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China Impulsiona Energia Solar Térmica de Concentração

Economia

A China impulsiona a energia solar térmica de concentração (CSP) como uma estratégia vital para diversificar sua matriz energética renovável. O país asiático está empenhado em tornar a CSP uma alternativa robusta, ao lado das consagradas tecnologias solar fotovoltaica e eólica, buscando a adoção em larga escala de uma fonte que gera eletricidade a partir do calor solar concentrado.

Em um cenário de expansão acelerada, a cidade de Dunhuang, localizada na província de Gansu, no interior chinês e historicamente um ponto crucial na antiga Rota da Seda, exemplifica o avanço. Nos arredores desérticos, imponentes torres se erguem e brilham intensamente, visíveis a mais de 10 quilômetros de distância. Essas estruturas são o coração de uma usina de CSP operada pela Shouhang High-Tech Energy Technology, uma empresa local de ponta.

China Impulsiona Energia Solar Térmica de Concentração

As torres, que atingem 260 metros de altura, não emitem luz própria. O brilho ofuscante em seus topos é resultado da reflexão da luz solar por mais de 10 mil espelhos, dispostos em uma vasta área de 2,7 quilômetros de diâmetro ao redor de cada estrutura. Esses espelhos ajustam sua posição continuamente para seguir o movimento do sol, direcionando a energia térmica com precisão para um sistema de sais fundidos que flui no interior das torres. O processo eleva a temperatura dos sais a mais de 500°C, calor esse que é então empregado para aquecer água em um reservatório, gerando vapor. Esse vapor, por sua vez, aciona uma turbina que converte a energia mecânica em eletricidade. Este é, em essência, o princípio de funcionamento das usinas de CSP do tipo torre.

Uma das grandes vantagens da energia solar térmica de concentração, em comparação com a fotovoltaica, é sua capacidade de gerar eletricidade mesmo após o pôr do sol. Os sais fundidos são extremamente eficientes na retenção de calor, o que permite que a turbina da usina de Dunhuang continue operando por até 11 horas depois que o sol se põe, garantindo estabilidade e continuidade no fornecimento de energia.

No final do ano anterior, o governo chinês articulou uma medida estratégica para acelerar a massificação da CSP. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, órgão central da política econômica do país, em conjunto com a Administração Nacional de Energia, estabeleceu uma meta ambiciosa: alcançar uma capacidade instalada de CSP de aproximadamente 15 gigawatts (GW) até o ano de 2030. Esse plano detalhado prevê a intensificação do desenvolvimento tecnológico em nove províncias e regiões-chave, incluindo as províncias de Qinghai e Xinjiang, localizadas no noroeste chinês.

Dados da Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena) indicavam que a capacidade instalada de CSP na China era de 1,82 GW em 2025. Com esse patamar, a nação já assegurava a segunda posição global, superada apenas pela Espanha, que possui 2,3 GW. Contudo, é fundamental contextualizar esses números frente à capacidade de energia solar fotovoltaica do país, que ultrapassa 1.200 GW. Mesmo que a meta de 15 GW para 2030 seja plenamente alcançada, a energia solar térmica de concentração ainda representará menos de 2% da capacidade solar fotovoltaica chinesa. No entanto, esses 15 GW equivaleriam à capacidade energética de 15 reatores nucleares, considerando que um reator típico opera com cerca de 1 GW de potência.

Ao definir uma meta nacional tão expressiva, o governo central chinês provavelmente busca fortalecer a confiança das empresas para que estas intensifiquem seus investimentos, ao mesmo tempo em que persegue a redução dos custos de geração. Atualmente, os custos da CSP são cerca de 2,6 vezes superiores aos da energia solar fotovoltaica. O documento de política que delineia essa meta também projeta, em um horizonte de longo prazo, uma diminuição dos custos de geração da CSP a um nível comparável ao da energia produzida a partir de carvão, o que representaria um avanço significativo na competitividade da tecnologia.

Projetos de CSP estão florescendo por toda a China. Segundo o Conselho de Eletricidade da China, até o final de junho, 24 usinas de CSP já haviam sido finalizadas no país, enquanto outras 26 unidades estavam com sua construção em andamento, evidenciando um dinamismo notável no setor. Em abril, a China Energy Engineering, uma das maiores construtoras de infraestrutura do país, deu início à edificação de uma usina híbrida, que combina energia solar fotovoltaica e energia solar térmica de concentração. Esse projeto inovador está situado a uma altitude de 4.541 metros em Lhasa, no Tibete. Além disso, a China General Nuclear Power (CGN) começou, em meados de junho, a construir o que a empresa afirma ser a maior usina de CSP do mundo, localizada na província de Qinghai. Os espelhos dessa instalação monumental cobrirão uma área equivalente a 518 campos de futebol.

China Impulsiona Energia Solar Térmica de Concentração - Imagem do artigo original

Imagem: Reprodução Nikkei Asia via valor.globo.com

Apesar do crescente entusiasmo em torno da CSP como um valioso complemento às fontes de energia renováveis mais convencionais, surgem preocupações quanto a uma possível superoferta no mercado. A construção desordenada e em ritmo acelerado em diversas regiões do país poderia precipitar um fenômeno conhecido na China como “neijuan”, ou “involução”. Este termo descreve uma situação em que a competição excessiva acaba corroendo a lucratividade tanto dos produtores de energia quanto dos fabricantes de equipamentos, comprometendo a sustentabilidade do setor a longo prazo.

Esse cenário de involução já foi observado anteriormente. Na década passada, a China promoveu uma expansão vigorosa de fontes de energia renováveis como a solar fotovoltaica e a eólica. De acordo com a Irena, em 2025, a China já detinha metade da capacidade instalada global nessas duas tecnologias. Contudo, a corrida desenfreada de empresas para esses setores resultou em uma drástica queda nos preços de equipamentos e outros produtos, impactando negativamente os resultados financeiros de muitos fabricantes. A CSP corre o risco de enfrentar um problema semelhante de concorrência excessiva caso o entusiasmo dos investidores ultrapasse os limites da prudência.

Indícios dessa tendência já começam a se manifestar. Em março, a província de Qinghai anunciou planos para expandir sua capacidade de energia solar concentrada (CSP), incluindo projetos já em construção, para 8 GW por volta de 2030. Isso significa que uma única província projeta uma capacidade que equivale a mais da metade da meta nacional de 15 GW estabelecida pelo governo central. Caso outras províncias e regiões revelem planos de expansão semelhantes, a soma das metas dos governos locais poderá facilmente superar o objetivo definido pelo governo central. Diante desse panorama, Pequim precisará implementar ajustes em suas políticas para evitar a repetição dos problemas e desequilíbrios observados nos setores de energia fotovoltaica e eólica, garantindo um desenvolvimento mais estável e rentável para a energia solar térmica de concentração.

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A expansão da energia solar térmica de concentração na China é um marco no avanço das energias renováveis, evidenciando o compromisso do país com a diversificação de sua matriz energética. Contudo, a necessidade de equilíbrio entre o ímpeto de crescimento e a sustentabilidade econômica do setor é crucial. Continue acompanhando as últimas notícias sobre política energética e desenvolvimento econômico na nossa editoria de Economia para mais análises aprofundadas.

Crédito da imagem: Fornecido

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