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Lula e Flávio focam Sudeste em último dia de campanha

Economia

No último dia da movimentada campanha eleitoral, os olhares dos candidatos à presidência se voltam para os principais centros urbanos do país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) direcionam seus atos derradeiros para cidades estratégicas do Sudeste, região que concentra os maiores colégios eleitorais do Brasil. A estratégia visa intensificar a mobilização de apoiadores e angariar votos cruciais nesta que é considerada a disputa mais acirrada da história recente do país.

A agenda final dos presidenciáveis reflete a importância de cada ponto percentual na corrida. Com o objetivo de maximizar o alcance e a influência, ambos os candidatos traçaram rotas que atravessam os estados mais populosos, buscando consolidar suas bases e, ao mesmo tempo, atrair eleitores indecisos ou que se abstiveram no primeiro turno.

Lula e Flávio focam Sudeste em último dia de campanha

Neste sábado (24), a programação de Lula se dividirá entre a capital fluminense e a paulista. O Rio de Janeiro, palco de grande votação para Flávio no primeiro turno, e São Paulo, considerado o berço político do petista, serão os focos principais. Paralelamente, Flávio Bolsonaro também fará campanha no Rio, mas iniciará o dia em Minas Gerais, um estado reconhecido como termômetro da disputa nacional e de suma importância para a definição do resultado presidencial. Às 10h, o candidato do PT participará de uma caminhada na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro. No mesmo horário, o senador do PL dará o pontapé inicial no “Bloco 22”, em Belo Horizonte, capital mineira.

Horas após o ato em Minas Gerais, Flávio se deslocará para o Rio de Janeiro, sua base eleitoral, para o último evento como candidato ao Palácio do Planalto. O encerramento da campanha bolsonarista ocorrerá em um local simbólico, associado ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na Barra da Tijuca. Enquanto isso, o candidato petista dará início a uma caminhada na emblemática Avenida Paulista, em São Paulo, buscando reafirmar sua força na maior cidade do país.

A escolha dos estados para o encerramento das campanhas não é meramente geográfica, mas sim estrategicamente calculada. Em conjunto, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais representam mais de 40% do eleitorado brasileiro. Estes três entes federativos foram determinantes para a vantagem de Flávio sobre Lula no primeiro turno. Além disso, registraram uma significativa perda de votos do atual presidente, que agora se esforça para reverter esse cenário, enquanto Flávio busca manter e, se possível, ampliar a dianteira.

Para o estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, a chapa de Lula apostou na presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como um articulador fundamental. Alckmin tinha como missão mobilizar o eleitorado, especialmente o segmento mais conservador. Com uma atuação mais discreta no primeiro turno, o vice-presidente intensificou suas viagens pelo Sudeste, região onde possui maior força política, realizando encontros com empresários e líderes religiosos. Seu objetivo era arrematar votos do centro político que optaram pela abstenção na primeira fase da eleição. Inclusive, Alckmin passou a conceder entrevistas quase diariamente, utilizando um canal próprio de transmissão no WhatsApp para a imprensa.

Inicialmente, uma parcela do Partido dos Trabalhadores manifestava críticas à participação mais comedida de Alckmin nesta eleição, especialmente quando comparada ao protagonismo que ele exerceu na chapa de 2022. Contudo, assessores do vice-presidente contra-argumentavam, afirmando que sua principal tarefa desde o começo da campanha era, de fato, concentrar esforços em São Paulo. Mesmo com tal dedicação, Lula finalizou o primeiro turno com uma diferença de quase 1 milhão de votos a menos no estado, em comparação com sua votação na eleição presidencial de 2022. No cenário estadual, o candidato do PT ao governo paulista, Fernando Haddad, também foi superado pelo atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que contou com o apoio direto de Flávio Bolsonaro.

Minas Gerais, por sua vez, foi o segundo estado onde o presidente Lula registrou a maior perda de votos, com aproximadamente 600 mil eleitores a menos em relação ao pleito anterior. Adicionalmente, o candidato Patrus Ananias (PT) foi derrotado por Cleitinho Azevedo (Republicanos) no dia 4 de outubro, apesar dos esforços do PT para levar a disputa para o segundo turno. Embora Lula não esteja em Minas Gerais neste sábado, ele realizou uma caminhada na capital mineira, Belo Horizonte, na quarta-feira (21), apenas quatro dias antes do segundo turno, sendo ovacionado por milhares de apoiadores durante todo o percurso de uma hora e meia.

