As ações da Natura (NATU3) registraram uma significativa desvalorização em 2025, com uma queda acumulada superior a 30% no ano. Somente no mês de novembro, os papéis da gigante brasileira de cosméticos caíram 12%, e um recuo ainda mais acentuado, de 15,65%, foi observado no dia 11 de novembro, imediatamente após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2025 (3T25). Essa performance negativa levanta questionamentos no mercado sobre os fatores que impactam a companhia.
De acordo com análises do BB Investimentos, a retração dos papéis da Natura não se deve a um fator isolado, mas sim a uma combinação complexa de elementos macroeconômicos e desafios internos que vêm afetando a confiança dos investidores na tese de negócio da empresa. A volatilidade e as incertezas presentes no cenário econômico brasileiro desempenham um papel crucial nesse contexto de desvalorização.
Ações da Natura (NATU3) Caem Mais de 30% em 2025: Entenda os Motivos
Um dos pilares dessa pressão sobre a Natura reside no cenário macroeconômico adverso, caracterizado pelo encarecimento do crédito e pela diminuição do poder de compra dos consumidores brasileiros. Em um ambiente de maior restrição financeira, as famílias tendem a cortar gastos com bens não essenciais, categoria na qual muitos produtos da Natura se enquadram. Essa cautela do consumidor impacta diretamente as vendas e, consequentemente, a receita da companhia.
Paralelamente, a Natura enfrenta desafios operacionais e estratégicos internos, especialmente no que tange à integração e ao futuro da marca Avon. Desde o início de 2024, o mercado aguardava uma definição clara sobre o destino da Avon. Parte dessa incerteza foi resolvida com a venda da Avon CARD e o anúncio de um acordo vinculante para a alienação da Avon International (ex-Rússia). Essas movimentações são vistas como um passo importante para reduzir as dúvidas sobre os futuros resultados financeiros do grupo.
Historicamente, a operação da Avon, que tem enfrentado retração nos últimos anos, impactou negativamente os números positivos da marca Natura, tanto no Brasil quanto na América Hispânica. A simplificação da estrutura societária e operacional, com a venda de parte dos ativos da Avon, visa aprimorar o foco e a rentabilidade das operações remanescentes.
Adicionalmente, a “Onda 2” de integração entre Natura e Avon em mercados estratégicos como México e Argentina tem se mostrado mais demorada do que o esperado. As sinergias e oportunidades esperadas desse processo ainda não se materializaram no ritmo desejado pelo mercado. Fatores específicos, como a hiperinflação na Argentina e o processo de adaptação de um modelo de vendas baseado em revista física para um catálogo 100% digital, adicionam camadas de complexidade às operações regionais, conforme análise do BB Investimentos.
Em relatório recente, o JPMorgan reiterou que a pressão contínua sobre a Avon em mercados-chave como Brasil, México e Argentina segue limitando a performance geral do grupo. Embora a integração regional tenha gerado alguns ganhos de rentabilidade, estes ainda não foram suficientes para reverter a trajetória recente de desvalorização. Contudo, o banco projeta um fluxo de caixa livre (FCF) com rendimento estimado em cerca de 12% para 2026, o que pode atenuar parte dos riscos, embora o mercado ainda aguarde sinais mais concretos de uma retomada consistente.
Outro ponto de atenção destacado pelo JPMorgan é a maturidade do canal de vendas diretas. Este canal, que historicamente responde por aproximadamente 25% do mercado, tem perdido relevância à medida que o varejo físico e o e-commerce expandem sua participação. A Natura tem buscado diversificar seus canais de vendas, mas essa transição ocorre de forma gradual, sem impactos imediatos que pudessem impulsionar a performance.
O Morgan Stanley, por sua vez, apontou que os resultados do terceiro trimestre de 2025 apresentaram desafios significativos. A receita da Natura caiu 13%, e o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) ajustado recuou 33% no período, ficando aquém das estimativas do próprio Morgan Stanley. Diante desses números, o banco revisou para baixo suas projeções de receita e Ebitda em 8% para os anos de 2026 e 2027, além de reduzir a estimativa de lucro líquido em até 22%.

Imagem: infomoney.com.br
A recomendação do Morgan Stanley para as ações da Natura permanece em “equalweight” (exposição em linha com a média do mercado), com um preço-alvo de R$ 10. Essa postura reflete a cautela do banco em relação à recuperação da Avon e à execução das metas estratégicas da companhia. A expectativa é que a venda da Avon Internacional (exceto Rússia), prevista para o primeiro trimestre de 2026, permita à Natura focar exclusivamente em suas operações latino-americanas e retomar a geração de caixa, buscando reduzir a alavancagem para patamares considerados ideais. Em conversas com o banco, a Natura também sinalizou a intenção de voltar a distribuir capital aos acionistas após a conclusão do processo de simplificação de sua estrutura.
Apesar dos avanços estratégicos, o Morgan Stanley ressalta que é crucial obter maior visibilidade sobre a recuperação operacional da empresa para justificar uma posição mais otimista por parte dos investidores.
O BB Investimentos acompanha a visão cautelosa, mantendo uma recomendação equivalente à “neutra” para os papéis da Natura. A equipe de análise prevê um cenário desafiador para a empresa nos próximos meses, com uma melhora nos indicadores macroeconômicos, como o início de um ciclo de queda de juros no Brasil, sendo esperada apenas a partir do primeiro trimestre de 2026. Embora o movimento de simplificação promovido pela companhia seja visto como positivo, e a força e capilaridade da marca Natura sejam reconhecidas, o contexto macroeconômico continua restritivo para empresas varejistas, como a Natura Cosméticos.
No panorama geral do mercado, uma compilação da LSEG revela que, das 11 casas de análise que cobrem as ações da Natura, apenas 3 possuem recomendação de compra, enquanto a maioria (8 casas) mantém uma recomendação neutra. Esse consenso de cautela entre os analistas reflete as incertezas ainda presentes em relação à trajetória futura da empresa, apesar dos esforços de reestruturação e foco estratégico.
Para entender melhor o cenário econômico que afeta o poder de compra e o crédito, é fundamental acompanhar as decisões sobre a política monetária do país.
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A desvalorização das ações da Natura (NATU3) em 2025 reflete uma complexa interação de fatores macroeconômicos, como o encarecimento do crédito e a redução do poder de compra, somados a desafios internos relacionados à integração da Avon e à maturidade do canal de vendas diretas. Enquanto a companhia avança na simplificação de sua estrutura e na venda de ativos, o mercado financeiro aguarda sinais mais robustos de recuperação operacional para um posicionamento mais otimista. Fique atento às futuras análises e resultados da empresa acompanhando nossa editoria de Economia.
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