A comunicação interna, em um cenário corporativo cada vez mais imerso na virtualidade, enfrenta o desafio de integrar tecnologias e soluções digitais sem perder a essência humana. Embora a busca por plataformas online para interação com colaboradores seja uma tendência natural, o verdadeiro impacto das estratégias reside na criatividade, na empatia e na humanidade. Em outras palavras, a eficácia da comunicação interna é, fundamentalmente, uma questão de tato.
Essa percepção foi solidificada ao longo do último semestre do ano corrente. Nesse período, a Nissan enfrentou a complexa tarefa de introduzir dois novos veículos fabricados em seu Complexo Industrial em Resende, no estado do Rio de Janeiro: o renovado Nissan Kicks e, subsequentemente, o Nissan Kait. O processo de desenvolvimento, produção e comercialização de novos automóveis no Brasil exige um alto nível de engajamento, profissionalismo e motivação das equipes. Desta forma, a atuação da comunicação interna revelou-se crucial em todas as fases do projeto.
O tato permanece sendo o pilar fundamental que verdadeiramente une as pessoas dentro de uma organização. Ao buscar definições para este termo, encontramos conceitos instigantes que espelham os objetivos centrais da comunicação interna: o sentido responsável pela percepção do toque, que nos conecta com a maneira como sentimos o mundo ao nosso redor, e que se manifesta de forma abrangente por todo o corpo, e não em uma única região. Isso traduz a intenção de envolver os colaboradores profundamente, fazendo com que se sintam genuinamente “tocados” e valorizados pelas ações desenvolvidas em seu benefício, indo além da mera transmissão de uma mensagem.
Comunicação Interna: O Tato Essencial para Engajamento
Em um ambiente já saturado por inovações como a Inteligência Artificial (IA) e inúmeros outros recursos tecnológicos que otimizam o trabalho, subsiste um elemento que as máquinas ainda não conseguem replicar: a capacidade de tocar a alma humana, de provocar um sorriso genuíno e de despertar sentimentos autênticos. Trata-se de uma dimensão que transcende dados, sendo intrínseca ao “feeling” humano.
Muitos podem supor que o desenvolvimento e a execução de campanhas de comunicação interna em uma montadora são tarefas simplificadas pela natureza física do produto. Afinal, automóveis como o novo Kicks ou o Kait são produtos tangíveis e impactantes. No entanto, é vital considerar que um carro, com mais de quatro metros de comprimento e pesando mais de uma tonelada, não pode ser facilmente exibido na recepção de um escritório situado no décimo segundo andar de um edifício, nem mesmo na fábrica, onde o espaço, apesar de maior, apresenta suas próprias complexidades logísticas.
De fato, nada na rotina da comunicação interna é simplório. A capacidade de tocar a alma dos colaboradores é forjada pela criatividade, não por processos de produção em série, que, por si só, também possuem suas próprias complexidades inerentes.
No contexto do lançamento do novo Nissan Kicks, por exemplo, a tecnologia foi empregada como uma ferramenta valiosa para manter os funcionários informados sobre o progresso do lançamento e para engajá-los nas ações e etapas de desenvolvimento do projeto. Contudo, o grande diferencial residiu em uma iniciativa audaciosa: a realização do maior test drive para funcionários na história da fábrica da Nissan na América Latina. Um total de 699 colaboradores teve a oportunidade de dirigir o veículo ao longo de três dias, sem qualquer interrupção ou redução no ritmo de produção dos dois turnos. Esse feito notável foi alcançado unicamente graças a um extraordinário “jogo de cintura” e coordenação humana. A importância de estratégias inovadoras na comunicação interna para a retenção de talentos é amplamente discutida, como detalhado em artigos especializados sobre gestão de pessoas na Exame, evidenciando como a criatividade pode superar obstáculos.
Outra iniciativa marcante para o lançamento, entretanto, não envolveu a presença do veículo físico, mas sim uma peça de vestuário: uma camisa. Este fato demonstrou que o produto palpável não é a única via para envolver o público interno. Com uma força de trabalho de mais de 3 mil funcionários distribuídos em diversas unidades localizadas em três estados distintos, o desafio era promover um engajamento simultâneo e físico entre todos.

Imagem: melhorrh.com.br
A solução encontrada foi capitalizar o talento e a sensibilidade dos designers da empresa, profissionais habituados a conceber automóveis, para criar uma imagem exclusiva do novo Nissan Kicks. Esta ilustração foi então estampada em uma camisa da renomada marca Reserva, que foi distribuída a todos os funcionários da Nissan no Brasil. Esse detalhe humano adicional, ao oferecer uma camisa de uma marca reconhecida, garantiu a percepção de um cuidado especial por parte da empresa em proporcionar algo diferenciado aos seus colaboradores. Mais do que o valor material, tratava-se de um valor intangível de reconhecimento e apreço.
A ação foi além da simples entrega de um presente. Todos os funcionários foram incentivados a vestir a camisa em um dia específico, promovendo um sentimento de pertencimento e união. Este momento foi amplamente compartilhado nas redes sociais, onde o sentimento humano transbordou por meio das plataformas digitais. Centenas de posts foram registrados em um único dia, com fotos individuais ou em grupo, um resultado que sublinhou o orgulho dos colaboradores em fazer parte daquele momento significativo para a empresa. Mesmo sem o carro presente fisicamente, sua essência estava ali, estampada no tecido da camisa.
Em suma, o valor das máquinas e da tecnologia é inegável, e devemos maximizar o uso desses recursos. Contudo, a tecnologia e mesmo a mais avançada Inteligência Artificial devem ser consideradas aliadas, e não a solução final para a comunicação. Elas carecem do tato humano, uma qualidade que apenas equipes de comunicação interna habilidosas e atentas conseguem oferecer com maestria.
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Este estudo de caso da Nissan ilustra vividamente como a sinergia entre inovação tecnológica e a sensibilidade humana pode catalisar o engajamento e fortalecer a cultura organizacional. A capacidade de ir além do superficial e verdadeiramente “tocar” as pessoas é o que define uma comunicação interna de sucesso. Para aprofundar-se em como grandes corporações adaptam suas estratégias em um mercado dinâmico, continue explorando nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Portal Melhor RH







