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Custo da Safra Brasileira Ameaçado por Guerra e Fertilizantes

Economia

O custo da safra brasileira enfrenta novas pressões decorrentes do conflito no Oriente Médio, que já impacta o mercado de petróleo e as rotas marítimas. Segundo Aurélio Pavinato, presidente da SLC Agrícola (SLCE3), a escalada geopolítica tem encarecido os fertilizantes, insumo crucial para a produção agrícola. Contudo, essa mesma turbulência global também impulsiona os preços das commodities exportadas pelo Brasil, sugerindo um fortalecimento da demanda por produtos agrícolas nacionais no médio prazo.

“A guerra gera toda essa volatilidade, esse risco momentâneo, mas ela gera incerteza de quão caro, quão barato vai ser o petróleo ao longo dos próximos anos”, explicou Pavinato durante sua participação no programa Expert Talks na Mesa com CEOs, da XP, conduzido por Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head de research da corretora.

Custo da Safra Brasileira Ameaçado por Guerra e Fertilizantes

A SLC Agrícola é reconhecida como uma das maiores produtoras agrícolas em escala global. Com sede em Porto Alegre (RS), a companhia opera um vasto portfólio de culturas como soja, milho e algodão, distribuídos por 830 mil hectares em 26 fazendas localizadas em oito estados do Cerrado brasileiro. Desde a entrada de Pavinato na empresa em 1993, com apenas 24 mil hectares, a SLC expandiu significativamente, atingindo um faturamento de R$ 8,5 bilhões no ano anterior.

A dependência brasileira de fertilizantes é um ponto crítico. O país importa cerca de 95% do volume consumido. Embora existam reservas de fósforo e potássio, a extração local apresenta custos proibitivos em comparação com a importação de países como Marrocos, Rússia ou Canadá. Já o nitrogênio, outro componente essencial, exige gás natural de baixo custo, recurso escasso em território nacional. Essa conjuntura cria uma vulnerabilidade estrutural a um mercado global que, neste momento, está sob intensa pressão.

Pavinato alerta que “o aumento do custo do fertilizante mundial vai ser pago, no fundo, pelo consumidor, porque vai encarecer a produção de alimentos a nível mundial”. Para a safra 2026/27, cujo plantio se inicia em agosto no Sul do Brasil e em setembro no Centro-Oeste, o CEO não prevê risco de desabastecimento, mas reconhece que os insumos terão preços mais elevados.

Alta das Commodities Compensa Encarecimento dos Insumos

Apesar da preocupação com o preço dos fertilizantes, o cenário apresenta um ponto positivo: a valorização das próprias commodities agrícolas. A soja, por exemplo, viu seu preço subir de aproximadamente US$ 10,50 por bushel para US$ 12. O milho passou de US$ 4,30 para US$ 5, e o algodão saltou de US$ 0,67 para US$ 0,83 por libra no mercado à vista. Essa dinâmica, segundo o CEO, “compensa o aumento de custo de produção”.

A SLC Agrícola demonstrou proatividade diante do problema iminente. A empresa realizou a compra de fósforo antes da intensificação do conflito, o que, conforme Pavinato, posiciona a companhia para a próxima safra com custos de fertilizante equivalentes ou até inferiores aos do ano anterior. A venda das commodities já produzidas também foi acelerada, visando capitalizar os preços mais altos no mercado. Para um panorama mais amplo sobre a dinâmica desses mercados, consulte dados e análises sobre mercados de commodities.

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Imagem: infomoney.com.br

Impacto no Algodão e Demanda por Biocombustíveis

Um dos desdobramentos menos evidentes do conflito foi observado no setor de algodão. O aumento do preço do petróleo resultou no encarecimento do poliéster, uma fibra sintética derivada do óleo que compete diretamente com o algodão na indústria têxtil. Com o quilo do poliéster subindo de US$ 0,40 para US$ 0,56, a demanda pela fibra natural disparou, levando o preço do algodão a patamares mais elevados. “A guerra está provocando essa mudança de patamar de preço”, afirmou Pavinato, prevendo que o algodão deve se manter nesse nível enquanto o conflito persistir. Adicionalmente, a instabilidade logística tem levado compradores internacionais a formar estoques da fibra, gerando uma demanda estrutural adicional.

No que diz respeito à soja e ao milho, o impulso é reforçado pela crescente demanda por biocombustíveis. Países como Índia, Indonésia, Brasil e Estados Unidos estão expandindo o uso de etanol e biodiesel como alternativas ao petróleo, que apresenta grande volatilidade. “Quando a gente pensa no médio e longo prazos, tem um efeito benéfico de geração de demanda dos produtos para biocombustível ao longo dos próximos anos”, concluiu o presidente da SLC Agrícola.

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Em suma, embora o custo da safra brasileira seja pressionado pelo encarecimento de fertilizantes em decorrência do conflito no Oriente Médio, a alta simultânea nos preços das commodities agrícolas atenua o impacto, e a SLC Agrícola demonstra estar bem preparada para o cenário. As tendências de demanda por biocombustíveis e a dinâmica do mercado de fibras naturais também prometem suporte para o setor no futuro próximo. Para análises aprofundadas sobre o agronegócio e o cenário econômico que afeta o país, convidamos você a explorar mais conteúdos em nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Divulgação

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