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Governo Lula tenta adiar sabatina de Messias ao STF

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A tentativa de **adiamento da sabatina de Jorge Messias ao STF** (Supremo Tribunal Federal) pelo governo Lula tornou-se um ponto de tensão no cenário político nacional. A estratégia governista visa ganhar tempo crucial na busca por apoio e votos no Senado Federal, com o objetivo de evitar o que seria uma derrota de grande peso para a administração. No entanto, essa articulação encontra forte resistência por parte do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

O advogado-geral da União, Jorge Messias, foi indicado à vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, que ocorreu em outubro. Para o Palácio do Planalto, a aprovação de seu indicado é fundamental, mas o mapa de votação atual revela um cenário desafiador. A impaciência do governo em ver seu nome aprovado se choca com a necessidade de um período maior para articulações, evidenciando as complexidades das relações entre os poderes Executivo e Legislativo.

Governo Lula tenta adiar sabatina de Messias ao STF

A principal tática dos governistas para postergar a sabatina, tanto na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) quanto no plenário do Senado, reside na não formalização da indicação presidencial de Messias. Até o momento, a nomeação foi apenas divulgada no Diário Oficial da União, faltando o envio da mensagem oficial ao Congresso Nacional. “Em algum momento Lula e Davi vão conversar para discutir melhor momento para enviar a mensagem. Pode ser antes ou pode ser depois do dia 10. Sabatina só pode acontecer após o envio da mensagem”, explicou o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), sinalizando que o diálogo entre o presidente da República e o presidente do Senado é crucial para definir o cronograma.

Nos bastidores do Senado Federal, a movimentação de Jorge Messias é intensa. Aliados do indicado reconhecem que o tempo disponível para angariar os apoios necessários é escasso. Messias tem realizado um verdadeiro “périplo”, percorrendo gabinetes de senadores em busca de votos e dialogando abertamente sobre sua visão para o Supremo Tribunal Federal. Relatos indicam que ele chegou a abordar senadores em locais informais, como o estacionamento da Casa, numa demonstração da urgência e da dedicação em sua campanha por apoio parlamentar, conforme observado em sua conversa com o senador Angelo Coronel (PSB-BA) em uma noite de quarta-feira.

Apesar dos esforços, o cenário da votação permanece desafiador. O advogado-geral da União ainda está distante de alcançar os 41 votos mínimos requeridos para a aprovação de sua indicação. Aliados de Messias confirmam que o apoio das bancadas do PT, PSB e PDT já está garantido. Contudo, o foco principal neste momento se volta para conquistar a adesão de bancadas mais amplas, como as do PSD, MDB e União. A CNN Brasil apurou que até mesmo figuras da direita, com bom trânsito no STF, aconselharam o indicado a insistir no adiamento, sugerindo que um prazo extra poderia ser decisivo para superar resistências e permitir que o Planalto contornasse a crise política com a liderança do Senado.

Resistência de Alcolumbre e Contexto Político

A oposição de Davi Alcolumbre é um dos principais obstáculos. O presidente do Senado tinha um interesse pessoal na vaga, desejando que seu aliado, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), fosse o indicado para preencher a cadeira no Supremo Tribunal Federal. Essa preferência pessoal adiciona uma camada de complexidade às negociações e ao desejo de Alcolumbre de pautar a sabatina, frustrando os planos do governo de protelá-la.

Governo Lula tenta adiar sabatina de Messias ao STF - Imagem do artigo original

Imagem: cnnbrasil.com.br

Além da forte resistência de Alcolumbre, senadores apontam outros fatores que mobilizam a oposição a impor uma derrota ao governo. Um desses fatores é a condenação definitiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e três meses por tentativa de golpe. Esse evento político tem sido um catalisador para a oposição se unir e buscar demonstrar força, usando a sabatina de Jorge Messias como uma oportunidade para enfraquecer a agenda do governo Lula. O processo de indicação de ministros ao Supremo Tribunal Federal e as sabatinas no Senado são pilares do sistema democrático brasileiro, como detalhado pelo Senado Federal.

O Papel da CCJ e o Posicionamento de Otto Alencar

O senador Otto Alencar (PSD-BA), que preside a Comissão de Constituição e Justiça, desempenha um papel central neste processo. Sobre a possibilidade de adiamento da votação, ele declarou que não pode fazer tal garantia, enfatizando que a decisão final cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. “Acho que não vai adiar. Não, não sei de nada. Eu não posso dizer que vai adiar nada, porque eu não sou presidente do Senado. Se chegar a mensagem e ele também encontrar uma saída, se conversar com alguém do governo, eu não posso achar nada”, disse Otto Alencar, demonstrando cautela em suas declarações.

Segundo o relato de Otto Alencar, Alcolumbre inicialmente pretendia marcar a sabatina para o dia 3 de dezembro. No entanto, Otto ponderou pela necessidade de mais uma semana, e a data foi então remarcada para o dia 10 de dezembro. “O Jorge Messias achou o tempo curto. Então ele pode ter conversado com o Lula e encontrar um espaço maior”, complementou o presidente da CCJ, sugerindo que a solicitação de mais tempo partiu do próprio indicado. Interlocutores de Otto revelaram à CNN Brasil que ele seria favorável ao adiamento da sabatina, mas busca evitar qualquer confronto direto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sublinhando a delicadeza da situação política.

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A situação envolvendo o adiamento da sabatina de Jorge Messias ao STF exemplifica as complexas dinâmicas de poder e as negociações nos bastidores da política brasileira. Com o governo buscando votos e o presidente do Senado resistindo, o desfecho dessa disputa promete impactar a articulação política do Planalto. Para acompanhar as últimas novidades e análises aprofundadas sobre este e outros temas da política nacional, continue navegando em nossa editoria de Política.

Crédito da imagem: Agência Senado