EUA Não Participarão do G20 na África do Sul, Diz Casa Branca

Economia

Os Estados Unidos não participarão da cúpula do G20 na África do Sul, que reúne as 19 maiores economias globais, a União Europeia e a União Africana. A confirmação oficial veio da secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, nesta quinta-feira, delineando a postura de Washington em relação ao importante encontro diplomático agendado para os dias 22 e 23 de novembro em Joanesburgo.

Durante uma coletiva de imprensa, Leavitt fez declarações contundentes, acusando o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, de “falar demais”. Esta observação foi categorizada pela porta-voz como uma atitude que “não foi bem recebida pela Casa Branca”, sugerindo um nível de descontentamento diplomático por parte do governo americano em relação às comunicações de Ramaphosa.

EUA Não Participarão do G20 na África do Sul, Diz Casa Branca

A declaração de Leavitt surge em um contexto de idas e vindas sobre a participação dos EUA. Anteriormente, o próprio presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, havia sinalizado que o governo americano poderia reconsiderar sua posição e se juntar ao encontro, após um boicote inicial. Ramaphosa afirmou nesta quinta-feira que “recebemos um aviso dos Estados Unidos, um aviso sobre o qual ainda estamos em discussões com eles, sobre uma possível mudança de opinião, sobre participar de uma forma ou de outra na cúpula”. Ele acrescentou que “isso acontece nos dias que antecedem a cúpula. Portanto, precisamos nos engajar nesse tipo de discussão para ver quão prático é e o que isso realmente significa no final”, demonstrando a incerteza que pairava sobre a questão até a manifestação decisiva da Casa Branca.

A controvérsia sobre a participação dos EUA na cúpula do G20 na África do Sul tem raízes profundas, remontando à administração anterior. O governo Trump, por exemplo, havia declarado explicitamente que não participaria da primeira cúpula do G20 no continente africano. A justificativa apresentada na época era a alegação de que o país anfitrião, que operou sob um sistema de apartheid até 1994, estaria discriminando pessoas brancas em seu território.

No início de novembro, o ex-presidente republicano, por meio de uma publicação na rede social Truth Social, intensificou as críticas. Trump classificou a escolha da África do Sul como anfitriã da cúpula como uma “vergonha total”, reiterando acusações de que os africâneres estariam sendo “mortos e massacrados” e que suas “terras e fazendas estão sendo confiscadas ilegalmente”. Em sua postagem, ele foi categórico ao afirmar que “nenhum representante do governo dos EUA participará enquanto esses abusos de direitos humanos continuarem”, estabelecendo uma condição clara para qualquer eventual envolvimento americano, que agora se confirma não ter sido atendida.

A repercussão dessas tensões diplomáticas foi sentida até mesmo na simbologia da transição da presidência do G20. Na semana passada, o presidente Ramaphosa comentou sobre o cenário de entregar a liderança do grupo aos EUA, afirmando de forma resignada: “Não quero entregar para uma cadeira vazia, mas a cadeira vazia estará lá”. Esta fala encapsula a frustração e a complexidade das relações bilaterais e o impacto da ausência americana no palco internacional, especialmente em um fórum tão crucial para as discussões econômicas globais.

A cúpula do G20, que reúne líderes das maiores economias do planeta, desempenha um papel fundamental na coordenação de políticas globais em temas como economia, comércio, finanças e desenvolvimento sustentável. A ausência de uma das principais potências globais, os Estados Unidos, pode influenciar os debates e as conclusões do evento, embora o grupo inclua outras nações influentes, como a China, Índia, Brasil, Alemanha, entre outras. Para aprofundar a compreensão sobre dinâmicas internacionais, visite o Conselho de Relações Exteriores.

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Em suma, a decisão formal da Casa Branca de não enviar representantes à cúpula do G20 na África do Sul, reiterada por Karoline Leavitt, encerra as especulações sobre uma possível mudança de postura e consolida um momento de tensão diplomática. As acusações do governo americano e as respostas do presidente Ramaphosa indicam que as relações entre os dois países permanecem complexas. Para continuar acompanhando as últimas notícias sobre política internacional e análises aprofundadas, visite nossa editoria de Política.