As quatro principais campanhas adversárias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentaram suas propostas econômicas para um eventual governo a partir de 2027. As discussões revelaram um consenso em torno da necessidade de um robusto ajuste fiscal, que incluiria um “tesouraço” nos gastos públicos, redução de emendas parlamentares, busca por juros de um dígito, privatizações de estatais e uma nova reforma da Previdência. Em algumas frentes, chegou-se a discutir o fim dos benefícios concedidos à Zona Franca de Manaus.
Representantes econômicos dos postulantes de direita – Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) – compartilharam essas diretrizes nesta quinta-feira (13) em São Paulo. O debate ocorreu no Fórum Caminhos da Liberdade, focado nas escolhas econômicas dos presidenciáveis. A equipe do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidada para o evento, mas não enviou representante. Um ponto em comum e largamente defendido por todos foi a prioridade do ajuste fiscal como medida inicial, argumentando que tal ação levaria naturalmente à queda das taxas de juros no país.
Adversários de Lula Detalham Propostas Econômicas 2027
Entre as principais propostas econômicas dos adversários de Lula, a reforma estrutural da economia brasileira emergiu como pilar central. O diagnóstico partilhado pelos representantes aponta para um cenário de desequilíbrio fiscal que necessita de intervenções radicais para restabelecer a confiança do mercado e a saúde das contas públicas. A visão geral é de que a austeridade e a eficiência na gestão pública são indispensáveis para pavimentar o caminho para um crescimento econômico sustentável.
As Medidas Propostas por Cada Campanha
**Flávio Bolsonaro**
Felipe Trevisan, porta-voz da campanha de Flávio Bolsonaro, detalhou uma abordagem contundente, defendendo um “grande tesouraço” que resultaria em um ajuste fiscal equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Suas propostas incluem um corte substancial de gastos e cargos na administração pública, uma drástica redução no número de ministérios e a venda de imóveis e empresas pertencentes à União. Trevisan enfatizou que o foco seria na “gordura do estado”, no tamanho da máquina pública e nos supersalários, advertindo que as medidas seriam “impopulares para uma classe privilegiada, parasita que se beneficia”.
**Ronaldo Caiado**
Roberto Brant, representando a campanha de Ronaldo Caiado, defendeu a implementação de um regime fiscal que inspire credibilidade, com um corte de gastos considerado “duro”. Ele propôs um limite “muito duro” para o aumento da despesa primária nos primeiros dois anos de governo. Brant afirmou que, se eleito, Caiado faria um governo “realmente impopular”, comprometido com um único mandato, disposto a fazer “o que for preciso, sabendo que vai custar caro”, mas sem entrar em detalhes específicos sobre as ações. Entre as medidas citadas, destacam-se o corte de emendas parlamentares e a redução salarial de integrantes do Judiciário, argumentando que “se não fizer isso, não pode mexer no salário mínimo”. Brant criticou a captura do Brasil por “piores interesses”, descrevendo o Congresso como “núcleos de negócios” e deputados como “franquias”, reafirmando a impopularidade necessária de um futuro governo Caiado.
**Renan Santos**
João Landau, coordenador econômico da campanha de Renan Santos, expressou ceticismo em relação a algumas propostas dos adversários, minimizando a relevância de um “tesouraço” ou da venda de imóveis. Para Landau, o “buraco é muito grande” e exige um “ajuste de conta de verdade para começar”. A medida mais radical apresentada por ele foi o fim dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus, classificando-a como ineficaz e um “escárnio” que resulta em dinheiro nas mãos de lobistas. Ele defendeu um “ajuste radical” para a economia do país.
**Romeu Zema**
Carlos da Costa, à frente do programa econômico de Romeu Zema, propôs um “revogaço” de normas e regulamentações, além do ajuste fiscal. Ele também apresentou medidas para estimular a produção e facilitar o acesso ao crédito para a população, como um Pronamp emergencial e o Cadastro Positivo 2.0. Costa defendeu a redução dos juros e indicou que um governo Zema realizaria uma nova reforma da Previdência. Embora não tenha detalhado a proposta, ele ressaltou a importância de um “amadurecimento” da discussão para criar um “equilíbrio mínimo” para a Previdência Social.
