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Abelardo de la Espriella Vence Eleição na Colômbia: Perfil

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**Abelardo de la Espriella** emergiu como o virtual vencedor do segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia, de acordo com a contagem preliminar das cédulas. O candidato de direita superou seu oponente, o esquerdista Iván Cepeda, por uma margem de quase um ponto percentual nos resultados iniciais, embora Cepeda tenha solicitado cautela e aguarde o anúncio oficial.

O líder da direita colombiana expressou gratidão, atribuindo o resultado a um “milagre” operado em uma situação complexa e teceu críticas ao partido governista. Ele enfatizou que a vitória representa um marco “épico” ao derrotar o regime, algo que, segundo suas palavras, “só foi possível com a graça de Deus”.

Abelardo de la Espriella Vence Eleição na Colômbia: Perfil

Com 47 anos, Abelardo de la Espriella se destaca por seu carisma, um estilo que flerta com o espetáculo e declarações incisivas e provocadoras. Ele constrói sua imagem pública como um empresário bem-sucedido, apreciador do que define como alta cultura e bom gosto. Seu discurso foi meticulosamente elaborado para conquistar o eleitorado conservador e desafiar o atual governo. Ao longo de sua carreira, De la Espriella esteve envolvido em processos contra jornalistas, enfrentou acusações de sexismo e publicamente se declara o “maior inimigo do comunismo”.

Sua entrada na campanha presidencial foi marcada por propostas populistas. O lançamento de sua candidatura teve como principal objetivo interromper a continuidade do projeto político do presidente Gustavo Petro. Impulsionado por seu movimento “Defensores da Pátria”, seu percurso político ganhou força no final de 2025, quando as pesquisas começaram a posicioná-lo como a voz proeminente do voto anti-Petro no país. Em 13 de março de 2026, Abelardo de la Espriella oficializou sua campanha para as eleições presidenciais, ao lado de seu companheiro de chapa, José Manuel Restrepo, em Cali.

Durante a campanha, De la Espriella demonstrou abertura para receber apoio de todos os setores políticos, com a única exceção daqueles alinhados a Petro. As pesquisas, de forma consistente, o apontaram como favorito, mesmo sem filiação a um partido político tradicional. O advogado declarou que sua inspiração para entrar na política surgiu do alarme provocado pela fraude eleitoral na Venezuela em 29 de julho de 2014. Ele afirmou buscar evitar o risco de um governo que pudesse ameaçar as liberdades fundamentais ou tentar perpetuar-se no poder.

De la Espriella, que se autodenomina o “Tigre”, manifestou simpatia por alguns líderes de direita na região, incluindo Donald Trump, e foi comparado pela mídia a Nayib Bukele. Ele elogiou o sistema prisional do presidente salvadorenho, indicando que seu governo promoveria a construção de megaprisões de alta segurança. Ele nunca ocupou um cargo público ou administrou contratos estatais, apresentando essa ausência de vínculos com o *establishment* como prova de ser um verdadeiro *outsider* na disputa. Adicionalmente, ele alega não ter grandes financiadores, afirmando ser um empreendedor que construiu seu próprio sucesso e, portanto, sem obrigações com a elite. Apresenta-se como admirador do legado de Álvaro Uribe e, assim como o ex-presidente colombiano, propõe uma política de tolerância zero contra a corrupção, buscando liderar o que ele chama de “pós-Uribe” e ser o rosto da nova direita na Colômbia.

