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Datafolha: Flávio Bolsonaro Enfrenta Desafio no Eleitorado Feminino

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A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na última sexta-feira (24), reafirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém uma significativa vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) entre o **eleitorado feminino**. Essa constatação representa uma das principais preocupações para a pré-campanha à Presidência do filho de Jair Bolsonaro (PL), que historicamente enfrenta dificuldades para angariar o apoio das mulheres em suas disputas eleitorais.

Em um cenário hipotético de segundo turno, confrontando Lula e Flávio Bolsonaro, a preferência feminina se distribui da seguinte forma: 50% das eleitoras manifestam intenção de voto no petista, enquanto 40% declaram apoio ao representante do Partido Liberal. A disparidade observada no segmento feminino contrasta com o desempenho entre os homens, onde Lula angaria 45% das intenções e Flávio Bolsonaro detém 46%. Somando ambos os grupos, o presidente Lula aparece com 48% dos votos totais, frente a 43% de Flávio, com 9% de votos em branco e 1% de eleitores indecisos.

Datafolha: Flávio Bolsonaro Enfrenta Desafio no Eleitorado Feminino

A margem de erro geral da pesquisa Datafolha é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Contudo, quando se analisam os dados especificamente para os recortes de gênero – homens e mulheres –, a margem de erro amplia para três pontos percentuais. Essa variação indica a sensibilidade dos resultados dentro de cada grupo demográfico, mas não altera a tendência de desvantagem de Flávio Bolsonaro no segmento feminino.

Rejeição e Análise dos Cenários Eleitorais

O levantamento do Datafolha também evidencia que Flávio Bolsonaro é o pré-candidato com a maior rejeição entre as mulheres. Um expressivo percentual de 50% das eleitoras afirma que não votaria nele de forma alguma em um primeiro turno, enquanto para Lula, esse índice é de 44%. Na avaliação geral, a rejeição do filho de Bolsonaro alcança 48%, ligeiramente superior aos 46% do petista. Desde a pesquisa anterior, realizada em maio, os números oscilaram dentro da margem de erro, indicando uma persistência do cenário. Em junho, a diferença na intenção de voto feminina entre Lula e Flávio era de 15 pontos percentuais em segundo turno, e a distância na rejeição entre o segmento diminuiu de 13 para seis pontos no mês atual.

Esses dados colocam em xeque o impacto real de episódios recentes que envolveram o senador, como a discussão pública com sua madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), e a declaração de seu aliado, o influenciador Paulo Figueiredo, que afirmou que mulheres “votam muito mal”. Tais eventos podem ter reforçado a percepção negativa de parte do eleitorado feminino em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Estratégias para Conquistar o Voto Feminino

De acordo com um membro da pré-campanha do senador, a pauta voltada para as mulheres, com ênfase nas dificuldades econômicas enfrentadas por elas e na defesa do empreendedorismo como solução, constitui um dos três pilares fundamentais de sua plataforma. Os outros dois focos seriam a responsabilidade fiscal e o endurecimento do combate à criminalidade. Antecipando uma eleição decidida por margens estreitas, Flávio Bolsonaro tem adotado diversas estratégias para reverter a desvantagem junto ao público feminino.

Entre as iniciativas, destaca-se a prioridade na escolha de uma vice mulher. A preferida seria Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, embora a resistência do Republicanos, partido da aliada, represente um obstáculo. A pré-campanha também tem investido na produção de conteúdo direcionado às redes sociais, visando atrair esse eleitorado. Há cerca de dez dias, Flávio lançou o plano “Brasil por Elas”, que contempla promessas como internet e aparelho celular gratuitos, além de vouchers para creches, todas voltadas para as mulheres.

A expectativa é que Fernanda Bolsonaro, esposa de Flávio e dentista, ganhe maior visibilidade e protagonismo ao longo da campanha. Ela ativou um perfil público no Instagram no final do ano passado, após seu marido ser ungido como candidato, e tem acompanhado o senador em diversos eventos. Durante a convenção nacional do PL, realizada no sábado (25), que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência, ele fez longos elogios à sua esposa, Fernanda.

Lilian Sendretti, cientista política e pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), avalia que Flávio Bolsonaro possui potencial para ampliar o diálogo com o eleitorado feminino. Contudo, ela ressalta que o sucesso dessa estratégia dependerá diretamente da credibilidade das ações adotadas. “Se as eleitoras perceberem que se trata apenas de uma ação de marketing, sem mudanças concretas na agenda, o impacto pode ser limitado”, pondera a especialista.

