A data comercial que impulsiona o varejo nacional, a Black Friday, consolidou-se como um dos períodos mais significativos para as vendas no Brasil nos últimos anos. Contudo, essa evolução também trouxe consigo um aumento considerável nos riscos para os consumidores. O avanço das tecnologias, que oferece maior poder de escolha e comparação, simultaneamente facilitou a proliferação e o aprimoramento de fraudes e golpes na Black Friday por toda a internet. Dados alarmantes do Detector de Sites do Reclame Aqui revelam que 65% dos links verificados atualmente indicam potencial de golpe, um salto de 36% em comparação ao ano anterior. Este volume inédito sublinha como criminosos têm se valido das inovações, incluindo ferramentas de Inteligência Artificial (IA), para criar páginas falsas, simular carrinhos de compras e replicar checkouts que aparentam ser absolutamente legítimos, conforme relatado por Edu Neves, CEO do Reclame Aqui.
A consequência direta é um consumidor em crescente estado de desconfiança, com 64% das pessoas expressando receio de serem enganadas, e uma parcela significativa afirmando já conhecer alguém que foi vítima. Este problema transcende a esfera individual do comprador, transformando-se em uma corrosão generalizada da confiança no varejo, afetando marcas, plataformas de e-commerce e até mesmo instituições financeiras, como salienta o executivo.
Golpes na Black Friday: O Crescimento das Fraudes Online
Com um cenário de consumidores mais conectados e, em muitos casos, com orçamentos apertados, a Black Friday 2025 demanda extrema cautela. Apesar da maior atenção do público brasileiro às fraudes, os métodos dos golpistas evoluíram na mesma velocidade das compras online, e em diversas situações, ultrapassaram-nas. Diante disso, é imperativo manter-se vigilante, pois a agilidade das transações e das ações fraudulentas exige uma resposta rápida e informada dos compradores.
Nesta nova dinâmica, as estratégias de fraude se transformaram. É crucial estar atento, pois as promoções enganosas se espalham com rapidez, especialmente através das redes sociais, focando em produtos de moda e beleza, com ofertas que surgem e desaparecem em poucas horas. Frequentemente, estas campanhas utilizam anúncios de baixo custo e gatilhos emocionais, como a promessa de que a promoção durará “apenas enquanto durarem os estoques”, gerando um senso de urgência para estimular compras por impulso. Após a efetivação da compra, os sites fraudulentos desaparecem antes que o consumidor perceba o engano, explica Neves.
O receio de ser enganado também gera um efeito colateral preocupante: muitos consumidores evitam fazer compras em lojas novas e concentram suas aquisições em varejistas mais renomados, limitando a diversidade do mercado e sufocando pequenos comerciantes que já são os mais impactados pela falta de confiança digital. Mesmo assim, os riscos persistem, alerta Neves, pois mesmo ao realizar uma compra por meio do aplicativo oficial de uma loja, o cliente pode ser interceptado por um fraudador, que o induz a um pagamento via link externo, fora do sistema seguro da plataforma.
Na tentativa de reverter este quadro de desconfiança, o Reclame Aqui implementou um selo de verificação para empresas e disponibilizou uma plataforma online onde os consumidores podem verificar a autenticidade de um endereço de loja virtual. O serviço do Detector de Sites é totalmente gratuito e já contabiliza mais de 12 milhões de usuários.
A Fundação Procon-SP também enfatiza que a vulnerabilidade dos consumidores não se restringe apenas aos crimes digitais, mas se estende ao marketing agressivo frequentemente utilizado no período. Uma pesquisa inédita conduzida pelo órgão revelou que os consumidores permanecem fortemente suscetíveis a gatilhos de urgência, mesmo quando nutrem desconfiança em relação às ofertas apresentadas. O estudo da Fundação Procon-SP, que entrevistou 329 consumidores, detalha como argumentos empregados em campanhas de marketing exercem influência – e por vezes iludem – o público no momento da decisão de compra.
Os resultados da pesquisa do Procon-SP revelam dados significativos sobre o comportamento dos consumidores durante a Black Friday:
- 88% dos entrevistados acompanham as ofertas na Black Friday, mesmo demonstrando desconfiança.
- 52,7% têm o hábito de comprar, apesar do receio de serem lesados.
- 76% já se sentiram enganados em alguma ocasião durante a data.
- 42,5% descobriram posteriormente que o parcelamento “sem juros” possuía um custo embutido.
- 5% admitem realizar compras rapidamente por medo de perder a oferta, fenômeno conhecido como FOMO (fear of missing out). Estratégias como “só hoje”, “últimas unidades” e “desconto exclusivo” continuam eficazes, provocando decisões impulsivas que muitas vezes resultam em frustração e arrependimento.
Em 2024, durante o período da Black Friday, o Reclame Aqui registrou um total de 14,1 mil reclamações, marcando o maior número na série histórica do evento. Isso significa que, mesmo em transações legítimas, houve ocorrências de problemas, o que, somado aos golpes, contribui para prejudicar a imagem do varejo na data. Entre os motivos mais frequentes das reclamações, destacaram-se:
- 17,41% por atraso na entrega
- 16,98% por propaganda enganosa
- 15,27% por produto não recebido
- 10,42% por estorno não realizado
- 4,19% por problemas no fechamento da compra
Com o crédito mais oneroso e o orçamento doméstico mais apertado, o consumidor demonstra maior seletividade em suas compras. Aquisições de maior valor são consideradas apenas sob condições de vantagem real. O desafio reside no fato de que essa busca por oportunidades abre portas para armadilhas recorrentes durante a Black Friday: a combinação de preço baixo, urgência na decisão e pagamento via Pix. Esta tríade representa um cenário ideal para a concretização de fraudes, conforme alertam os órgãos de defesa do consumidor.
É fundamental evitar pagamentos instantâneos, uma vez que o Pix não possui a funcionalidade de “marcha à ré”, como ressalta Neves. Embora o Banco Central tenha implementado avanços nas medidas de proteção para esse tipo de pagamento, a reversão de transações ainda é limitada. Para compras digitais, a recomendação é priorizar o uso de cartão virtual de uso único, que pode ser cancelado após a compra sem o risco de utilização posterior indevida.
Principais Tipos de Golpes Digitais na Black Friday
- Sites Falsos: Envolvem clonagens profissionais de páginas de e-commerce que imitam com precisão o processo de checkout e confirmação de compra de lojas verdadeiras, ludibriando o consumidor.
- Descontos Irreais Usados como Isca: Ofertas que estão muito fora do padrão de mercado, especialmente aquelas que exigem pagamento imediato ou exclusiva via Pix, sinalizando uma potencial fraude.
- Pressão Emocional e Gatilhos de Urgência: Campanhas que empregam táticas para acelerar a decisão de compra, como “últimas unidades” ou “promoção relâmpago”, reduzindo o senso crítico do consumidor e induzindo a impulsividade.
- Links Externos e Pagamentos Fora da Plataforma: Fraudes que se originam em redes sociais com ofertas atrativas e, em seguida, direcionam o consumidor para ambientes de pagamento não monitorados ou fora das plataformas de compra seguras.
Como Evitar Golpes na Black Friday: Dicas Essenciais
- Verifique se a Empresa Existe: Consulte o CNPJ, o tempo de registro da empresa, sua reputação e avaliações em plataformas confiáveis como Reclame Aqui, Google e redes sociais.
- Cheque o Preço Real: Compare o valor da oferta com os preços de mercado anteriores. Descontos “milagrosos” na Black Friday são raros e frequentemente indicam um golpe.
- Prefira Cartão Virtual de Compra Única: Esta modalidade reduz significativamente o risco de vazamento de dados do seu cartão principal e de uso indevido em caso de fraude.
- Evite Compras Impulsivas: Golpes frequentemente dependem da pressa do consumidor. Se uma oferta expira em poucos minutos ou exige uma decisão imediata, desconfie e analise com calma.
O Procon-SP ainda reforça a importância de pesquisar com antecedência, verificar o preço total, que deve incluir o valor do frete, ler atentamente as condições de pagamento e exigir clareza nas políticas de troca e cancelamento. Diante de qualquer indício de irregularidade ou golpe, é crucial registrar uma denúncia nos canais oficiais dos órgãos de defesa do consumidor. Sempre faça as seguintes perguntas antes de finalizar uma compra: “Vale a pena comprar? Posso confiar nesta oferta e nesta loja?”.
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Em suma, a Black Friday, apesar de ser uma excelente oportunidade de compras, exige uma postura vigilante e informada por parte dos consumidores para mitigar os riscos crescentes de fraudes digitais. Ao adotar as estratégias de prevenção recomendadas pelos órgãos de defesa do consumidor e por especialistas, é possível realizar compras de forma mais segura e aproveitar as ofertas sem cair em armadilhas. Mantenha-se atualizado e continue acompanhando nossas análises sobre o mercado e segurança online em nossa editoria de Economia.
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