A discussão sobre a produtividade no Brasil, especialmente no contexto da indústria automotiva, ganhou destaque com as recentes declarações de Antonio Filosa, CEO da Stellantis. A montadora, que engloba marcas renomadas como Fiat, Peugeot e Jeep, registrou um desempenho notável em 2025, evidenciando sua crescente influência e expansão nos mercados sul-americanos.
Em uma entrevista concedida ao CNN Money, Filosa detalhou os pontos cruciais que afetam a performance industrial brasileira. Apesar de reconhecer as limitações estruturais inerentes ao cenário nacional, o executivo sublinhou o potencial latente do Brasil para consolidar e expandir sua relevância como um polo produtivo na região. Essa perspectiva otimista vem acompanhada de uma análise aprofundada sobre os fatores que moldam a capacidade produtiva e a competitividade do país.
CEO da Stellantis aborda produtividade no Brasil e desafios
Antonio Filosa enfatizou que a “produção industrial no Brasil sempre foi um pouco limitada pelas regulamentações, que são diferentes de país para país; e pela competitividade da produção que não é excelente”. Essa observação aponta para um cenário complexo, onde a diversidade regulatória entre nações e a própria competitividade interna do Brasil impõem barreiras ao pleno desenvolvimento da capacidade fabril. A análise do CEO da Stellantis oferece um panorama sobre os entraves que precisam ser superados para o avanço da indústria local.
Aprofundando em sua avaliação, Filosa identificou as “muitas razões” para essa competitividade aquém do ideal. Ele destacou, sobretudo, a carga fiscal elevada, um fator que consistentemente pesa sobre as empresas que operam no país. Além disso, mencionou a “alguma ineficiência logística na infraestrutura”, um gargalo que encarece e dificulta o transporte de insumos e produtos acabados. Contudo, apesar desses obstáculos, o CEO ressaltou o empenho e o talento das equipes locais, afirmando que “o time de engenharia, de design, de produtos aqui está começando a trazer para a realidade brasileira produtos tão interessantes, tão bons desde o ponto de vista estético, funcional, que outros mercados estão se interessando”. Esta afirmação reforça a capacidade brasileira de inovar e criar produtos que atendem não apenas ao mercado interno, mas também despertam o interesse internacional.
Expansão e Liderança na América do Sul
A Stellantis consolidou sua posição de liderança na América do Sul, com um impressionante crescimento de 51% nas exportações de veículos produzidos em suas fábricas brasileiras em 2025, em comparação ao ano anterior. Este aumento significativo demonstra a eficácia das estratégias da montadora em expandir sua presença além das fronteiras nacionais. A empresa, que possui seis unidades produtivas na região sul-americana, alcançou marcos notáveis em volume de fabricação.
Apenas no mês de setembro, a companhia atingiu a marca de 91 mil veículos produzidos. Até outubro do mesmo ano, a produção total da Stellantis na América do Sul já superava as 826 mil unidades, garantindo-lhe uma sólida participação de mercado de 22,9%. Essa performance robusta não apenas valida a capacidade operacional da empresa, mas também a posiciona como uma força dominante no cenário automotivo regional. A liderança se estende tanto no Brasil quanto na Argentina, países onde a Stellantis mantém o primeiro lugar em produção e vendas de veículos.
O volume de veículos exportados, que atingiu 138 mil unidades, corrobora o desempenho positivo da empresa no mercado internacional. Este número reflete a habilidade da Stellantis em superar barreiras e expandir sua influência comercial, contribuindo para o fortalecimento da balança comercial brasileira no setor automotivo.
Oportunidade na Regionalização Global
Antonio Filosa enxerga o processo de regionalização global como uma janela de oportunidades estratégicas para o Brasil. A América Latina, excluindo o México, apresenta uma população expressiva de aproximadamente 440 milhões de habitantes. Esta vasta demografia, aliada a uma economia em crescimento, cria um ambiente propício para que a indústria brasileira assuma um protagonismo ainda maior no continente.
Para o CEO, a capacidade de produção e design local, somada ao potencial de consumo regional, pode impulsionar o Brasil a se tornar um hub de inovação e fabricação, atendendo às demandas específicas da região. Este foco na regionalização permite à Stellantis adaptar seus produtos e estratégias às particularidades de cada mercado, otimizando recursos e fortalecendo sua cadeia de valor em solo sul-americano. Para aprofundar a compreensão sobre o panorama econômico do país e sua indústria, veja mais em Valor Econômico.

Imagem: cnnbrasil.com.br
Desafios Macroeconômicos e Tributários
No que tange aos desafios, Antonio Filosa destacou que os juros elevados representam um entrave significativo para o setor automotivo. A taxa Selic, que na época da entrevista estava em 15% ao ano, impacta diretamente o financiamento de veículos, tornando o crédito mais caro e, consequentemente, inibindo o consumo. Segundo o executivo, o mercado automotivo poderia experimentar um crescimento mais vigoroso caso as taxas de juros fossem mais baixas, liberando o poder de compra dos consumidores e estimulando investimentos.
As questões tributárias também foram abordadas por Filosa. Ele reconheceu os avanços positivos, como a reforma tributária em discussão, mas ressaltou que as tarifas ainda constituem uma variável complexa na equação dos negócios. A estrutura fiscal brasileira, com sua intrincada teia de impostos, adiciona um custo considerável à produção e à comercialização de veículos. Além disso, o executivo comentou sobre o impacto do câmbio nos custos de produção, especialmente porque muitas commodities, essenciais para a fabricação automotiva, são negociadas em dólar. A volatilidade da moeda estrangeira pode gerar pressões adicionais sobre os custos operacionais da montadora no Brasil.
Resiliência e Perspectivas Futuras
Apesar de todos os desafios elencados, Filosa enfatizou a resiliência da economia brasileira. Ele destacou o crescimento contínuo da demanda regional, que inclui mercados importantes como o argentino. A capacidade da Stellantis de manter sua posição de liderança e de registrar maiores volumes de produção na região permite a obtenção de ganhos de escala. Estes ganhos são cruciais para ajudar a compensar as pressões nos custos, sejam elas decorrentes de juros, carga fiscal ou flutuações cambiais.
A estratégia da montadora de focar na produção local e na expansão regional demonstra um compromisso com o desenvolvimento da indústria sul-americana. A confiança na capacidade de adaptação e inovação das equipes brasileiras e o reconhecimento do potencial de crescimento dos mercados vizinhos solidificam a visão de longo prazo da Stellantis para a região, mesmo diante de um cenário econômico desafiador.
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Em suma, a visão do CEO da Stellantis, Antonio Filosa, sobre a **produtividade no Brasil** e seus desafios, ao mesmo tempo que destaca as oportunidades e o crescimento da montadora na América do Sul, oferece um panorama detalhado para o setor automotivo. Para continuar acompanhando as notícias e análises sobre a economia e o mercado, explore mais conteúdos em nossa editoria de Economia.
Crédito da Imagem: CNN Brasil






