A revogação da taxa das blusinhas, um imposto de 20% aplicado sobre produtos importados com valor de até US$ 50, foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e gerou repercussão imediata. No entanto, Dario Durigan, ministro da Fazenda, optou por não se manifestar sobre a decisão ao ser questionado por jornalistas nesta data.
O ministro afirmou que estava retornando ao Palácio do Planalto após uma audiência focada na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que discute o fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados, um tema distinto. Durigan indicou que abordaria a medida da taxação em outro momento, adiando qualquer comentário sobre a revogação do imposto sobre as remessas internacionais.
A postura de Durigan ocorre em meio a um cenário político e econômico complexo, onde o
Fim da Taxa das Blusinhas: Durigan Evita Comentar Decisão
e suas implicações são temas de amplo debate. Ele havia participado, no mesmo dia, da audiência da Comissão Especial que discute a PEC 6×1, destacando sua agenda com outros compromissos parlamentares.
O Contexto da Revogação e Resistências Iniciais
Conforme informações apuradas, a decisão de revogar a cobrança do imposto de 20% sobre as importações de baixo valor foi precedida por consultas do governo a parlamentares em busca de apoio. Apesar do anúncio presidencial, o tema enfrentava resistências significativas dentro da equipe econômica do próprio governo.
A área econômica mantinha o entendimento de que o programa Remessa Conforme, que integrava a taxação das remessas internacionais de pequeno valor, era crucial para o controle aduaneiro. Além disso, considerava o programa fundamental para proteger a indústria e o comércio nacionais, que têm sofrido com a concorrência de produtos importados, especialmente da China, muitas vezes sem a devida fiscalização. Para compreender melhor o funcionamento do programa Remessa Conforme, é possível consultar informações detalhadas em fontes oficiais como a Receita Federal.
Impacto Fiscal e Histórico da Medida
Apesar das divergências internas, o impacto fiscal da revogação da medida era avaliado como baixo por interlocutores do governo. Para 2025, a arrecadação projetada com a cobrança era de R$ 5 bilhões, um aumento em comparação aos R$ 2,8 bilhões arrecadados em 2024. Este valor, embora relevante, pode não ter sido suficiente para justificar a manutenção da taxa diante de outras pressões.
No período de criação da cobrança, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), empenharam-se pessoalmente na defesa da medida. Essa defesa ocorreu mesmo diante de uma forte onda de críticas nas redes sociais e uma ampla pressão dos setores varejista e têxtil nacionais, que viam na taxação uma forma de equilibrar a competição.

Imagem: valor.globo.com
Pressões Políticas e o Cenário Atual
O panorama político atual difere do momento de implementação da taxa. Em um ano eleitoral, a pressão por medidas que possam elevar a popularidade do presidente Lula tem crescido consideravelmente. Esse fator tem sido crucial nas discussões sobre a revogação da “taxa das blusinhas”.
Aliados do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), têm sinalizado que o governo pode encontrar um ambiente receptivo à revogação no Parlamento. No entanto, Motta ressalta a importância de calibrar os impactos que essa medida pode gerar sobre a produção nacional. Em conversas reservadas, o parlamentar paraibano tem mencionado exemplos dos efeitos da concorrência chinesa sobre polos produtivos tradicionais de diversas regiões do Brasil, indicando que a decisão não é isenta de preocupações para a economia interna.
A revogação da taxa das blusinhas representa uma mudança significativa na política de importação e um reflexo das complexas dinâmicas entre economia, política e popularidade em ano eleitoral. A ausência de comentário do Ministro da Fazenda, Dario Durigan, sublinha a sensibilidade do tema e as diversas frentes que o governo precisa equilibrar. Para se aprofundar nas discussões econômicas e políticas do país, continue acompanhando nossa editoria de Economia.
Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos
Crédito da imagem: Dario Durigan – Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil







