O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou uma proposta inovadora para a organização da jornada de trabalho no Brasil, defendendo o conceito de pagamento por hora trabalhada. A iniciativa surge como uma alternativa direta aos projetos que buscam eliminar a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1), propondo uma flexibilização substancial da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que permitiria aos próprios empregados definirem seu período de atuação profissional.
A sugestão, classificada pelo próprio parlamentar como uma alternativa, foi tema de deliberação com outros membros do Partido Liberal durante um encontro em Brasília, realizado nesta terça-feira, 19 de maio. Após a reunião, o senador concedeu declarações a jornalistas, sublinhando que a ideia central é modernizar a legislação trabalhista, adequando-a às transformações impulsionadas pelos avanços tecnológicos, sem, contudo, comprometer os direitos fundamentais dos trabalhadores.
Flávio Bolsonaro Propõe Pagamento por Hora em Vez da Escala 6×1
A essência da proposta é que o trabalho seja remunerado com base nas horas efetivamente dedicadas, garantindo, de forma proporcional a essas horas, todos os direitos trabalhistas assegurados pela CLT, como o décimo terceiro salário, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e as férias. Conforme detalhado por Flávio Bolsonaro, essa abordagem visa assegurar que, embora a carga horária seja flexível, a segurança e os benefícios sociais do empregado sejam mantidos e ajustados ao seu regime de trabalho.
A manifestação do senador ocorre em um período de intensa discussão legislativa sobre o tema. Em abril, o governo federal já havia encaminhado ao Congresso Nacional um projeto de lei, sob regime de urgência constitucional, com o objetivo de pôr fim à escala 6×1. A proposta do Executivo visa à redução do limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso remunerado por semana, sem qualquer impacto negativo na remuneração dos trabalhadores. Com essa medida, a intenção é que os empregados passem a atuar no máximo cinco dias por semana.
O projeto do governo federal angariou o apoio de diversas entidades sindicais e órgãos de representação de classe, que veem na redução da jornada uma melhoria na qualidade de vida e nas condições de trabalho. No entanto, a proposta enfrenta objeções significativas por parte de entidades patronais e divide a opinião de especialistas na área trabalhista e econômica, que debatem seus potenciais impactos na produtividade e nos custos empresariais.
A relevância do debate é corroborada por dados recentes. Uma pesquisa conduzida pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados revelou que 73% dos brasileiros manifestam apoio ao fim da escala 6×1, desde que tal mudança não resulte em redução salarial. Esse dado evidencia um desejo generalizado por maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal, mas com a salvaguarda da estabilidade financeira.
Em contraposição, Flávio Bolsonaro classificou a proposta do governo federal como “inoportuna e eleitoreira”. Em sua visão, a medida tenta “vender para a população uma solução fácil que não vai resolver” os desafios relacionados à produtividade, empregabilidade e qualidade de vida no país. O senador argumentou que, ao invés de solucionar, a proposta governamental “vai gerar desemprego em massa, aumento do custo de vida e prejudicar mais os trabalhadores do que ajudar”.
Defendendo sua alternativa de pagamento por hora, o senador explicou que essa modalidade conferiria aos empregados a autonomia para determinar sua carga horária. Segundo ele, “se quiserem, vão trabalhar mais. E, se não puderem trabalhar tanto, se precisarem de mais flexibilidade, isso também estará atendido por esta legislação”. Bolsonaro enfatizou que sua proposta tem o potencial de beneficiar de maneira particular as mulheres, que frequentemente enfrentam maiores desafios para conciliar a vida profissional com responsabilidades familiares.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Para ilustrar o impacto positivo para o público feminino, o senador apontou que “vinte e três por cento delas não conseguem, não podem trabalhar por causa desta jornada endurecida, por não terem onde deixar seus filhos”. Com a flexibilidade proporcionada pela mudança legislativa, “a mulher que tem filhos vai poder trabalhar, por exemplo, quatro horas; deixar seu filho com alguém e voltar para casa para ficar com o filho. Portanto, vai ter oportunidade de trabalho”, afirmou Flávio Bolsonaro, que optou por não responder a perguntas adicionais dos jornalistas após suas declarações.
A sugestão do senador, contudo, diverge do entendimento predominante do governo federal. O Executivo considera o fim da escala 6×1 uma prioridade estratégica, argumentando que a medida, entre outros benefícios, fomenta a equidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho e contribui para aliviar a significativa sobrecarga assumida pelas mulheres, frequentemente sujeitas à dupla jornada de trabalho, que combina o emprego formal com as tarefas domésticas e o cuidado familiar.
A discrepância entre os gêneros na divisão de tarefas domésticas e de cuidado é corroborada por dados. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de 2022, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstra que as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas. Em contraste, os homens dedicam apenas 11,7 horas a essas atividades. Quando a análise se restringe a mulheres pretas e pardas, o volume de trabalho doméstico não remunerado é ainda maior, superando em 1,6 hora por semana o tempo dedicado por mulheres brancas.
Reforçando a perspectiva do governo, a secretária nacional de Articulação Nacional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, manifestou que o término da jornada 6×1 pode gerar um impacto construtivo na divisão de tarefas dentro dos lares. “O cuidado tem que ser compartilhado entre homens e mulheres. Isso não é uma questão só cultural. É também de os homens terem mais tempo em casa para compartilharem o cuidado”, declarou a secretária à Agência Brasil, defendendo uma sociedade mais equitativa na distribuição de responsabilidades.
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Em suma, o debate sobre a reforma da jornada de trabalho no Brasil se aprofunda com propostas distintas: enquanto o governo federal busca uma redução padronizada para a escala 6×1, o senador Flávio Bolsonaro apresenta a flexibilidade do pagamento por hora como uma alternativa para modernizar a CLT e promover novas oportunidades, especialmente para as mulheres. Ambas as propostas levantam discussões cruciais sobre equidade de gênero, empregabilidade e o futuro do mercado de trabalho. Mantenha-se informado sobre os desdobramentos dessas importantes discussões legislativas e seus potenciais impactos na sociedade brasileira acompanhando nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil







