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Congresso derruba vetos e avança em projeto de dívidas de estados

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O Congresso derruba vetos e avança em projeto de dívidas de estados, marcando um passo significativo na reestruturação financeira das unidades federativas. Em uma sessão realizada nesta quinta-feira, 27 de novembro de 2025, parlamentares votaram pela derrubada parcial de vetos relacionados ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), resultado de um consenso entre o governo federal e as diversas legendas políticas.

O Propag, que foi sancionado em janeiro de 2025, representa um esforço para estabelecer condições mais favoráveis, permitindo que os estados brasileiros administrem e quitem suas obrigações financeiras acumuladas com a União. A iniciativa busca aliviar a carga fiscal e proporcionar fôlego para investimentos em áreas essenciais.

Congresso derruba vetos e avança em projeto de dívidas de estados

A decisão do parlamento envolveu a remoção de seis dispositivos da Lei Complementar 212 de 2025, a mesma que instituiu o Propag. Em contrapartida a essa aprovação, os 24 vetos restantes ao texto original, conforme proposto pelo Poder Executivo, foram mantidos. O governo demonstra otimismo com o desfecho, esperando que o acordo motive um maior número de estados a se engajarem no programa, cujo prazo final para adesão é 31 de dezembro de 2025.

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, destacou durante a sessão a abrangência dos benefícios do projeto. Segundo Rodrigues, embora todos os estados se beneficiem, a medida é particularmente relevante para unidades da federação como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, São Paulo e Rio Grande do Sul, que possuem um volume considerável de débitos com a União.

Novas Ferramentas para o Pagamento de Dívidas Estaduais

Entre os vetos derrubados, um dos pontos mais relevantes é a permissão para que os estados utilizem o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR) como um mecanismo para o pagamento de suas dívidas. O FNDR foi estabelecido no âmbito da reforma tributária com o propósito de mitigar disparidades regionais, estimular a produção e impulsionar a pesquisa científica e tecnológica. Inicialmente, o governo havia argumentado que essa utilização seria inconstitucional, uma vez que fugiria das finalidades primárias do fundo.

Outra derrubada de veto assegurou a manutenção de benefícios já estabelecidos na renegociação de dívidas que ocorreu em 2021. Um desses dispositivos prevê que a União assuma o encargo do pagamento de operações de crédito firmadas com o sistema financeiro e instituições multilaterais, onde a própria União figura como garantidora. Essa medida é crucial para estados que dependem da garantia federal em seus empréstimos.

Redução de Valores e Impacto nos Investimentos

Adicionalmente, o Congresso votou por derrubar um veto que mantém a prerrogativa da União de abater dos montantes das dívidas estaduais os valores que foram desembolsados pelas unidades federativas entre os anos de 2021 e 2023. Esse montante refere-se a despesas com a execução de obras cuja responsabilidade cabia ao governo federal. A medida visa compensar os estados por investimentos realizados em infraestruturas que seriam de competência federal.

O deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), relator do projeto do Propag e líder do PP na Câmara, expressou seu agradecimento ao governo e aos partidos pela articulação que resultou no acordo. Ele classificou o dia como “histórico”, enfatizando que a aprovação livrará os estados de uma “espada” que, em seus termos, “cerceou o investimento público, que cerceou o avanço na saúde e na educação nos últimos anos.”

Congresso derruba vetos e avança em projeto de dívidas de estados - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Detalhes do Programa Propag e a Reconfiguração das Dívidas

A legislação que instituiu o Propag define novas condições para a quitação dos débitos dos entes federativos com a União. Os estados terão a possibilidade de parcelar suas dívidas em um período de até 30 anos. Um dos diferenciais mais marcantes é a redução significativa nas taxas de juros, que passam a variar de 0% a 2% ao ano, somadas à inflação anual. No programa anterior, as taxas podiam atingir até 4% anuais, além da correção inflacionária, o que representava um ônus muito maior para os cofres estaduais.

O programa também inova ao permitir que os estados quitem até 20% do saldo devedor de suas dívidas por meio de alternativas diversificadas. Isso inclui a transferência de empresas públicas ou ativos estaduais para a União, bem como a realização de aportes no Fundo de Equalização Federativa. Este último mecanismo é projetado para que estados em melhor situação fiscal possam compensar aqueles que enfrentam dificuldades orçamentárias, promovendo uma maior solidariedade fiscal entre as unidades da federação.

Panorama da Dívida Estadual no Brasil

De acordo com dados fornecidos pelo Tesouro Nacional, a soma total das dívidas dos estados brasileiros ultrapassa a marca de R$ 820 bilhões. Mais de 90% desse montante colossal está concentrado em apenas cinco unidades da federação, o que sublinha a importância das medidas de renegociação propostas pelo Propag para a estabilidade financeira nacional. Para uma compreensão mais aprofundada sobre a gestão da dívida pública, é válido consultar informações do Tesouro Nacional sobre o pacto federativo e dívidas estaduais, que oferece dados e análises sobre o tema.

Os principais devedores, com seus respectivos valores, são: São Paulo, com R$ 291,7 bilhões; Rio de Janeiro, com R$ 178,5 bilhões; Minas Gerais, com R$ 164,1 bilhões; Rio Grande do Sul, com R$ 101,6 bilhões; e Goiás, com R$ 19,0 bilhões. Esses números evidenciam a necessidade urgente de mecanismos eficazes para a gestão e amortização dessas obrigações.

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Em suma, a derrubada de vetos pelo Congresso Nacional ao projeto do Propag representa um avanço significativo na política fiscal brasileira, oferecendo novas perspectivas para a sustentabilidade financeira dos estados. Com condições de pagamento mais brandas e a introdução de mecanismos inovadores, busca-se um equilíbrio que permita aos entes federados retomar investimentos e impulsionar o desenvolvimento. Para continuar acompanhando as principais notícias sobre a economia e as decisões políticas que afetam o país, explore mais conteúdos em nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Arquivo/Agência Brasil