A senadora Damares Alves solicita esclarecimentos sobre o Banco Master. A parlamentar, representante do Republicanos pelo Distrito Federal, formalizou dois requerimentos cruciais ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), solicitando a convocação das empresas de auditoria KPMG e PwC (PricewaterhouseCoopers). O objetivo é que estas prestem informações detalhadas sobre os procedimentos de auditoria que realizaram nas demonstrações financeiras da instituição bancária.
As duas auditorias, reconhecidas globalmente, foram responsáveis por examinar os balanços e resultados financeiros do Banco Master antes que sua liquidação extrajudicial fosse decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado. Especificamente, a KPMG analisou os dados financeiros fechados referentes ao ano de 2024, enquanto a PwC foi contratada para auditar o balanço do primeiro semestre do mesmo ano.
Damares pede esclarecimentos sobre Banco Master à KPMG e PwC
A iniciativa da senadora Damares Alves surge em um contexto de questionamentos acerca da atuação das auditorias. No relatório dos auditores, anexo ao balanço de 2024, a KPMG atestou que as demonstrações financeiras do Banco Master “apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira do Banco Master S.A. em 31 de dezembro de 2024, o desempenho de suas operações e os seus fluxos de caixa para o semestre e exercício findos nessa data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, aplicáveis às instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil”. Apesar desse parecer positivo, a instituição acabou por ser liquidada poucos meses depois, levantando dúvidas sobre a profundidade e a precisão da avaliação.
Quando contatada para comentar a situação, a KPMG informou que estava legalmente impedida de se manifestar sobre casos envolvendo ex-clientes, citando a existência de “cláusulas de sigilo e regras da profissão” que regem sua conduta profissional. Essa postura, embora alinhada às práticas do setor, adiciona uma camada de complexidade à busca por clareza nos eventos que levaram à crise do Banco Master.
O Papel da PwC e a Crise do Banco Master
A situação da PwC em relação ao Banco Master também merece atenção. Contratada para realizar a auditoria do balanço do primeiro semestre de 2025, o documento resultante de seus trabalhos nunca chegou a ser publicado. A crise na instituição financeira começou a ganhar notoriedade em março de 2025, quando o Banco de Brasília (BRB) anunciou sua intenção de adquirir o Banco Master. No entanto, essa aquisição foi posteriormente rejeitada pelo Banco Central em setembro do mesmo ano, sinalizando problemas que já estavam em curso.
A PwC, assim como a KPMG, foi procurada pela reportagem para se manifestar sobre o caso, mas não respondeu aos pedidos de comentário até o momento da publicação desta notícia. A ausência de um parecer público sobre o balanço do primeiro semestre de 2025 e a falta de posicionamento da auditoria intensificam as incertezas sobre as finanças do banco antes de sua liquidação.
Motivações e Questionamentos da Senadora Damares
O cerne da preocupação da senadora Damares Alves reside na aparente ausência de alertas prévios sobre inconsistências financeiras significativas nas contas do Banco Master. A parlamentar busca entender por que os relatórios de auditoria não foram capazes de prever ou sinalizar as fragilidades que culminaram na liquidação da instituição.
Em sua justificativa para os pedidos de convocação, Damares Alves foi enfática: “A liquidação extrajudicial do Banco Master evidenciou a existência de graves inconsistências contábeis, ativos de difícil comprovação e fragilidades relevantes na estrutura patrimonial da instituição, circunstâncias que contrastam com a emissão de pareceres de auditoria que não apontaram, de forma suficiente, riscos materiais ao mercado”. Essa declaração sublinha a discrepância percebida entre as avaliações de auditoria e a realidade financeira que veio à tona com a intervenção do Banco Central. Para aprofundar a compreensão sobre o papel do Banco Central na supervisão do sistema financeiro, é possível consultar as atribuições da instituição.

Imagem: www1.folha.uol.com.br
A senadora enfatiza que a prestação de esclarecimentos pelas empresas é fundamental para determinar a extensão, a profundidade e a adequação dos procedimentos técnicos aplicados na auditoria das demonstrações financeiras do Banco Master. Ela aspira identificar a responsabilidade da KPMG e da PwC na possível perpetuação de práticas financeiras pela instituição que, em última instância, resultaram em sua liquidação extrajudicial. A parlamentar espera que a oitiva revele os critérios empregados pelas consultorias para a validação dos ativos registrados, a detecção de quaisquer sinais de alerta durante seus trabalhos e, crucialmente, as razões pelas quais esses sinais, se identificados, não foram convertidos em ressalvas, ênfases ou comunicações formais aos órgãos competentes e ao mercado financeiro.
Ações da CAE e Investigações em Andamento
Em uma medida complementar, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) estabeleceu, na semana anterior, um grupo de trabalho dedicado a monitorar as diversas investigações em curso. Essas investigações abrangem desde as ações da Polícia Federal até as apurações do Banco Central, focando em supostas fraudes envolvendo o Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro. A criação deste grupo de trabalho pela CAE ressalta a seriedade com que o Congresso Nacional encara as alegações e a necessidade de fiscalização rigorosa sobre o setor financeiro.
A atuação da senadora Damares Alves e o engajamento da CAE são parte de um esforço mais amplo para garantir a transparência e a responsabilidade no mercado financeiro, especialmente após casos de liquidação que afetam a confiança dos investidores e a estabilidade econômica. A busca por respostas das auditorias KPMG e PwC representa um passo importante na elucidação dos fatos e na prevenção de futuras crises semelhantes.
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Crédito da imagem: Evaristo Sa – 17.dez.2025/AFP