Outros Pré-Candidatos e o Engajamento Feminino

Outros pré-candidatos também demonstram foco em conquistar o segmento feminino. Na convenção nacional do PSD, realizada no último domingo (26), o ex-governador Ronaldo Caiado sinalizou ao grupo, comprometendo-se, por exemplo, a confiscar o patrimônio de agressores e destinar os recursos financeiros às mulheres vitimadas. O presidente Lula, por sua vez, tem intensificado suas mensagens para esse eleitorado, prometendo endurecer a legislação para casos de feminicídio. “O cidadão que bater na mulher vai ter que ser punido, vai ter que usar tornozeleira. E aumentar a pena para quem mata mulher”, declarou em agenda no Rio Grande do Norte no início do mês.

Datafolha: Flávio Bolsonaro Enfrenta Desafio no Eleitorado Feminino - Imagem do artigo original

Imagem: www1.folha.uol.com.br

Somente no primeiro trimestre de 2026, o presidente petista participou de mais de dez ações direcionadas ao público feminino. Em fevereiro, ele lançou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, uma resposta aos números recordes desse crime registrados no país em 2025, conforme noticiado pela Folha. Para mais informações sobre o papel das mulheres na política brasileira, consulte os dados do Tribunal Superior Eleitoral.

O Fenômeno do “Gender Gap” na Política Brasileira

A resistência das mulheres em apoiar candidaturas de membros da família Bolsonaro não é um fenômeno isolado ou surpreendente. O que é conhecido como “gender gap” – a menor adesão de mulheres a partidos e candidaturas de direita, especialmente a radical – é um padrão global estudado há décadas pela ciência política. Lilian Sendretti, do Cebrap, esclarece que isso não implica que “as mulheres votam na esquerda”, mas sim que as candidaturas da direita radical enfrentam maiores desafios para expandir seu apoio no eleitorado feminino em comparação com o masculino.

No contexto brasileiro, a pesquisadora aponta que “as mulheres apresentam maior aversão a discursos políticos agressivos e à percepção de conflito permanente, características frequentemente associadas ao estilo político do bolsonarismo”. Embora a ascensão de líderes femininas em partidos de ultradireita tenha demonstrado capacidade de reverter, em certa medida, esse padrão histórico – como o exemplo da França, onde a legenda de Marine Le Pen (RN) ganhou dez pontos percentuais entre o eleitorado feminino (de 20% para 30% entre 2019 e 2024, segundo o instituto Ipsos) –, a realidade brasileira ainda reflete o desafio.

O Papel de Michelle Bolsonaro na Estratégia

No Brasil, Michelle Bolsonaro tem sido a grande aposta do PL para melhorar o desempenho eleitoral da família entre o grupo feminino. Em 2022, ela foi estrategicamente alçada aos holofotes para tentar reverter os baixos índices de seu marido, Jair Bolsonaro, entre as mulheres. Na pesquisa Datafolha de junho daquele ano, Bolsonaro aparecia com 27% das intenções de voto entre as mulheres em um cenário de segundo turno contra Lula, que tinha 62%. Graças, em parte, à atuação de Michelle, houve uma recuperação considerável, embora não suficiente: na véspera do segundo turno, Bolsonaro alcançou 42% entre o grupo, contra 51% do petista.

O círculo próximo a Flávio Bolsonaro tinha a expectativa de que Michelle atuasse, mais uma vez, para suavizar a imagem da família e auxiliar seu enteado. No entanto, Michelle nunca se engajou plenamente na pré-campanha de Flávio até que, em junho, publicou um vídeo alegando ter sido desrespeitada e maltratada por ele. Apesar de uma reconciliação pública, orquestrada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, um vídeo enviado por Michelle para ser exibido na convenção do partido se limitou a pedir a Deus que abençoe a candidatura de Flávio, sem tecer elogios a ele, o que levantou dúvidas sobre seu real comprometimento em ajudá-lo efetivamente na campanha.

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A persistente dificuldade de Flávio Bolsonaro em conquistar o eleitorado feminino, conforme indicado pela pesquisa Datafolha, aponta para um dos maiores desafios de sua pré-campanha presidencial. As estratégias de comunicação e pautas focadas nas mulheres, bem como o engajamento de figuras femininas em seu entorno, serão cruciais para tentar reverter esse cenário. Continue acompanhando as análises e notícias sobre as Eleições 2026 em nossa editoria de Política para se manter informado.

Crédito da imagem: Nelson Almeida – 25.jul.26/AFP

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