O cancelamento de voos entre China e Japão atinge um patamar significativo, com mais de 900 viagens aéreas para o Japão suspensas pelas companhias chinesas apenas para o mês de dezembro. Este número representa um aumento de quase o triplo em relação aos cancelamentos reportados dias antes, quando a cifra era de aproximadamente 270. O Aeroporto Internacional de Kansai, localizado próximo a Osaka, figura como o mais afetado por esta medida, que reflete diretamente o aprofundamento das tensões políticas entre as duas nações asiáticas.
A escalada das tensões diplomáticas teve um de seus estopins em declarações recentes da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, relativas a Taiwan, que provocaram um esfriamento nas relações bilaterais. Em resposta a este cenário, o governo chinês emitiu um alerta desaconselhando viagens ao Japão. Conforme noticiado pela Bloomberg na terça-feira (25), houve uma instrução direta de Pequim às companhias aéreas do país para que reduzissem a frequência de seus voos com destino ao território japonês, evidenciando uma coordenação oficial por trás das reduções.
China Cancela Mais de 900 Voos para o Japão por Tensão Diplomática
Atualmente, a malha aérea entre a China e o Japão compreende 176 rotas regulares, interligando 20 aeroportos japoneses e 36 aeroportos chineses, sem incluir as regiões administrativas especiais de Hong Kong e Macau. Uma análise detalhada dos planos de voo para dezembro, realizada pelo “Nikkei Asia” com base em dados da consultoria Cirium, revelou a extensão dos cortes. Até a manhã de quinta-feira (27), as empresas aéreas chinesas haviam suprimido 904 voos, o que corresponde a 16% do total inicial de 5.548 voos planejados, afetando 72 rotas distintas e impactando cerca de 156 mil assentos disponíveis. O salto nos cancelamentos é notável, partindo de 268 voos cancelados até terça-feira (25) para os 904 registrados no final da semana.
Aeroportos Japoneses Mais Impactados
Entre os 13 aeroportos japoneses que sofreram com os cortes, o Aeroporto Internacional de Kansai (Osaka) foi o mais atingido, com 626 chegadas canceladas. As rotas mais suprimidas para Kansai incluíam 80 voos de Nanjing, 71 de Xangai e 58 de Pequim. Outros terminais aéreos com um número significativo de cancelamentos foram Narita, que serve a Tóquio, e Chubu, próximo a Nagoya, ambos com 68 voos suprimidos cada. O Aeroporto de New Chitose, localizado em Hokkaido, registrou 61 cancelamentos, enquanto Naha, em Okinawa, teve 26. Curiosamente, o impacto no Aeroporto de Haneda, outro importante hub de Tóquio, foi mínimo, com apenas sete das 989 chegadas programadas sendo canceladas. O professor Hajime Tozaki, da Universidade J.F. Oberlin, explicou que as rotas de Haneda são caracterizadas por uma demanda mais estável e uma forte competição por horários de pouso e decolagem. Ele sugeriu que as companhias aéreas podem hesitar em cortar voos de Haneda para evitar o risco de perder seus valiosos slots de operação.
Companhias Aéreas e Preços de Passagens
As companhias aéreas estatais chinesas também participaram dos cortes: a China Southern Airlines cancelou 118 voos e a China Eastern Airlines, 109. No entanto, as reduções foram ainda mais pronunciadas entre as empresas de médio porte com base em Xangai. A Spring Airlines, por exemplo, suprimiu 182 voos, enquanto a Juneyao Airlines cancelou 166. A redução na oferta de voos teve um impacto direto nos preços das passagens. A Airplus, que opera o portal de viagens econômicas ena, observou uma queda significativa no valor de uma passagem de ida e volta entre Kansai e Xangai, que recuou de aproximadamente 20 mil ienes (cerca de US$ 130) no ano anterior para cerca de 8.500 ienes atualmente.
A incerteza sobre a evolução da situação persiste. Naoki Fujii, presidente da Narita International Airport Corp., informou em coletiva de imprensa na quinta-feira (27) que as companhias aéreas chinesas expressaram o desejo de reduzir voos, especialmente a partir de dezembro. Fujii estimou que entre 10% e 20% dos quase 300 voos semanais que conectam Narita a aeroportos da China continental podem ser cancelados. Para mais detalhes sobre as relações comerciais e diplomáticas na Ásia, uma análise aprofundada pode ser encontrada em relatórios especializados como os da Bloomberg sobre as tensões entre China e Japão.

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Impacto no Turismo e Perspectivas Futuras
Há uma crescente preocupação com o impacto desses cancelamentos no setor de turismo chinês, que vinha mostrando sinais de recuperação. Dados da Organização Nacional de Turismo do Japão indicam que entre janeiro e outubro, aproximadamente 8,2 milhões de turistas chineses visitaram o país, representando um aumento de cerca de 40% em comparação com o ano anterior. Esse crescimento é agora ameaçado pela instabilidade nas rotas aéreas e pelos alertas de viagem. Keiji Kanda, economista sênior do Daiwa Institute of Research, ressaltou a importância de monitorar os próximos desdobramentos e as futuras ações do governo chinês para entender o curso que essa complexa relação diplomática e econômica irá tomar.
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Em suma, a decisão da China de cancelar um volume expressivo de voos para o Japão em dezembro é um reflexo direto da intensificação das tensões diplomáticas, com consequências claras para o setor de aviação e o turismo. Acompanhe a editoria de Política em nosso portal para se manter atualizado sobre este e outros temas que moldam as relações internacionais e seus desdobramentos econômicos.
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