Convergência na Redução dos Juros e Críticas à Gestão Atual
Um ponto de convergência entre os quatro representantes das campanhas de direita foi a defesa da redução da taxa de juros. Sem especificar como, todos afirmaram que uma mudança na condução do governo levaria à queda dos juros. Trevisan, por exemplo, atribuiu os juros elevados, os mais altos do mundo, a um “governo irresponsável”, clamando por uma “mudança radical na condução do país”. Ele enfatizou a necessidade de corte de gastos e controle da dívida pública, garantindo que o resgate da confiança resultaria na queda da taxa Selic, em decorrência da responsabilidade fiscal.
Brant defendeu a taxa de um dígito e considerou os juros um “retrato do país”, defendendo um regime fiscal que “contenha trajetória de estabilização da dívida em prazo razoável e um governo que mereça confiança”. Da Costa reiterou que os juros altos são um reflexo da “falta de confiança” e de uma “crise moral”, afirmando que “não é o Banco Central que define juro, é o que define a falta de credibilidade”. Ele alertou que a permanência do PT na Presidência resultaria na volta da inflação devido à ausência de corte de gastos. Defendeu a recuperação da credibilidade através de um “choque fiscal” e uma expansão rápida das privatizações no primeiro ano de governo, o que reduziria a dívida e faria os juros caírem. “Gradualismo não é receita eficaz. Precisa de choque fiscal”, concluiu. Para um aprofundamento sobre a política monetária, visite o site do Banco Central do Brasil.
Avaliação do Governo Lula: Pontos Positivos e Negativos
Questionados sobre as ações do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os participantes convergiram nas críticas à gestão das contas públicas, mas apresentaram perspectivas variadas. Trevisan, Brant e Costa apontaram o aumento das despesas e a falta de controle fiscal como os principais problemas. Landau, por sua vez, destacou que o desequilíbrio começou antes da gestão atual, responsabilizando também o governo Jair Bolsonaro pelas medidas de 2022.
Trevisan expressou dificuldade em identificar uma iniciativa positiva do governo atual, classificando a política fiscal como o maior problema: “Uma responsabilidade fiscal absolutamente incontrolável, um gasto mal gasto, incontrolável”, associando esse cenário aos juros, inflação e endividamento das famílias. Brant também criticou o atual regime fiscal, alegando que a substituição do modelo anterior não foi acompanhada de mecanismos para garantir as metas, resultando em juros elevados, empresas endividadas e perda de capacidade de investimento. Ele citou a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil como uma medida positiva.
Landau destacou a busca por maior isonomia tributária como ponto positivo, mas reiterou que o descontrole fiscal não é exclusivo da atual gestão, tendo se intensificado em 2022 com o “populismo eleitoral feito pelo governo Bolsonaro”. Ele criticou a expansão das despesas sem a devida melhoria no bem-estar da população. Costa também teceu críticas ao arcabouço fiscal, cobrando maior fiscalização da sociedade sobre as despesas e questionando a verdade por trás da narrativa de corte de gastos. Embora tenha elogiado a reforma tributária como ponto positivo, avaliou que ela perdeu o objetivo de simplificação ao se tornar excessivamente complexa. Ele ainda criticou os agentes financeiros que apoiaram o governo Lula, especialmente sob a gestão de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda, afirmando que o arcabouço fiscal é uma “tragédia” e um “engodo”, e que as “elites” deveriam ter denunciado o “crime fiscal”.
Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos
As propostas econômicas apresentadas pelos adversários de Lula evidenciam uma forte demanda por responsabilidade fiscal e reformas estruturais. O debate sobre corte de gastos, privatizações e redução de juros pauta a agenda para 2027, refletindo a urgência em reverter o cenário de desequilíbrio fiscal. Para se manter atualizado sobre os próximos passos e análises políticas, continue acompanhando nossa editoria de Política.
Foto: Gerd Altmann/Pixabay

Imagem: valor.globo.com