**Da Advocacia Midiática ao Cenário Político**

Nascido em Bogotá em 31 de julho de 1978, Abelardo de la Espriella cresceu em Montería, na costa caribenha colombiana. Sua formação em Direito foi pela Universidade Sergio Arboleda, e em 2002, fundou o escritório De la Espriella Lawyers, com filiais em Barranquilla, Bogotá, Medellín e Miami. Sua atuação como advogado o levou a representar figuras proeminentes, incluindo políticos, artistas e militares, em casos que envolviam difamação, extorsão e processos criminais. Entre seus clientes mais controversos, ele defendeu Álex Saab, suposto testa de ferro de Nicolás Maduro e ex-ministro da Indústria da Venezuela, e David Murcia Guzmán, condenado por orquestrar um esquema maciço de lavagem de dinheiro. Durante a campanha, seus laços com Saab foram frequentemente criticados, embora o advogado tenha negado qualquer conexão pessoal com aqueles que defendeu. No entanto, De la Espriella também representou vítimas emblemáticas de violência de gênero, contribuindo para a promulgação de leis importantes na Colômbia.

Além de sua carreira jurídica, o milionário e empresário Abelardo de la Espriella expandiu seus empreendimentos. Desenvolveu suas próprias marcas, gravou álbuns como cantor e projetou uma imagem de dândi cosmopolita, com residências na Itália e nos Estados Unidos. Esse perfil, pouco convencional para um candidato à Casa de Nariño, a residência oficial do presidente colombiano, solidificou sua persona pública.

Em julho de 2025, ele lançou o movimento “Defensores da Pátria”, fundamentado em ideais nacionalistas conservadores. Curiosamente, embora De la Espriella tenha se descrito anteriormente como ateu, sua campanha incorporou valores religiosos como parte fundamental de sua plataforma. Em seu site, ele afirma que a defesa da causa cristã é uma prioridade que caminha lado a lado com a restauração da ordem pública, e em uma publicação, ele alega ter “encontrado Deus” nos últimos anos. Em 2012, De la Espriella manifestou concordância com o processo de paz com as Farc e a participação de líderes guerrilheiros na política. No entanto, durante sua campanha atual, ele adotou a postura de que “a paz não é negociada, é imposta”, argumentando que os processos de paz anteriores não foram eficazes.

Em suas aparições na mídia e nas redes sociais, ele propôs a pena de morte para assassinos de crianças, manifestou-se contra o aborto e se declara um defensor da família tradicional, composta por pai e mãe, embora ressalte respeitar a jurisprudência do Tribunal Constitucional sobre direitos. O tema central de sua campanha tem sido a segurança. Suas propostas incluem a reativação da fumigação e pulverização aérea contra plantações ilícitas, o uso do poder aéreo e das Forças Armadas para atacar grupos criminosos, a renovação de alianças militares estratégicas com os Estados Unidos e Israel para melhor equipar o Exército, a proibição da importação de suprimentos para a produção de fentanil — que ele denomina “Plano Colômbia 2.0” — e a criação de um bloco de busca especializado para capturar líderes de quadrilhas de extorsão.

Durante uma entrevista à CNN em Bogotá, ele afirmou que a Colômbia enfrenta uma “pandemia de insegurança” e prometeu combater o narcotráfico “pela razão ou pela força”, dentro dos limites constitucionais. Ele também defendeu uma relação mais estreita com os Estados Unidos, declarando que “os EUA precisam de nós tanto quanto nós precisamos deles para combater as drogas em conjunto e restabelecer plenamente as relações diplomáticas”. No campo econômico, propõe a redução da carga tributária geral, com a visão de diminuir o tamanho do Estado para “limpar” as finanças públicas. Contrário à postura de Petro, De la Espriella afirmou que assinará novos contratos de exploração de petróleo. Adicionalmente, ele declarou sua oposição a manter relações diplomáticas com o governo venezuelano de Delcy Rodríguez até que eleições democráticas sejam realizadas no país vizinho. Para saber mais sobre o cenário político na Venezuela, um fator de preocupação para muitos na região, consulte notícias sobre a política venezuelana.

