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Filme de Bolsonaro: Xandão e Insinuações de Fraude Eleitoral

Economia

Filme de Bolsonaro Dark Horse, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro desde o atentado de 2018 até sua ascensão ao poder, está no centro de uma nova controvérsia. Detalhes do roteiro e relatos de membros da produção, obtidos pelo GLOBO, indicam que as cenas finais da obra incluem a representação de um personagem que evocaria o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, a produção cinematográfica levanta fortes insinuações de que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022 teria sido resultado de uma manipulação eleitoral.

A produção de Dark Horse contou com o patrocínio de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, que atualmente enfrenta acusações sérias, incluindo lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa, táticas de intimidação e coerção, entre outros crimes. A produtora Go Up, responsável pelo projeto, foi procurada pela reportagem do GLOBO para se manifestar sobre as informações reveladas, mas não houve retorno até o momento da publicação, mantendo o espaço aberto para futuros esclarecimentos.

A narrativa de Dark Horse culmina com o triunfo eleitoral de Jair Bolsonaro em 2018. Contudo, é na cena derradeira que se desenrola o ponto de maior tensão política. Um grupo de figuras, apresentadas como os antagonistas da história, observa a cerimônia de posse do então recém-eleito presidente pela televisão. Em um momento crucial, o líder desse grupo, identificado como Paulo Pontes, levanta-se e desliga o aparelho. Este desfecho é fundamental para entender as controvérsias envolvendo o

Filme de Bolsonaro: Xandão e Insinuações de Fraude Eleitoral

e o impacto político que ele busca provocar.

O personagem Paulo Pontes não é uma representação direta de uma pessoa real, mas sim uma personificação do “sistema” que, segundo a narrativa do filme, Bolsonaro teria combatido ao longo de sua carreira política. A audiência é introduzida a Pontes através de um flashback ambientado em 1985, onde ele é retratado como um influente barão das drogas, conhecido pelo apelido de “Cicatriz”, que é eventualmente detido pelo então jovem Capitão Bolsonaro. Em 2009, Pontes ressurge, agora como um empresário de grande poder financeiro, que tenta oferecer subornos a Bolsonaro em troca de favores políticos, uma oferta que é veementemente recusada pelo futuro presidente. No presente da trama, situado em 2018, Pontes é concebido como o cérebro por trás do atentado sofrido pelo ex-presidente. Essa construção do personagem serve para criar uma figura antagônica complexa, simbolizando as forças adversas que o enredo sugere que Bolsonaro enfrentou.

Na mesma sala onde o grupo de Pontes assiste à posse de Bolsonaro, uma figura em particular chama a atenção: um figurante careca. O roteiro do filme insinua, de forma enigmática e com um tom de mistério, que essa pessoa poderia ser um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O texto original em inglês descreve-o assim: “Among the group: A SLENDER MAN, bald, serious, self-righteous in his demeanor. He could be a Supreme Court Justice. Could be.” (Entre o grupo: UM HOMEM ESGUIO, careca, sério, de postura prepotente em seu comportamento. Ele poderia ser um ministro do Supremo Tribunal Federal. Poderia.)

Durante as gravações, o diretor fez questão de ter um figurante com essas características físicas. Conforme relatado por um membro da produção ao GLOBO, mesmo que o ator selecionado não possuísse grande semelhança com o ministro Alexandre de Moraes, ele foi filmado estrategicamente de costas, com ênfase na calvície, um detalhe que se destacava significativamente, pois nenhum outro indivíduo no ambiente possuía tal característica. Essa escolha de direção é percebida como uma clara alusão, ainda que velada, ao magistrado do STF, reforçando a linha de insinuações políticas que permeiam a obra.

O momento seguinte ao desligamento da televisão cenográfica é crucial para as controvérsias que envolvem Dark Horse. Frases finais surgem na tela, projetadas contra um fundo preto, culminando a narrativa com uma série de alegações que sugerem que o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva ao poder em 2022 teria sido facilitado por uma fraude eleitoral. As informações apresentadas no “TEXTO FINAL” do filme, conforme o roteiro, são as seguintes:

  • “Uma investigação conclui que o assassino [Adélio Bispo] agiu sozinho, mas o inquérito foi incompleto e a investigação deixou de fora muitas questões.”
  • “Em 2022, Bolsonaro perde sua tentativa de reeleição por um ponto percentual e meio.”
  • “Acusações de adulteração eleitoral e fraude são generalizadas.”
  • “Manifestações ocorrem por todo o Brasil, a maioria pacífica. Mas muitos são presos.”
  • “Bolsonaro é acusado de uma tentativa de golpe em 2025, condenado e sentenciado a uma pena de 43 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil.”
  • “FIM”

Essas afirmações do filme trazem um claro subtexto de deslegitimação do processo eleitoral de 2022, sugerindo irregularidades e levantando questionamentos sobre a lisura dos resultados. As “Acusações de adulteração eleitoral e fraude” são apresentadas como “generalizadas”, o que, dentro do contexto cinematográfico, visa solidificar a percepção de uma narrativa de fraude perante o público. As consequências apresentadas para Bolsonaro, como a acusação e condenação por tentativa de golpe em 2025 e uma pena de 43 anos, reforçam a dramaticidade e o tom acusatório da obra.

É fundamental contextualizar as alegações do filme com os dados oficiais. Luiz Inácio Lula da Silva venceu o segundo turno das eleições presidenciais de 2022 com 50,9% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro obteve 49,1%. Essa diferença representou 2,13 milhões de votos a favor do candidato eleito. As acusações de fraude eleitoral mencionadas no filme não encontraram respaldo em investigações oficiais ou comprovações por órgãos competentes, tendo sido desmentidas por diversas instituições. Para mais informações sobre os resultados eleitorais oficiais, consulte o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Você pode verificar os resultados detalhados das eleições de 2022 acessando o site oficial do Tribunal Superior Eleitoral.

Adicionalmente, Jair Bolsonaro foi declarado inelegível em 2022. A decisão se deu após o ex-presidente ter utilizado o Palácio da Alvorada e a estrutura governamental para promover uma apresentação a embaixadores de diversos países. Nesse evento, ele reiterou suspeitas infundadas de fraudes nas urnas eletrônicas, alegações que já haviam sido amplamente refutadas pelos órgãos oficiais e pela Justiça Eleitoral. A inelegibilidade de Bolsonaro é um fato jurídico relevante que se contrapõe à narrativa apresentada no filme, que sugere uma condenação por tentativa de golpe em 2025, uma projeção ficcional que, até o momento, não se alinha com a realidade dos fatos.

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O filme Dark Horse, com suas complexas insinuações sobre a figura do ministro Alexandre de Moraes e as alegações de fraude eleitoral, projeta uma visão particular da política brasileira e do processo democrático. A narrativa, que mescla elementos ficcionais com referências a eventos reais, busca moldar a percepção pública sobre as últimas eleições e o papel de figuras políticas. A discussão em torno da obra cinematográfica destaca a importância de analisar criticamente o conteúdo e confrontá-lo com os fatos e dados oficiais. Continue acompanhando os desdobramentos e análises sobre o cenário político brasileiro em nossa editoria de Política, onde você encontra as últimas notícias e aprofundamentos.

Crédito da Imagem: Divulgação

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