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CPI do Crime Organizado: PF e Promotor do PCC depõem

Política

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, instaurada no Senado Federal, iniciou nesta terça-feira, 18 de novembro de 2025, suas primeiras oitivas com figuras-chave no combate à criminalidade no Brasil. Os depoimentos buscam aprofundar o entendimento sobre a atuação de facções e milícias que desafiam a segurança pública do país. Esta fase inicial da CPI é considerada fundamental para a coleta de informações estratégicas que embasarão futuras propostas legislativas e ações de governo.

A agenda de trabalhos da comissão prevê uma série de audiências com autoridades e especialistas. Nesta terça-feira (18), a partir das 9 horas, foram ouvidos o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência da mesma corporação, Leandro Almada. Ambos trouxeram perspectivas sobre as operações e estratégias de inteligência da PF no combate às organizações criminosas em território nacional, um tema de grande relevância para a segurança e estabilidade social.

CPI do Crime Organizado: PF e Promotor do PCC depõem

Na quarta-feira, 19 de novembro de 2025, a pauta da CPI do Crime Organizado se estende com a participação de Antônio Glautter de Azevedo Morais, que ocupa o cargo de diretor de Inteligência Penal da Secretaria Nacional de Políticas Penais. A presença de Morais é crucial para discutir a situação prisional e o papel do sistema carcerário na dinâmica do crime organizado. Em seguida, será a vez do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, uma figura proeminente na investigação do Primeiro Comando da Capital (PCC) desde o início dos anos 2000. Sua experiência de décadas no enfrentamento a uma das maiores facções criminosas do Brasil promete trazer subsídios valiosos para os parlamentares.

Contexto e Instalação da Comissão

A instauração da CPI do Crime Organizado ocorreu em 4 de novembro de 2025, impulsionada pela forte repercussão de uma operação policial no Rio de Janeiro (RJ) que resultou na morte de 121 pessoas. Esse evento trágico acendeu o alerta para a urgência de uma análise aprofundada sobre as estruturas e modus operandi do crime organizado no país, levando à criação do colegiado no Senado. A comissão surge como um instrumento parlamentar para investigar, propor soluções e cobrar ações efetivas do poder público no combate a esse flagelo.

A atuação da CPI ocorre em um momento de intenso debate no Congresso Nacional. Paralelamente aos trabalhos do Senado, a Câmara dos Deputados se debruça sobre a tentativa de votação do substitutivo do Projeto de Lei (PL) Antifacção. Este projeto, que visa endurecer a legislação contra organizações criminosas, enfrenta consideráveis resistências tanto por parte do governo quanto da oposição, evidenciando a complexidade e a delicadeza do tema no cenário político nacional. A aprovação de medidas eficazes para o combate ao crime organizado é um desafio que perpassa diversas esferas do poder.

Os Objetivos e Desafios da CPI

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que atua como relator da CPI do Crime Organizado no Senado, concedeu entrevista à Agência Brasil, onde detalhou a principal finalidade dos trabalhos da comissão. Segundo Vieira, o objetivo central é produzir um diagnóstico completo e fidedigno da atuação das diversas facções e milícias presentes no território brasileiro. Este diagnóstico, conforme explicitou o relator, será a base para a proposição de políticas de segurança pública mais eficientes e adaptadas à realidade nacional. A busca é por soluções que demonstrem eficácia comprovada, distinguindo-as daquelas que, embora repetidas ao longo do tempo, não produziram os resultados esperados.

Vieira reforçou a importância de uma análise pragmática e baseada em evidências. “Com esse diagnóstico, daremos o encaminhamento de quais são as soluções que funcionam e aquelas que nunca funcionaram, embora sejam repetidas de tempos em tempos”, comentou o senador. A visão do relator aponta para a necessidade de inovar nas estratégias de combate à criminalidade, abandonando abordagens ineficazes e investindo em métodos que apresentem resultados concretos na proteção da sociedade.

CPI do Crime Organizado: PF e Promotor do PCC depõem - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

A presidência da CPI do Crime Organizado está a cargo do senador Fabiano Contarato (PT-ES). Ele expressou seu compromisso em garantir que a comissão mantenha o foco em suas atribuições investigativas e propositivas, evitando desvios para palcos político-eleitorais. A promessa de Contarato é de que os trabalhos resultem em contribuições objetivas e significativas para o enfrentamento do crime organizado no Brasil, afastando-se de qualquer instrumentalização partidária.

“A gente tem que ter a responsabilidade de dar uma resposta para a população sem se deixar contaminar com esse viés político partidário ou eleitoral. Temos que fazer dessa CPI um resultado positivo em defesa daquilo que é elementar, que é a segurança pública como direito de todos e dever do Estado”, declarou o presidente da comissão à Agência Brasil. A fala de Contarato sublinha a seriedade e a responsabilidade que permeiam os trabalhos da CPI, com a meta de entregar à sociedade brasileira um conjunto de medidas robustas e imparciais para fortalecer a segurança pública, um direito fundamental de todos os cidadãos.

A busca por um combate eficaz ao crime organizado é uma prioridade nacional, e a atuação desta CPI do Senado é um passo importante para aprofundar o conhecimento sobre o tema e formular respostas adequadas aos desafios impostos pelas facções e milícias. A transparência e a objetividade dos depoimentos são cruciais para que a comissão cumpra seu papel de gerar um impacto positivo na formulação de políticas públicas.

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Em suma, as primeiras oitivas da CPI do Crime Organizado marcam o início de um trabalho complexo e de extrema importância para o país, reunindo depoimentos de alta relevância para a compreensão e enfrentamento das organizações criminosas. Os desafios são grandes, mas a expectativa é que a comissão consiga traçar um panorama preciso e propor soluções duradouras para a segurança pública brasileira. Para mais análises sobre política nacional e os desdobramentos desta e de outras investigações, continue acompanhando a editoria de Política em nosso portal.

Crédito da imagem: Lula Marques/Agência Brasil