**A Ascensão na Direita Fragmentada**

Abelardo de la Espriella formalizou sua candidatura ao registrar impressionantes 4,8 milhões de assinaturas e lançou sua campanha em novembro, em um evento de grande porte realizado em uma casa de shows em Bogotá. Sua ascensão foi impulsionada pelo caos que marcou a campanha eleitoral da direita colombiana. Após o assassinato do candidato Miguel Uribe Turbay, o partido uribista Centro Democrático enfrentou uma série de equívocos na escolha de sua candidata, Paloma Valencia, que acabou vencendo as primárias de centro-direita em março. No centro político, a candidatura de Sergio Fajardo perdeu fôlego devido à sua relutância em formar alianças ou participar de uma primária. Enquanto a esquerda se consolidava em torno de Iván Cepeda, De la Espriella habilmente se posicionou como o porta-estandarte do voto anti-governo Petro.

Nesse cenário, sua rápida ascensão na campanha eleitoral permitiu que De la Espriella assumisse a liderança da fragmentada direita colombiana, ofuscando a senadora uribista Valencia. Em janeiro, o Movimento de Salvação Nacional, um grupo conservador, co-apoiou sua candidatura, e os candidatos do partido ao Congresso iniciaram a campanha em seu favor. Posteriormente, ele obteve o apoio do Creemos, liderado pelo prefeito de Medellín e ex-candidato à presidência Federico “Fico” Gutiérrez.

**Ações Judiciais Contra a Imprensa e Acusações de Sexismo**

Abelardo de la Espriella possui um histórico de embates judiciais com jornalistas. Sua campanha, por exemplo, moveu um processo contra a colunista Ana Bejarano por um artigo que questionava sua carreira profissional e seu discurso político. Ele rejeitou o conteúdo da coluna e contestou as afirmações, mesmo quando baseadas em fontes e reportagens anteriores.

Segundo a Fundação para a Liberdade de Imprensa, essa reação reforça um padrão de pressão judicial que induz à autocensura. Seu histórico inclui processos e denúncias contra jornalistas desde 2018, ataques e desinformação após investigações e alertas sobre processos judiciais que o ligaram a Álex Saab e David Murcia Guzmán. Entre 2008 e 2019, De la Espriella apresentou 109 denúncias por difamação e calúnia, muitas das quais foram arquivadas pelo Ministério Público, conforme noticiado pelo jornal “La Silla Vacía”. A Associação Interamericana de Imprensa (AIIP) também criticou o uso do sistema judicial neste caso, afirmando que esse tipo de processo busca punir e silenciar vozes críticas, e alertou que essas ações judiciais repetidas não visam reparar danos legítimos, mas sim provocar o desgaste emocional e econômico dos jornalistas.

Além das ações contra a imprensa, suas atitudes em relação a jornalistas mulheres também geraram críticas. Nas últimas semanas, De la Espriella entrou em conflito com a jornalista María Lucía Fernández no programa “Noticias Caracol”, em uma interação que alguns descreveram como sexista e condescendente. Adicionalmente, durante uma entrevista no programa “Piso 8”, De la Espriella exibiu uma foto em seu celular e solicitou a uma jornalista que desse zoom em uma imagem sugestiva de sua virilha, enquanto ele e outros presentes faziam comentários de cunho sexual. Embora tenha se desculpado nas redes sociais posteriormente, essas críticas não pareceram afetar seus índices de aprovação, reforçando a máxima de que “não existe publicidade ruim”, e que “tudo se soma”.

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A vitória preliminar de Abelardo de la Espriella na eleição colombiana reflete uma mudança significativa no cenário político do país, consolidando a ascensão de um candidato com um perfil midiático, propostas de direita e um histórico controverso. Sua trajetória, marcada por uma campanha anti-governo e estratégias populistas, demonstra a complexidade e a polarização da política colombiana atual. Para aprofundar-se em outros temas relevantes e análises políticas, continue navegando em nossa editoria de Política.

Crédito da imagem: Sebastian Marmolejo/Long Visual Press/Universal Images Group via Getty Images

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Imagem: Getty via cnnbrasil.com.br

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