O reforço das campanhas presidenciais em Minas Gerais é amplamente percebido como um fator decisivo para uma eventual vitória ao Palácio do Planalto. Além de ser um dos maiores colégios eleitorais do país, o estado é considerado uma peça-chave. Desde 1950, Minas Gerais mantém a tradição histórica de que o candidato à presidência da República que obtém a primeira colocação no estado vence a eleição nacional, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Enquanto Lula empreende uma intensa tentativa de reverter a perda de votos e alcançar uma virada histórica, Flávio busca consolidar seu eleitorado fiel e ampliar a vantagem numérica em relação ao adversário petista.

No Rio de Janeiro, além de ser o berço político do senador, Flávio celebrou a vitória de seu candidato ao governo do estado, Douglas Ruas (PL). Ruas foi declarado governador eleito já no primeiro turno das eleições, após a anulação dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos), decisão emitida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Lula e Flávio focam Sudeste em último dia de campanha - Imagem do artigo original

Imagem: Andre Penner via valor.globo.com

A estratégia do bolsonarista para conquistar o eleitorado mineiro está fortemente ancorada na figura de Nikolas Ferreira (PL-MG), o deputado federal mais votado na história do Brasil. O parlamentar foi um dos idealizadores do “Bloco 22” pelas ruas de Belo Horizonte e participará ativamente do ato deste sábado. A presença de Cleitinho Azevedo, que manteve uma postura mais discreta no segundo turno, ainda era incerta até a noite de sexta-feira.

A programação divulgada por Nikolas Ferreira para o “Bloco 22” em Minas Gerais prevê uma motociata que terá início na Praça do Papa e seguirá em direção à Praça da Liberdade. Os apoiadores que não estiverem em motos são aguardados diretamente na Praça da Liberdade, onde estão previstos discursos de encerramento da campanha. A estrutura do evento também contará com um trio elétrico para animar os militantes.

Após sua passagem por Belo Horizonte, Flávio seguirá para o Rio de Janeiro, onde dará o desfecho à sua campanha em um local de grande simbolismo para o bolsonarismo: a casa de Jair Bolsonaro. Este endereço se transformou em um ponto de encontro e aglutinação de militantes e apoiadores depois que o ex-presidente utilizou o local para sua recuperação da facada sofrida em Juiz de Fora (MG).

A antiga residência de Bolsonaro, situada no condomínio Vivendas da Barra, foi adquirida em 2009 e serviu como o quartel-general da campanha presidencial de 2018. O ex-presidente residiu no local até dezembro daquele ano, momento em que se mudou para Brasília para assumir a Presidência da República.

A reta final da campanha acontece sob a expectativa de Lula de protagonizar, pela primeira vez na história, uma “virada” em relação ao resultado do primeiro turno, quando o petista ficou atrás na disputa. Contudo, caso o candidato do PT seja derrotado neste domingo (25), será a segunda vez que um chefe do Executivo não consegue a reeleição. O primeiro a experimentar esse revés foi Jair Bolsonaro, pai de Flávio, em 2022.

Já a campanha do candidato do PT adota uma tática de evitar desgastes desnecessários até o domingo, com uma redução na exposição pública do candidato, a fim de manter a dianteira conquistada. O foco principal ao longo da última semana foi a preparação minuciosa para o debate entre os presidenciáveis na TV Globo, que ocorreu na noite de sexta-feira (23).

A grande inovação e, ao mesmo tempo, motivo de apreensão para a candidatura de Flávio neste segundo turno, foi a guinada na comunicação digital da campanha de Lula. Repetindo a fórmula vitoriosa de 2022, o partido acionou o deputado André Janones (Rede-MG) para mobilizar intensamente a militância nas redes. O canal “Exército do Lula”, que contabiliza mais de 10 milhões de inscritos no WhatsApp, tornou-se uma das ferramentas mais potentes de mobilização para impulsionar uma possível virada.

Flávio, por sua vez, manteve uma leve vantagem em todas as pesquisas de intenção de voto, embora a margem entre os dois candidatos tenha se estreitado consideravelmente ao longo do segundo turno. Na quinta-feira (22), a apenas três dias do segundo turno, o candidato do PL registrava 47% das intenções de voto e Lula, 46%, conforme a pesquisa Datafolha. No entanto, quando considerados os votos válidos, os dois candidatos apareciam numericamente empatados, ambos com 50%.

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Em suma, a disputa presidencial chega ao seu clímax com os candidatos concentrando esforços no Sudeste, um campo de batalha eleitoral decisivo. Acompanhe a cobertura completa e análises aprofundadas sobre o panorama político brasileiro em nossa editoria de Política.

Crédito da imagem: Agência Brasil

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