Jair Bolsonaro admitiu ter utilizado um ferro de soldar em sua tornozeleira eletrônica durante uma audiência de custódia realizada no último domingo. O ex-presidente justificou o ato alegando possuir formação e conhecimento em operação desse tipo de equipamento. A revelação trouxe à tona detalhes sobre cursos que Bolsonaro teria feito, incluindo um de eletricidade por correspondência, conforme informações que ele mesmo e sua biografia já mencionaram anteriormente.
O episódio ocorreu no contexto da audiência de custódia, onde Bolsonaro detalhou as circunstâncias que o levaram a mexer no dispositivo de monitoramento. Ele relatou que, impulsionado por um estado de paranoia e alucinações, decidiu intervir na tornozeleira por acreditar que havia algum tipo de escuta ou equipamento não autorizado acoplado a ela. A defesa e o próprio ex-presidente sustentam que a ação foi um reflexo de um momento de confusão mental, exacerbado pela interação de diferentes medicamentos que estaria utilizando.
Bolsonaro Usou Solda em Tornozeleira e Alega Curso Eletricidade
A audiência de custódia revelou que o ex-presidente detalhou a sua condição naquele período, mencionando que tinha o sono picado e não conseguia dormir direito. Foi nesse estado que, por volta da meia-noite, ele decidiu usar o ferro de soldar na tornozeleira. Após um tempo, Bolsonaro afirmou que “caiu na razão”, cessou o uso da solda e comunicou imediatamente os agentes responsáveis por sua custódia. O relatório da audiência confirma essa sequência de eventos, destacando o reconhecimento do ex-presidente sobre a tentativa de abrir o dispositivo.
O Incidente e a Justificativa Apresentada
A confissão de Jair Bolsonaro sobre o manuseio da tornozeleira com um ferro de soldar despertou questionamentos sobre o seu alegado conhecimento em eletricidade. No depoimento, ele reiterou possuir um curso para operar esse tipo de equipamento, embora não tenha especificado qual seria. Esse detalhe se alinha a relatos passados do ex-presidente, que frequentemente citava ter alguma formação técnica. A alegação de alucinações devido à combinação de medicamentos foi um ponto central na sua defesa, indicando que a intenção não era fugir, mas sim remover o que ele percebia como um aparelho de escuta. Este contexto emocional e físico é crucial para entender a motivação por trás da intervenção no equipamento de monitoramento.
O relato da audiência aponta para uma preocupação com a segurança e a privacidade, ainda que manifestada de forma incomum. Bolsonaro explicou que a sensação de estar sendo monitorado de maneira indevida, combinada com os efeitos dos medicamentos, levou-o a uma ação impulsiva. A sua imediata comunicação aos agentes após “cair na razão” sugere um reconhecimento do erro e uma tentativa de retificar a situação, reforçando a ideia de que não havia má-fé ou intenção de evadir-se do monitoramento judicial. A credibilidade de sua justificativa, no entanto, é objeto de análise pelas autoridades competentes.
Os Cursos Mencionados e a Biografia do Ex-Presidente
Ao longo de sua trajetória política, Jair Bolsonaro mencionou diversas vezes dois cursos de formação técnica. O primeiro, um curso de Eletricidade, teria sido feito por correspondência, e o segundo, um curso de conserto de máquinas de lavar e geladeiras. Curiosamente, seu currículo oficial na Câmara dos Deputados não detalha essas formações. O documento aponta apenas uma formação incompleta em Educação Física e sua carreira como oficial do Exército, com especializações como paraquedista, mestre em Saltos, Mergulho Autônomo e aperfeiçoamento militar. A ausência de registro oficial dessas qualificações técnicas levanta dúvidas, mas não necessariamente invalida as alegações, considerando a natureza de alguns cursos mencionados.
Em 2018, durante uma entrevista à Globonews, Bolsonaro afirmou ter concluído um curso profissionalizante de conserto de eletrodomésticos, como máquinas de lavar e geladeiras, em Madureira, bairro do Rio de Janeiro. Naquela ocasião, a declaração gerou certa controvérsia, pois ele chegou a afirmar que poderia ganhar até R$ 12 mil por mês com tal ofício. Contudo, não existem registros públicos ou documentação que comprovem a realização desse curso específico em Madureira, além das próprias declarações do ex-presidente em entrevistas. Essa inconsistência é frequentemente explorada em discussões sobre suas credenciais e experiências passadas.
A Formação no Instituto Universal Brasileiro (IUB)
Diferente do curso em Madureira, a formação em Eletricidade é associada ao Instituto Universal Brasileiro (IUB). Bolsonaro mencionou em vários momentos ter feito um curso de Eletricidade por correspondência no IUB antes de ingressar no Exército. O Instituto Universal Brasileiro é reconhecido como uma das primeiras e mais tradicionais instituições de ensino à distância do Brasil, com um modelo de aprendizado baseado no envio de materiais didáticos pelos Correios, popular em épocas anteriores à internet. Essa modalidade permitia que estudantes de diversas regiões tivessem acesso a cursos profissionalizantes.
A menção ao IUB não é exclusiva de suas próprias falas; ela também aparece em biografias. Em uma das biografias de seu pai, escrita pelo senador Flávio Bolsonaro, há um trecho que aborda a aprovação de Jair Bolsonaro na Escola Preparatória de Cadetes do Exército. Flávio Bolsonaro detalha que, mesmo enfrentando dificuldades financeiras e sem recursos para pagar um cursinho preparatório, seu pai foi aprovado e, além disso, “por correspondência, fez eletricidade e português no Instituto Universal Brasileiro”. Essa informação reforça a narrativa de uma formação autodidata e focada em conhecimentos práticos.
Em maio de 2021, durante uma transmissão ao vivo, o ex-presidente reiterou a mesma história. Ele descreveu as dificuldades que enfrentava com a língua portuguesa e a ausência de internet na época, recorrendo a bibliotecas e à enciclopédia Barsa para seus estudos. “Tinha eletricidade também. Fiz Instituto Universal Brasileiro por correspondência. Fiz português e eletricidade”, afirmou Bolsonaro na live, destacando a importância dessas formações para o seu desenvolvimento pessoal e profissional. Esses relatos contribuem para a imagem de um indivíduo que buscou conhecimento técnico através de meios não convencionais.
Implicações e o Contexto Legal
A transparência exigida em procedimentos judiciais, como as audiências de custódia, frequentemente traz à tona detalhes pessoais e biográficos que, em outras circunstâncias, permaneceriam privados. A admissão de Bolsonaro sobre o uso do ferro de soldar e sua justificativa baseada em cursos anteriores, ainda que sem registro formal, exemplifica como a vida pública e privada podem se entrelaçar no escrutínio judicial. A atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo, é frequentemente objeto de análise detalhada, e o seu funcionamento rigoroso exige a apresentação de todos os fatos relevantes, conforme pode ser compreendido ao saber mais sobre a estrutura e as funções dos ministros do STF, um pilar fundamental da justiça brasileira.
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Em suma, a confissão de Jair Bolsonaro sobre o uso de um ferro de soldar na tornozeleira eletrônica durante sua audiência de custódia trouxe à tona não apenas o incidente em si, mas também a discussão sobre suas qualificações técnicas e os detalhes de sua formação, especialmente os cursos de eletricidade e conserto de eletrodomésticos. A justificativa de paranoia e alucinação por interação medicamentosa contextualiza a ação, enquanto a veracidade e o impacto de suas antigas formações técnicas permanecem pontos de debate. Para mais informações sobre o cenário político e judicial, continue acompanhando as análises e notícias em nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Agência Brasil







