliação dos investimentos no SUS, mas criticou a gestão atual, as longas filas de atendimento e o financiamento do sistema. “O tesouraço vai ser na corrupção do atual governo, o tesouraço vai ser na burocracia, o tesouraço vai ser nos impostos que você deu, foram mais de 30 que você criou ou aumentou”, declarou o candidato, acrescentando que as Santas Casas estariam endividadas e prometendo aumentar a tabela de procedimentos do SUS.
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O intenso debate na TV Globo entre Lula e Flávio Bolsonaro, marcado por acusações, pedidos de desculpas e a defesa de propostas sobre temas cruciais como políticas sociais, endividamento e saúde, demonstra a polarização e a relevância dos temas em discussão para as eleições. Para aprofundar sua análise sobre o cenário político e as próximas eleições, convidamos você a continuar navegando em nossa editoria de Política, onde você encontrará outras notícias e análises.
Edição: Juliana Cézar Nunes
Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil







