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Crise na Brown-Forman: Herdeiros criticam gestão após perdas bilionárias

Economia

Uma crise na Brown-Forman, a renomada empresa por trás de marcas como Jack Daniel’s, Woodford Reserve e Herradura, veio à tona com uma carta contundente de dois membros da família controladora ao conselho de administração. A correspondência, datada de 10 de julho, revelou profundas tensões e críticas severas à gestão da companhia, apenas semanas após o fracasso das negociações para um acordo com o grupo de bebidas Pernod Ricard SA.

W. L. Lyons Brown III, descendente direto da família fundadora, e seu irmão Stuart Brown, que já atuou como conselheiro da empresa, não pouparam críticas. Eles apontaram a deterioração dos resultados financeiros, práticas de remuneração questionáveis para executivos e a condução malsucedida das negociações com a Pernod Ricard como os principais focos de sua insatisfação.

Crise na Brown-Forman: Herdeiros criticam gestão após perdas bilionárias

O alvo principal das críticas dos irmãos Brown foi Lawson Whiting, o CEO da Brown-Forman. Em sua carta, eles destacaram que Whiting acumulou um histórico de três anos caracterizado por um desempenho operacional insatisfatório, transações comerciais que não prosperaram e, paradoxalmente, aumentos substanciais em sua própria remuneração. Isso ocorreu em um período onde as ações da empresa estavam desvalorizadas e, ao mesmo tempo, funcionários eram desligados. Três dias após a data da carta, em 13 de julho, a Brown-Forman anunciou que Whiting havia decidido se aposentar.

A correspondência oferece um panorama raro das divergências internas que afetam uma família cujo ancestral estabeleceu, há 156 anos, a primeira empresa a comercializar uísque em garrafas de vidro seladas. Em seu ápice, no ano de 2020, a Brown-Forman ostentava um valor de mercado de US$ 38 bilhões. Contudo, no início deste ano, o valor de mercado da fabricante de destilados renomados, como o uísque Woodford Reserve, a tequila Herradura e o rum Diplomático, experimentou uma queda acentuada, atingindo o patamar de US$ 10,5 bilhões.

Os irmãos Brown enfatizaram que a queda nas ações da Brown-Forman tem dissipado bilhões de dólares do patrimônio geracional da família e de outros acionistas. Eles destacaram que esse declínio ocorreu abertamente, com uma percepção de falta de responsabilização por parte da administração, e que analistas de mercado continuam a rebaixar as recomendações para as ações da companhia. Um porta-voz da Brown-Forman, em resposta, assegurou que a empresa valoriza o feedback de todos os seus stakeholders e mantém um diálogo construtivo e contínuo.

W. L. Lyons Brown III dedicou aproximadamente 15 anos de sua carreira à Brown-Forman, encerrando sua jornada em 2002. Três anos depois, em 2005, ele fundou a Altamar Brands, uma empresa focada na importação e criação de vinhos e destilados, com um portfólio que inclui a tequila Lágrimas del Valle e os uísques High N Wicked. Ele é filho de um ex-CEO e ex-presidente do conselho da Brown-Forman. Stuart Brown, por sua vez, integrou o conselho de administração da companhia entre 2015 e 2024. A existência da carta enviada pelos irmãos ao conselho já havia sido previamente divulgada pelo Wall Street Journal.

A desvalorização das ações da Brown-Forman ocorreu em paralelo a uma sequência de quedas na receita e a um período de fragilidade geral no setor de destilados. O mercado tem enfrentado desafios como a diminuição do consumo de bebidas alcoólicas, a mudança nas preferências dos consumidores e uma crescente conscientização sobre os riscos do álcool para a saúde. Em 20 de março, as ações da empresa registraram o menor nível em quase 14 anos. Na semana seguinte, a Bloomberg News noticiou que a Pernod Ricard considerava uma possível aquisição da companhia, sediada em Louisville, Kentucky. Contudo, as negociações foram encerradas em aproximadamente um mês, sem sucesso. Para mais informações sobre o contexto de fusões e aquisições no setor, consulte a cobertura da Bloomberg sobre o tema.

Crise na Brown-Forman: Herdeiros criticam gestão após perdas bilionárias - Imagem do artigo original

Imagem: infomoney.com.br

Na carta, Lyons Brown III e Stuart Brown demandaram informações detalhadas sobre os motivos pelos quais a Brown-Forman não conseguiu firmar um acordo com a Pernod Ricard e qual seria o planejamento estratégico futuro da empresa. Eles questionaram: “Se a transação com a Pernod Ricard era o Plano A, qual é o Plano B? A companhia está em crise”. Os irmãos também criticaram a Wolf Pen Branch LP, uma entidade familiar que representa os descendentes dos Brown que detêm a maioria das ações com direito a voto da classe A, além do próprio conselho e da administração. Eles argumentaram que nenhum líder estava oferecendo aos acionistas qualquer garantia de que a empresa continua sendo um investimento digno de ser mantido. Apesar do insucesso na transação com a Pernod Ricard, o conselho aprovou milhões de dólares em bônus para executivos envolvidos nas negociações, mesmo sem que estas gerassem valor para os acionistas.

Um documento regulatório da Brown-Forman confirmou que executivos, incluindo Whiting e o diretor financeiro Jim Peters, receberam pagamentos que totalizaram cerca de US$ 6 milhões. Desse montante, Whiting recebeu um pagamento de US$ 2,7 milhões. Em outro desenvolvimento, a Brown-Forman também recebeu manifestações de interesse da Sazerac Co., uma empresa de capital fechado que detém marcas como o bourbon Buffalo Trace e os coquetéis BuzzBallz.

Os irmãos Lyons Brown III e Stuart Brown expressaram preocupação com a falta de transparência da Brown-Forman a respeito das discussões com a Sazerac. Eles argumentaram que uma possível combinação entre as duas empresas poderia ter méritos significativos, oferecendo a oportunidade de fortalecer a posição da companhia tanto no mercado doméstico quanto globalmente. Em 26 de julho, a Brown-Forman anunciou a rejeição de uma oferta de aquisição não solicitada pela Sazerac, que havia solicitado à empresa que reconsiderasse uma proposta anterior de US$ 15 bilhões, também rejeitada neste ano. Por fim, Lyons Brown III e Stuart Brown instaram o conselho a apresentar um plano estratégico claro, a restabelecer a responsabilização na remuneração dos executivos e a ampliar o diálogo com todos os acionistas da família. Eles concluíram afirmando que “o status quo é inaceitável, e o conselho será responsabilizado pelas decisões que tomar — ou deixar de tomar — nas próximas semanas e meses”.

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A tensão entre os herdeiros e a administração da Brown-Forman evidencia os desafios enfrentados por empresas familiares de grande porte em um mercado global cada vez mais competitivo e transparente. Acompanhe as próximas notícias e análises em nossa editoria de Economia para se manter informado sobre este e outros temas relevantes no mundo corporativo.

Crédito: 2026 Bloomberg L.P.

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