A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) implementou uma nova política de elegibilidade que exige teste genético para atletas mulheres em suas competições. O anúncio, realizado nesta sexta-feira (14), estabelece que apenas atletas do sexo biológico feminino poderão participar dos torneios organizados pela entidade. A nova diretriz foi detalhada no final da tarde, por meio de publicação no site oficial da CBV, e representa um alinhamento estratégico com as regras estabelecidas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB).
Este critério de elegibilidade visa garantir a conformidade com os padrões globais do esporte, assegurando que as competições nacionais reflitam as normas vigentes em nível internacional. A decisão reforça a busca da confederação por padronização e justiça esportiva, conforme a interpretação das entidades reguladoras do vôlei mundial.
CBV exige teste genético para atletas mulheres no vôlei
A verificação do sexo biológico será realizada por meio de testagem e triagem do gene SRY, um marcador genético presente no cromossomo Y e associado ao desenvolvimento do sexo masculino. O exame, considerado um método preciso para essa identificação, pode ser efetuado através de uma amostra de sangue ou de um esfregaço bucal. Este protocolo detalhado busca implementar a política de forma clara e objetiva.
De acordo com Radamés Lattari, presidente da CBV, a alteração é uma resposta direta à evolução dos parâmetros internacionais e à responsabilidade institucional da entidade. Em declaração divulgada no site da confederação, Lattari afirmou que a CBV buscou manter o alinhamento entre as regras que regem as competições nacionais com as hoje vigentes para as competições internacionais. Ele enfatizou que “a decisão da CBV se adequa ao COI e deixa nossos campeonatos equiparados com as competições internacionais”. Para mais informações sobre as diretrizes do esporte olímpico, consulte o Comitê Olímpico Internacional.
A implementação desta nova política de elegibilidade não será imediata para todas as categorias, mas escalonada. Ela entrará em vigor a partir de competições específicas, abrangendo as temporadas futuras do voleibol brasileiro. Entre os torneios afetados estão a Superliga A e B (temporada 26/27), a Supercopa 2026, a Copa Brasil 2027, o Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (categoria adulto), e o CBVP Challenger 2027, além de todas as edições seguintes durante o período de vigência da política.
A diretriz da CBV, que exige teste genético para atletas mulheres, possui implicações significativas para algumas jogadoras. Entre as atletas que potencialmente serão afetadas por esta nova regulamentação está Tiffany Abreu, uma mulher trans que atualmente joga pelo Osasco São Cristóvão Saúde na Superliga. O caso de Tiffany já foi objeto de debates e decisões judiciais anteriores no cenário esportivo brasileiro.

Imagem: Divulgação/CBV via agenciabrasil.ebc.com.br
Em fevereiro, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, proferiu uma decisão favorável à participação de Tiffany em uma partida contra o SESC RJ Flamengo, que seria realizada em Osasco. Naquela ocasião, a própria Confederação Brasileira de Voleibol havia recorrido ao STF, buscando a suspensão de uma lei municipal de Osasco que impedia a participação de atletas transgêneros em eventos esportivos na cidade. A ministra Cármen Lúcia argumentou que a referida norma municipal não estava em conformidade com a Constituição Federal e representava um retrocesso nas políticas de igualdade de gênero e de promoção da dignidade humana, princípios fundamentais do ordenamento jurídico brasileiro.
Este contexto anterior sublinha a complexidade da questão da elegibilidade de atletas transgêneros no esporte de alto rendimento e os diferentes entendimentos sobre as regras de participação. A nova política da CBV, ao exigir um teste genético para definir o sexo biológico, redefine os parâmetros para as atletas mulheres e pode gerar novas discussões e desdobramentos jurídicos, especialmente considerando o precedente estabelecido pela decisão do STF.
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Em suma, a Confederação Brasileira de Voleibol estabeleceu uma nova e rigorosa política que exige teste genético para atletas mulheres, visando o alinhamento com as federações internacionais. Esta medida, que entra em vigor nas próximas temporadas e competições de grande relevância, já levanta questionamentos e reavaliações sobre a inclusão no esporte, em especial para atletas transgêneros, como o caso notório de Tiffany. Fique por dentro de todas as notícias e análises sobre o esporte e seus desdobramentos acompanhando a editoria de Esporte em nosso portal.
Crédito da imagem: Divulgação/CBV






