Após a conclusão da COP30 em Belém, no Pará, os olhos da comunidade internacional voltam-se para a Turquia, sede da **COP31** em 2026. Embora não haja previsão de grandes entregas obrigatórias como em edições anteriores, a expectativa é de que a conferência se concentre na apresentação de relatórios de iniciativas concebidas pela presidência brasileira para impulsionar ações climáticas, além de promover discussões sobre a remodelação dos fluxos financeiros globais.
A agenda definitiva para a próxima Conferência das Partes (COP) ainda aguarda a elaboração de um rascunho, que só deve ser finalizado após as Reuniões Climáticas de Junho, tradicionalmente sediadas em Bonn, na Alemanha, onde se localiza a sede da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Qualquer nação ou grupo negociador tem a prerrogativa de solicitar a inclusão de novos pontos na pauta. É importante ressaltar que, ao contrário de 2025, quando os signatários do Acordo de Paris tinham a obrigação de atualizar suas metas climáticas nacionais, e de 2024, que demandava a definição de um novo objetivo de financiamento, a edição de 2026 não impõe entregas globais mandatórias sob o tratado.
“Ainda está cedo para sabermos o que vai ser importante no ano que vem”, pontua Stela Herschmann, especialista em Política Climática do Observatório do Clima. Contudo, entre as principais expectativas para o encontro na Turquia está a busca por avanços graduais em diversas frentes. A elaboração de um Acelerador de Implementação Global desponta como uma das propostas centrais, fruto de uma parceria entre as presidências da COP30 e da
COP31 em 2026: Foco em Acelerador de Metas Climáticas
. Este mecanismo visa oferecer suporte aos países na execução de seus planos climáticos e medidas de adaptação, com o objetivo primordial de manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5°C. Um relatório detalhado sobre este tema está programado para ser apresentado durante a conferência.
Remodelação Financeira e Planos de Adaptação
Paralelamente, os debates na **COP31** devem abordar estratégias para remodelar os fluxos financeiros internacionais, buscando otimizar os investimentos dedicados ao combate às mudanças climáticas e fortalecer o financiamento público. A questão do financiamento é crucial para a capacidade dos países em desenvolvimento de implementar suas ações de mitigação e adaptação.
Outro ponto relevante na agenda é a compilação e apresentação de um relatório de avaliação dos planos nacionais de adaptação (PNAs) já submetidos por dezenas de países. Esta análise permitirá identificar lacunas, melhores práticas e áreas que demandam maior atenção para fortalecer a resiliência global frente aos impactos climáticos.
A conferência também será palco para a continuidade de uma das decisões mais significativas da COP de Belém: a criação de um mecanismo de transição justa. Esta plataforma, fundamental para garantir que a mudança para uma economia de baixo carbono seja equitativa e inclusiva, tem sua operacionalização prevista para ser iniciada durante a **COP31**.
Debate sobre Combustíveis Fósseis e Pressão da Sociedade Civil
A discussão sobre combustíveis fósseis, que mobilizou a sociedade civil em 2025 e não resultou em sua inclusão direta no acordo da COP30, promete retornar com força. Stela Herschmann destaca que houve intensa pressão para que o tema fosse abordado na conferência anterior. Apesar de não ter sido formalmente incluído, a Colômbia anunciou a criação de uma conferência anual, a partir de 2026, dedicada exclusivamente à transição dessas fontes de energia. Essa iniciativa visa impedir que o assunto seja negligenciado, mantendo-o em evidência.
“Vamos manter a pressão para que o tema dos combustíveis fósseis seja o grande assunto da próxima COP. Mas depende de como vai ser essa dobradinha de Turquia e Austrália”, afirma a especialista, evidenciando a importância da colaboração entre os países anfitriões para a definição da pauta. A relevância contínua da discussão sobre a descarbonização e a eliminação gradual dos combustíveis fósseis para alcançar as metas climáticas globais será, sem dúvida, um dos pilares da **COP31**.

Imagem: www1.folha.uol.com.br
A Parceria Inusitada: Turquia e Austrália na Liderança da COP31
A realização da cúpula sobre mudança climática na Turquia, especificamente na cidade litorânea de Antália, será marcada por uma divisão de responsabilidades com a Austrália. Este arranjo peculiar foi a solução encontrada para resolver uma longa disputa nos bastidores entre os dois países.
Sob o acordo, a Turquia assume a logística da conferência e a nomeação dos “campeões climáticos” – representantes designados para mobilizar ações climáticas junto ao setor privado e entidades subnacionais. Por outro lado, a Austrália ficará com a liderança das negociações, detendo autoridade exclusiva sobre a condução da agenda e a elaboração dos rascunhos dos textos. O ministro de Mudanças Climáticas e Energia australiano, Chris Bowen, é o nome cotado para essa função, apesar de enfrentar resistência da oposição em acumular as duas pastas.
Um dos termos adicionais do acordo prevê que a pré-COP seja realizada em uma nação insular do Pacífico, região particularmente vulnerável aos efeitos da crise climática, o que reforça o compromisso de dar voz a essas comunidades.
Apesar da solução encontrada, persiste a incógnita sobre a eficácia da “dobradinha” turco-australiana. Os países possuem interesses e lideranças políticas bastante divergentes. O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, representa o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, enquanto o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, é associado à direita radical e alvo de críticas por sua postura autoritária.
A Austrália justificava sua candidatura argumentando que amplificaria a voz das nações insulares do Pacífico. Já a Turquia defendia que daria especial atenção ao financiamento de países em desenvolvimento e demonstraria seus esforços para zerar as emissões líquidas até 2053. A capacidade de conciliar essas visões distintas será um dos maiores desafios da **COP31**. A colaboração entre os co-anfitriões será determinante para o sucesso das negociações e para o avanço das ações climáticas globais.
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Em suma, a **COP31** em 2026, na Turquia, embora sem entregas obrigatórias, se posiciona como um fórum crucial para o avanço de discussões sobre financiamento climático, a operacionalização de mecanismos de transição justa e a avaliação de planos de adaptação. A parceria entre Turquia e Austrália, apesar das diferenças políticas, será essencial para moldar a agenda e os resultados dessa conferência. Para mais notícias e análises sobre política, economia e questões globais, continue acompanhando as atualizações em nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Pablo Porciuncula – 22.nov.25/AFP







