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Conecta PretaLab: IA para Mulheres Negras em São Paulo

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O evento Conecta PretaLab em São Paulo se estabelece como um marco importante na promoção da inclusão digital, direcionando esforços para o empoderamento de mulheres negras através do uso estratégico da inteligência artificial (IA). A iniciativa visa demonstrar como essa tecnologia, já intrínseca a diversas decisões do cotidiano – desde aplicativos de estudo a ferramentas de gestão financeira –, pode ser um catalisador de oportunidades e uma ponte para o desenvolvimento pessoal e profissional.

Com sua abertura marcada para a terça-feira, 2 de dezembro de 2025, o Conecta PretaLab, fruto da atuação do Olabi, ofereceu uma programação diversificada no Sesc Pompeia. O público pôde participar de oficinas práticas, envolver-se em rodas de conversa estimulantes e assistir a debates aprofundados sobre as aplicações e os impactos da inteligência artificial. O principal objetivo é desmistificar a IA, apresentando, de forma tangível, como essa ferramenta pode simplificar tarefas diárias e abrir caminhos em múltiplos setores.

No coração do projeto, mulheres negras que fazem parte da PretaLab atuaram como professoras e facilitadoras, compartilhando seus conhecimentos sobre a utilização da IA em dispositivos móveis, computadores e no ambiente de trabalho. Muitas dessas instrutoras descobriram o potencial da tecnologia por meio da própria iniciativa e, agora, retornam para disseminar esse saber. O evento foi concebido para ser totalmente gratuito e acessível a todos, reforçando o compromisso com a democratização do acesso ao conhecimento. A solenidade de abertura do Conecta, realizada às 19h daquele dia, destacou-se pela mesa de debate intitulada “Inteligência artificial e justiça social”. O painel reuniu nomes de peso como Jurema Werneck, médica e diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil; Mayara Ferrão, artista visual reconhecida por sua expertise em arte e IA; e Silvana Bahia, codiretora do Olabi e uma das principais vozes do país na discussão sobre tecnologia e inclusão.

Conecta PretaLab: IA para Mulheres Negras em São Paulo

Em sua participação, Silvana Bahia sublinhou que, embora a inteligência artificial esteja cada vez mais presente no cotidiano, o acesso efetivo a esse tipo de tecnologia ainda é profundamente desigual. Ela ressaltou que a capacidade de explorar e dominar essas ferramentas é, em grande parte, restrita a indivíduos que já possuem familiaridade com o universo digital, que contam com boa conexão à internet, tempo disponível para experimentação e as condições materiais necessárias para tal aprendizado.

Ao analisar o contexto brasileiro, Silvana Bahia observou que mulheres negras, pessoas de regiões periféricas e outros grupos historicamente excluídos frequentemente chegam com atraso a essa importante conversa tecnológica. Segundo suas palavras, “Muitas vezes só entram como usuárias, e não como criadoras”. Para ela, o grande desafio não se limita a utilizar a inteligência artificial, mas sim a compreender seu funcionamento, desenvolver autonomia sobre ela e, fundamentalmente, participar ativamente das decisões que irão delinear o futuro dessas tecnologias e seus impactos na sociedade.

As oficinas programadas para os dias 6 e 7 de dezembro de 2025 ofereceram um panorama prático e direto sobre diversas ferramentas de IA. As facilitadoras ensinaram as participantes a utilizar a inteligência artificial para montar currículos competitivos, organizar planilhas complexas, revisar textos com eficiência, criar materiais artísticos para pequenos negócios, auxiliar nos estudos para provas e planejar finanças pessoais de maneira mais eficaz. A metodologia do Conecta PretaLab foi pensada para ser simples, acessível e oferecer resultados imediatos, reconhecendo que, para muitas das presentes, seria o primeiro contato direto com essas inovações. As inscrições para essas atividades puderam ser realizadas por meio do site oficial do Sesc.

A premissa central do Conecta PretaLab é que a presença e a voz das mulheres negras são indispensáveis no centro do debate sobre inteligência artificial. Esse protagonismo só pode ser alcançado quando elas dispõem de acesso irrestrito, formação de qualidade, um ambiente seguro para o aprendizado e o espaço necessário para experimentar e inovar. Silvana Bahia revelou que o projeto atende a uma demanda crescente e diária de mulheres que desejam alavancar suas vidas, seus trabalhos e seus empreendimentos através da tecnologia, mas que, muitas vezes, não se identificam ou não são reconhecidas como parte desse universo.

Conecta PretaLab: IA para Mulheres Negras em São Paulo - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

A inteligência artificial, conforme alertado por Silvana, não existe em um vácuo de desigualdades no país; pelo contrário, tende a replicar e, em muitos casos, a amplificar as mesmas estruturas de disparidade já observadas na educação, no mercado de trabalho e no acesso à cultura. Ela argumentou que, em um país onde uma parte considerável da população tem dificuldades em acessar direitos básicos, não é surpresa que o acesso à tecnologia de ponta siga a mesma lógica de exclusão. Tal perspectiva foi compartilhada por Silvana Bahia em 23 de maio de 2024, no Rio de Janeiro (RJ), quando ela ressaltou a persistência da desigualdade no acesso à IA.

A construção da inteligência artificial é intrinsecamente baseada em dados, referências e prioridades que são, em sua maioria, definidas por grupos extremamente restritos. Essa característica inerente faz com que uma vasta parcela da sociedade seja sistematicamente excluída do processo de desenvolvimento desde o seu princípio. Os impactos negativos dessa exclusão são intensificados quando mulheres negras, pessoas de comunidades periféricas, indivíduos indígenas ou com deficiência não participam ativamente da concepção e desenvolvimento dessas ferramentas tecnológicas. Nesses cenários, as consequências adversas se manifestam de forma ainda mais acentuada sobre esses grupos, perpetuando ciclos de desvantagem e marginalização no ambiente digital e social.

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O Conecta PretaLab emerge, portanto, como uma iniciativa crucial para combater essa disparidade, promovendo a inclusão e o empoderamento por meio da educação tecnológica. Ao capacitar mulheres negras no uso da inteligência artificial, o projeto não apenas abre portas para novas oportunidades, mas também contribui para a construção de um futuro digital mais equitativo e representativo. Para aprofundar-se em análises sobre inclusão, tecnologia e seus impactos sociais, convidamos você a explorar mais conteúdos em nossa editoria de Análises e a continuar acompanhando as transformações que moldam o nosso mundo.

Crédito da imagem: Rawpick/Freepick; Tomaz Silva/Agência Brasil.

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