O crescimento varejo fim de ano, compreendendo os meses de novembro, dezembro e janeiro, deverá apresentar um desempenho considerado pífio, com projeções que se aproximam de 0%. Este cenário foi detalhado por estudos do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) em colaboração com a FIA Business School, indicando uma estagnação nas vendas tanto para o varejo restrito quanto para o ampliado, marcando um período de pouca euforia para o comércio.
De acordo com os levantamentos, o varejo restrito, categoria que abrange segmentos essenciais como supermercados, vestuário, móveis, eletrodomésticos e artigos farmacêuticos, projeta uma leve retração no curto prazo. As estimativas indicam uma queda de -0,01% em novembro de 2025 em relação ao mês anterior, seguida por um recuo de -0,04% em dezembro de 2025. Para janeiro de 2026, a previsão é de estabilidade, registrando 0% de variação. Já o varejo ampliado, que engloba todos os segmentos do varejo restrito adicionados a veículos, motos, suas partes e peças, além de material de construção, mostra um avanço de 0,42% em novembro de 2025 comparado ao mês antecedente. Contudo, dezembro de 2025 apresenta uma projeção de queda de -0,02%, com uma recuperação esperada para janeiro de 2026, que poderá atingir um crescimento de 0,61%. Esses dados reforçam a expectativa de um final de ano sem grandes impulsos para o setor.
Crescimento Varejo Fim de Ano Pífio: Projeção Ibevar Aponta 0%
Claudio Felisoni, presidente do Ibevar, enfatiza que os próximos três meses serão marcados por uma “expansão lateral”, onde o setor varejista “caminha de lado”. Ele destaca que a resiliência do mercado é “bastante moderada”, influenciada diretamente por fatores como o nível de emprego e o consumo das famílias, que demonstram certa estabilidade, mas sem grande fôlego. Outros elementos cruciais para este desempenho aquém do esperado são a persistência de taxas de juros elevadas, que encarecem o crédito e desestimulam o consumo a prazo, e o elevado patamar de endividamento da população brasileira. Esse cenário complexo impede um avanço mais significativo das vendas no período tradicionalmente mais aquecido do ano, impactando diretamente o crescimento varejo fim de ano.
As projeções de vendas do Ibevar para o período de novembro de 2025 a janeiro de 2026 ilustram essa perspectiva de baixo crescimento. Para o varejo restrito, em novembro de 2025, a variação será de -0,01%; em dezembro de 2025, de -0,04%; e em janeiro de 2026, de 0,00%. No varejo ampliado, as expectativas são de 0,42% para novembro de 2025, -0,02% para dezembro de 2025 e 0,61% para janeiro de 2026. Estes números reforçam a tese de um fim de ano sem o vigor de anos anteriores, exigindo cautela e estratégias adaptadas por parte dos comerciantes, que precisarão lidar com um consumidor mais contido.
O quadro de endividamento das famílias brasileiras contribui significativamente para a contenção do consumo, funcionando como um freio para o mercado. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revelaram que, em outubro, a proporção de famílias com algum tipo de dívida atingiu alarmantes 79,5%. Destas, 30,5% encontravam-se em situação de inadimplência, ou seja, com contas em atraso. Mais preocupante ainda é o recorde de pessoas que afirmam não ter condições de quitar suas dívidas, chegando a 13,2% do total de endividados, o que as mantém em situação de inadimplência crônica. Este cenário de fragilidade financeira limita drasticamente a capacidade de compra e, consequentemente, o potencial de crescimento varejo fim de ano. Para entender mais sobre este panorama, é possível consultar as análises econômicas da Confederação Nacional do Comércio.
A projeção de desempenho do varejo, tanto restrito quanto ampliado, sobre outros períodos de tempo, oferece um diagnóstico aprofundado de como anda o consumo das famílias. Segundo Felisoni, os dados mostram um desempenho mais favorável no varejo restrito, que geralmente engloba o consumo de necessidades básicas, refletindo a busca dos consumidores por manterem seus gastos essenciais. Em contrapartida, o varejo ampliado tem apresentado um desempenho negativo em todas as variáveis de tempo analisadas, indicando uma contenção de gastos em categorias de bens mais duráveis ou de maior valor agregado.
O presidente do Ibevar analisa que as pessoas têm procurado manter seu padrão de vida em itens e serviços considerados indispensáveis e que não podem ser cortados imediatamente. Isso inclui despesas com plano de saúde, transporte e muitos serviços pessoais, como idas a salões de beleza e academias, que continuam a registrar crescimento. Essa priorização de serviços e bens essenciais explica a relativa estabilidade observada no varejo restrito, contrastando com a dificuldade de avanço em setores de consumo mais discricionário, típicos do varejo ampliado, onde o consumidor demonstra maior hesitação em comprometer sua renda.

Imagem: Charles de Moura via infomoney.com.br
Ao analisar a projeção do varejo em comparação com o mesmo mês do ano anterior, e o acumulado do ano e de 12 meses, os números do Ibevar reforçam essa dualidade de comportamento. O varejo restrito, em novembro de 2025, apresenta um crescimento anual de 0,58%; no acumulado do ano, 1,66%; e nos últimos 12 meses, 1,80%. Para dezembro de 2025, o crescimento anual é de 0,74%, acumulado do ano de 1,58%, e 1,58% nos últimos 12 meses. Em janeiro de 2026, a projeção é de 0,51% anual, 0,51% acumulado do ano, e 1,41% nos últimos 12 meses. Esses resultados indicam uma certa estabilidade no consumo de bens essenciais, após um período de desaceleração que marcou o ano corrente, denotando uma moderação e cautela por parte dos consumidores.
Por outro lado, o varejo ampliado, que incorpora segmentos como veículos, motos e material de construção, registrou um recuo de -2,39% em novembro de 2025 frente ao mesmo mês de 2024. No acumulado de 12 meses, a queda é de -0,08%, um sinal da dificuldade do setor. Para dezembro de 2025, a projeção anual é de -2,45%, acumulado do ano de -0,03%, e -0,03% nos últimos 12 meses. Em janeiro de 2026, as expectativas são de -1,96% anual, -0,70% acumulado do ano, e -0,27% nos últimos 12 meses. Este desempenho reflete um ritmo lento na recuperação desses setores, confirmando a dificuldade em alavancar o crescimento varejo fim de ano em sua totalidade e a cautela dos consumidores em grandes compras.
Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos
Em suma, as projeções do Ibevar e da FIA Business School para o crescimento varejo fim de ano de 2025/2026 indicam um cenário de estagnação, com variações próximas a zero, longe do otimismo que o período geralmente inspira. O endividamento das famílias, as altas taxas de juros e a contenção do consumo em setores não essenciais são os principais fatores que moldam esta perspectiva de um fim de ano morno para o comércio. Para acompanhar outras análises e notícias relevantes sobre a economia brasileira e global, continue navegando em nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Divulgação






